22/09/2025
Na escola, já estamos acostumados a tratar os erros acadêmicos como parte da aprendizagem. Quando uma criança erra, junto com ela, retomamos o raciocínio, refletimos sobre o que foi pensado e, a partir disso, ela corrige e avança. O erro, nesse contexto, é oportunidade de aprender.
Mas quando se trata de conflitos de convivência, como uma briga ou uma ofensa, por que a lógica muda? Ainda é comum recorrer à “bronca”, a intervenções autoritárias, como se, por si só, fossem capazes de ensinar. No entanto, esse caminho raramente gera transformação real. Muitas vezes, o que f**a é apenas raiva, revolta ou a sensação de injustiça. O foco deixa de ser o conflito em si e passa a ser o “castigo” recebido.
A neurociência ajuda a compreender por que isso acontece. Situações de conflito ativam a amígdala cerebral, responsável por respostas impulsivas ligadas ao instinto de luta ou fuga. Nesse estado, predominam emoções como medo e agressividade, e a criança não consegue refletir de forma consciente. Quando recorremos a intervenções autoritárias, reforçamos esse estado defensivo. Já a mediação abre espaço para que o córtex pré-frontal entre em ação. É nessa região que estão o raciocínio, a empatia, o autocontrole e a tomada de decisão.
No processo de mediação, a criança é convidada a escutar e a se expressar, compreender diferentes pontos de vista e pensar em reparações possíveis. Esse movimento transforma o conflito em experiência de aprendizagem socioemocional, tão importante quanto qualquer conteúdo acadêmico. A diferença é clara: a punição ensina a obedecer por medo; a mediação ensina a assumir responsabilidade pelas próprias atitudes e escolhas.
Quando a escola adota essa prática, constrói um clima mais favorável à aprendizagem, reduz violência, bullying e problemas comportamentais, fortalece vínculos e promove a cultura da paz. Nesse contexto, o aluno não apenas reconhece seus atos, mas também se implica na reparação dos danos emocionais ou materiais causados, aprendendo a lidar com as consequências de forma responsável e construtiva. Afinal, quem se sente respeitado, seguro e pertencente, tende a aprender mais e melhor.