19/03/2026
Sabia que eu quase fui preso por conta dessa cliente?
Ana Lua é uma verdadeira vitoriosa. Ela se tornou a primeira mulher trans da América Latina, com menos de 21 anos, a conquistar judicialmente o direito de realizar pelo SUS a cirurgia de afirmação de gênero.
Mas essa conquista não veio fácil. Foi resultado de uma longa batalha judicial, marcada por resistência, coragem e enfrentamento. Durante o processo, Ana Lua sofreu transfobia dentro do próprio Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. E, ao atuar na sua defesa, fui surpreendido com a presença de uma guarnição da Polícia Militar, sob a alegação de que eu estaria causando escândalo, quando, na realidade, exercia apenas o meu dever profissional de defender os direitos da minha cliente diante de uma situação de violência institucional.
Mesmo diante de todos esses obstáculos, seguimos firmes. Hoje, além do direito garantido, existem também medidas administrativas e judiciais sendo adotadas em face do próprio tribunal, em razão das violações ocorridas.
Atuar com direitos humanos exige coragem, firmeza e compromisso. Não é fácil. É urgente que o Judiciário brasileiro avance em letramento institucional para acolher, respeitar e garantir dignidade à população LGBTQIA+.
Viva Ana Lua. Viva o SUS. Viva a comunidade LGBTQIA+. Viva os direitos humanos.