29/04/2022
Com pouco esforço iremos encontrar formas e métodos para redução do sofrimento. Angústia, tristeza, luto, medo, seja o que for. Para tudo encontramos uma possível solução, uma via, muitas vezes medicamentosa, de reduzir o impacto de determinadas formas de sentir e viver.
Existe uma busca constante por “estar bem”, ou, melhor dizendo, para estar “sempre” bem. Estar triste ou estar sentindo qualquer espectro de sentimento que seja negativo pode dar indícios de algum tipo de patologia que merece, novamente, algum tipo de intervenção que venha a corrigir, reparar, modificar o que se está sentindo.
É possível que estejamos tratando da biomedicalização da vida e do culto a um estado de zero sofrimento psicológico, o que parece pouco provável.
O sofrimento é inerente ao ser humano e, possivelmente, nada de externo tem condições de garantir sua total ausência.
Por mais que tenhamos acesso a recursos materiais diversos vamos experimentar doses de sofrimento psicológico. Ficamos irritados, cansados, estressados, tristes, chateados, desapontados, amedrontados, envergonhados, tímidos, inseguros, etc.
Ao longo da vida podemos passar ainda por cargas excessivas de trabalho, discussões, divórcios, acidentes, processos, perdas de pessoas queridas, e tantas outras intempéries que estar bem o tempo todo é, basicamente, impossível.
O sofrimento vem de processos psicológicos normais quando estamos em contato com a diversidade de elementos presentes no nosso ambiente. É normal nos sentirmos felizes, esperançosos, entusiasmados, amando e amados. Bem como também é normal nos sentirmos tristes, de luto, com medo e ansiosos. Nosso contexto irá nos auxiliar a melhor compreender como nos sentimos, porém o destaque aqui é para a gama de sentimentos que temos ao estarmos em contato com o mundo e como isso é normal, deriva de processos psicológicos normais.
Existem cargas de sofrimentos intensos que demandam sim intervenção, inclusive medicamentosa. Porém, parece que todos nós sofremos em maior ou menor grau e isso é normal.
Referência
Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (2021). Terapia de Aceitação e Compromisso-: O Processo e a Prática da Mudança Consciente.