Mente Sã Em tempos atuais de caos , imediatismo e ansiedade todos precisamos de um foco na própria mente par

Comando a gente dá para cachorro e soldado. Para criança, a gente orienta e acolhe.Hoje, no Dia Mundial de Conscientizaç...
03/04/2026

Comando a gente dá para cachorro e soldado. Para criança, a gente orienta e acolhe.

Hoje, no Dia Mundial de Conscientização do Autismo, eu preciso falar sobre algo que vem sendo naturalizado e que é, no mínimo, preocupante.

Alguns profissionais, professores, cuidadores e até médicos têm usado a palavra comando como se isso fosse parte do cuidado com crianças.

Comando.

Eu te pergunto, como adulto, o que você faz quando recebe um comando?

Você aprende ou você obedece?
Você se sente seguro ou se sente pressionado?
Você elabora ou apenas executa?

Comando não produz sujeito. Comando produz submissão.

E quando isso entra no cuidado com crianças, a gente precisa parar e pensar no que está sendo feito em nome de técnica.

Uma criança não deve ser oprimida. E comando, na sua essência, é opressivo.

Não importa se essa criança está no espectro ou não. Não importa o diagnóstico.

“Os autistas” não recebem atendimento. Quem recebe é a criança, que pode ter um tipo de autismo.

Quando a gente reduz alguém a um rótulo e aplica um conjunto de comandos, o que se perde não é só a singularidade. É o próprio sujeito.

Na psicanálise, desde Sigmund Freud até Jacques Lacan, o que orienta o cuidado não é a padronização do comportamento, mas o reconhecimento de que há alguém ali.

É sustentar que, mesmo quando há sofrimento, uma maneira outra de desenvolvimento e de interação, estamos diante de alguém que existe, à sua maneira, no mundo.

Eu sei que muitas pessoas usam essa palavra sem se dar conta do que ela carrega. E é justamente por isso que esse debate precisa ser feito.

Porque quando a linguagem empobrece, o cuidado empobrece junto.

Orientar não é ausência de limite. Acolher não é permissividade.

É reconhecer que ali existe alguém que responde, ainda que de um modo que a gente não domina.

Sem isso, não há cuidado. Há apenas controle.

02/04/2026

A maternidade não é apenas um evento biológico. É um acontecimento psíquico.

Ela reabre, em tempo real, aquilo que foi recalcado para garantir pertencimento, amor e aceitação. Não existe preparo que dê conta disso por completo.

Duas filhas, mesma origem, mesma estrutura familiar. Ainda assim, dois sujeitos radicalmente distintos.

Porque entre genética e ambiente existe algo que não se explica totalmente. E é nesse ponto que começa o que mais importa.

É sobre isso que sustento quando falo de saúde mental, maternidade e subjetividade.

01/04/2026

Ontem estive em uma roda de conversa com mulheres, a convite da

Esse reels é um recorte de quando falo sobre o que sustenta uma mulher, atravessando uma provocação de Clarice Lispector e uma leitura de Sigmund Freud sobre o ponto em que já não é mais possível permanecer igual.

Autoconhecimento (apesar de não gostar muito dessa palavra no sentido mercadológico, pois tudo não é possível!) e maternidade aparecem aqui não como discurso, mas como experiência viva.

Tenho levado essa escuta para consultório e também para espaços coletivos, que honra! 💜

Estive no Consciência Summit, em São Paulo, esse final de semana.Entre tantas falas e encontros, estar ali ouvindo Crist...
29/03/2026

Estive no Consciência Summit, em São Paulo, esse final de semana.

Entre tantas falas e encontros, estar ali ouvindo Cristian Dunker foi daqueles momentos que fazem a gente lembrar por que escolheu esse caminho.

Teve também uma aula potente a partir de um caso clínico: ninguém menos que Vincent van Gogh.
E, nessa aula, ao meu lado, estava ninguém menos que o próprio Dunker — o que, por si só, já desloca qualquer escuta.

Eu já havia estudado sua obra, já tinha ido à exposição… mas dessa vez foi diferente.

Fico com uma frase de Van Gogh: ser intenso nesse mundo custa caro, mas ser raso custa a alma.

A ciência avança, os protocolos também.
Mas a arte da medicina… ainda se sustenta nesse lugar mais sutil, que não cabe inteiro em slide nenhum.

Saio atravessada — no melhor sentido.

O maior cargo ainda é o de ser humano.E não se sustenta no que se diz — aparece no modo como alguém atravessa o outro.Na...
20/03/2026

O maior cargo ainda é o de ser humano.
E não se sustenta no que se diz — aparece no modo como alguém atravessa o outro.

Na amizade.
No amor.
E, principalmente, no trabalho.

Fala-se muito em posição, em status, em reconhecimento.
Mas pouco se fala do que sustenta isso quando ninguém está vendo.

Para mim, começa no respeito.

Esse carrossel é um recorte do que me atravessa —
leituras, frases, pensamentos e também fragmentos da minha própria vida.

Não como ideal.
Mas como construção.

Uma sequência direto da galeria do meu celular — e dos meus interesses  atuais de estudo.
12/03/2026

Uma sequência direto da galeria do meu celular — e dos meus interesses atuais de estudo.

09/03/2026

“Ninguém faz cócegas em si mesmo.”

Esse trecho é do livro Não Pise no Meu Vazio, de Ana Suy.

Ele lembra algo essencial:
há angústias que se tornam ainda maiores quando tentamos enfrentá-las completamente sozinhos.

O humano acontece no laço.

Durante muito tempo ensinaram mulheres a se adaptar.A falar menos.  A ceder mais.  A não incomodar.Para serem escolhidas...
08/03/2026

Durante muito tempo ensinaram mulheres a se adaptar.

A falar menos.
A ceder mais.
A não incomodar.

Para serem escolhidas.

Mas quem vive apenas para ser escolhida quase sempre paga um preço: sobrecarga, desigualdade, silenciamento.

O 8 de março não nasceu como celebração.

Nasceu da luta de mulheres contra jornadas exaustivas de trabalho, desigualdade e violência.

Hoje muitas já não esperam ser escolhidas.

Elas escolhem, ocupam lugar e falam.

E isso ainda desloca estruturas que, por muito tempo, contaram com o silêncio feminino.

Em 1932, Einstein perguntou a Freud se era possível livrar a humanidade da guerra.Enquanto isso, quase um século depois,...
02/03/2026

Em 1932, Einstein perguntou a Freud se era possível livrar a humanidade da guerra.

Enquanto isso, quase um século depois, seguimos assistindo a bombardeios e fronteiras em colapso. Mudam os cenários. A estrutura insiste.

Freud não foi ingênuo. Ele apontou para algo menos confortável: a agressividade humana não é um acidente histórico. É constitutiva.

Mas talvez possamos ir um passo além.

A guerra não começa apenas quando transformamos o outro em inimigo.
Ela começa quando não suportamos a alteridade em nós mesmos.

Quando aquilo que nos divide por dentro é projetado para fora.
Quando o estranho interno precisa ser eliminado — e então encontra um rosto, uma bandeira, uma nação.

O inimigo externo costuma organizar o caos interno.

Civilização é o esforço — sempre frágil — de sustentar essa divisão sem recorrer à destruição.

Não é um tema distante.
É estrutural.

Se isso te atravessa, compartilhe.
Pensar também é um ato civilizatório.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra mais de 1.400 feminicídios por ano — em média, quat...
15/02/2026

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registra mais de 1.400 feminicídios por ano — em média, quatro mulheres por dia.
E a maioria é morta por parceiros ou ex-parceiros.
A narrativa quase sempre é a mesma: “crime passional”, “não aceitava a separação”, “ciúme”, “surto”.

Mas isso não começa no crime.
Começa muito antes.

Começa quando confundimos posse com amor.
Quando chamamos controle de cuidado.
Quando romantizamos homens que não suportam frustração.

A maioria dos feminicídios acontece no contexto de separação ou ameaça de perda.
Não é excesso de amor.
É colapso narcísico.

É um homem que nunca aprendeu a lidar com o fato de que a mulher é sujeito —
e não extensão dele.

Esse manual não é para responsabilizar mulheres.
A responsabilidade é sempre de quem agride.

Mas é urgente parar de normalizar sinais que já são alerta.

Não precisamos de homens que nos ajudem.
Precisamos de homens que compartilhem.

Porque onde há objetificação, não há sujeito.
E onde não há sujeito, há risco.

Nomear não é exagero.
É leitura da realidade.

— Gabriela Lein

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Santa Bárbara D'Oeste, SP

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