10/11/2021
O dever de ser feliz!
Vivemos em uma época em que nos sentir felizes deve estar acima de tudo. Somos bombardeados com mensagens bem intencionadas: “Cerque-se de pessoas positivas!” “Apenas relaxe!” “Não pense muito!” “Tem que ser forte!”
Tem se à impressão de que não tem lugar para sentir tristeza, angústia, preocupação. E quem sente-se assim, é melancólico ou não é forte o suficiente. Como se à tristeza fosse contagiosa, foge-se de quem se autoriza a sentir-la. ( Não se trata daqueles que se colocam como vítimas do mundo…)
A exigência para ser feliz a todo custo é sedutora: livros de autoajuda, indicação farmacológicas, soluções rápidas e suaves, é quase como se alguém pudesse restaurar o bem-estar e nos trazer a felicidade eterna. A vida é reconfortante, mas para isso devemos ser capazes de atravessar os buracos que nos tocam, aceitar o que se perdeu para construir o que é possível.
A Psicanálise denuncia qualquer promessa de felicidade como vã e profundamente alienante. A Psicanálise abstém-se de dar qualquer definição de felicidade, ela revela como a felicidade de cada sujeito não coincide necessariamente com o que é agradável.
Reconciliar-nos com a verdade de que nem tudo em nós é agradável traz a possibilidade de mudar a forma que o sofrimento opera na nossa vida, libertando-nos do peso exaustivo de buscar a felicidade, e por fim, tornando á vida um pouco mais digna.
Michaelly Porto
Psicóloga Clínica
CRP 02/18702