29/04/2026
Seguindo no curso de Psicologia da Religião na USP, hoje fui apresentada a Jacob Belzen e sua Psicologia Cultural da Religião, mais especif**amente como ela trata o delírio coletivo religioso e deu-se o exemplo o que ocorrera no Brasil em Catulé, MG nos anos 50 (quem viu Vereda da Salvação, obra-prima de Anselmo Duarte, sabe do que se trata). O que senti dessa teoria é que ela é uma espécie de mistureba de todas as teorias, trazendo assim algo novo construído de diversas partes no melhor estilo Frankenstein.
"No nível do que alguns psicólogos sociais chamam de agenda oculta travava-se, porém, uma batalha entre vozes e apelos dissonantes. No plano simbólico, Joaquim representava as novas “veredas de salvação” que o Adventismo trouxera para aquela gente “sem eira nem beira”. Era, ao menos nesse plano, um caminho que negava, com a força de convicções religiosas exacerbadas, a decadência real do grupo. A crença milenarista do grupo signif**ava uma fantasia de grandeza e controle do mundo e de seus destinos, uma fantasia que não tinha correspon-dência na realidade de medo e insegurança que se contrapunha a uma esperança que a cada hora se tornava mais precária. A ida a Tabocal punha à mostra duas posições: a milenarista de Joaquim e a dos mais fanáticos, e a mais realista que continuava atraindo os adeptos de Manuel, o porta-voz do sentimento coletivo mais equilibrado."
VALLE, Edênio. Uma leitura brasileira de “Para uma Psicologia Cultural da Religião”, de Jacob A. Belzen. REVER: Revista de Estudos da Religião, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 219–238, 2012. Disponível em: revistas.pucsp.br/rever/article/view/10489 Acesso em: 29 abr. 2026.