Psicanalista Adriana Scarpin

Psicanalista Adriana Scarpin Orientação psicanalítica lacaniana com viés de gênero, raça e classe.

Seguindo no curso de Psicologia da Religião na USP, hoje fui apresentada a Jacob Belzen e sua Psicologia Cultural da Rel...
29/04/2026

Seguindo no curso de Psicologia da Religião na USP, hoje fui apresentada a Jacob Belzen e sua Psicologia Cultural da Religião, mais especif**amente como ela trata o delírio coletivo religioso e deu-se o exemplo o que ocorrera no Brasil em Catulé, MG nos anos 50 (quem viu Vereda da Salvação, obra-prima de Anselmo Duarte, sabe do que se trata). O que senti dessa teoria é que ela é uma espécie de mistureba de todas as teorias, trazendo assim algo novo construído de diversas partes no melhor estilo Frankenstein.

"No nível do que alguns psicólogos sociais chamam de agenda oculta travava-se, porém, uma batalha entre vozes e apelos dissonantes. No plano simbólico, Joaquim representava as novas “veredas de salvação” que o Adventismo trouxera para aquela gente “sem eira nem beira”. Era, ao menos nesse plano, um caminho que negava, com a força de convicções religiosas exacerbadas, a decadência real do grupo. A crença milenarista do grupo signif**ava uma fantasia de grandeza e controle do mundo e de seus destinos, uma fantasia que não tinha correspon-dência na realidade de medo e insegurança que se contrapunha a uma esperança que a cada hora se tornava mais precária. A ida a Tabocal punha à mostra duas posições: a milenarista de Joaquim e a dos mais fanáticos, e a mais realista que continuava atraindo os adeptos de Manuel, o porta-voz do sentimento coletivo mais equilibrado."

VALLE, Edênio. Uma leitura brasileira de “Para uma Psicologia Cultural da Religião”, de Jacob A. Belzen. REVER: Revista de Estudos da Religião, [S. l.], v. 12, n. 1, p. 219–238, 2012. Disponível em: revistas.pucsp.br/rever/article/view/10489 Acesso em: 29 abr. 2026.

Já tem alguns bons 15 anos que tive um insight da psicanálise como prática poética que vai da teoria à clínica, curiosam...
27/04/2026

Já tem alguns bons 15 anos que tive um insight da psicanálise como prática poética que vai da teoria à clínica, curiosamente não foi até Rosácea da Orides Fontela que tive o mesmo pensamento quanto à leitura de filosofia, ou seja, ler o texto filosófico como leitura de poesia.
Mas se a leitura de poesia é subjetiva como faz para ter uma leitura objetiva do texto filosófico ou psicanalítico? Dá para ser objetivo lendo Hegel ou Lacan? Dá para lê-los sem ajuda de comentadores que por sua vez aplicaram certa subjetividade em suas leituras? Dá para fazer Cartel sem 5 leituras diferentes do mesmo texto? No fundo a teoria é tão flexível quanto a prática clínica do setting, dá para saber o que se falou, mas nunca o que o outro escutou, por mais que a sintaxe pudesse ser objetiva.
Enfim, voltando ao livro da Orides, é uma releitura e acho que gostei mais dessa vez, talvez tenha se tornado meu livro favorito dela.

É a primeira vez que tenho contato com  a escrita da botsuanense Tjawangwa Dema, é também seu primeiro livro de poemas p...
26/04/2026

É a primeira vez que tenho contato com a escrita da botsuanense Tjawangwa Dema, é também seu primeiro livro de poemas publicado originalmente em 2019 aos 38 anos. Aparentemente ela já era figurinha fácil em coletâneas de poesia africana como uma das grandes vozes contemporâneas do continente, antes mesmo te ter um livro só seu.
E que livro! Tematicamente ele é muito rico porque aborda várias frentes em ser mulher, desde a maternidade, o luto, a menstruação, o amor, o não pertencimento... Parece que ela tem um poema para cada coisa que se passa pela vida.


23/04/2026

E é assim, crianças, que funciona uma análise.

Esse trecho do livro da  me marcou profundamente porque é exatamente isso que trabalhamos em análise como analistas e an...
21/04/2026

Esse trecho do livro da me marcou profundamente porque é exatamente isso que trabalhamos em análise como analistas e analisandos (psicanalistas são eternos pacientes), aprendemos a lidar com a falta, essa eterna incompletude e ver que ninguém completa ninguém. É um processo mais demorado em mulheres porque elas estão embebidas no suco do patriarcado e a pressão social é muito forte para que sejam vistas como metades da laranja.
Uma anedota que costumo contar é que desde adolescência quando vinham com esse papinho de alma gêmea, metade da laranja, eu costumava dizer que já era uma laranja inteira, nem por isso deixei de ser trouxa algumas vezes (se apaixonar é isso: f**ar cognitivamente limitado), mas a análise ajuda muito nisso: saber-se uma laranja inteira.

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Há tempos sigo a Adriana Ventura no Instagram (não confundir com a deputada do Novo, pelo amor de Zeus), tinha lido o li...
20/04/2026

Há tempos sigo a Adriana Ventura no Instagram (não confundir com a deputada do Novo, pelo amor de Zeus), tinha lido o livrinho dela sobre a monogamia só existir na mente das mulheres apaixonadas e não tinha f**ado feliz com ele pela forma que a autora escolheu escrevê-lo. Porém, Ventura deve ter ouvido as críticas construtivas e agora com A Síndrome da Escolhida exerceu o seu melhor na maneira de organizar suas ideias num livro de fôlego maior e melhor escrito.
Dessa vez Ventura escolhe abranger o que há por trás da Síndrome da escolhida e todo desnível que isso traz às relações monogâmicas para as mulheres, como as colocar numa situação de vulnerabilidade emocional, física e financeira se elas colocam o relacionamento amoroso como aspecto primordial de suas vidas.
Esse livro acaba sendo uma desconstrução cabal do amor romântico numa linguagem simples que pode atrair muitas mulheres para sua leitura, enquanto houver monogamia e ideais de amor romântico precisamos dialogarmos entre nós porque tudo isso não vai se descontruir sozinho.

20/04/2026

Como atenta observadora social uma das coisas que notei é o quanto as mulheres ainda reverberam o conceito de "cavalheir...
20/04/2026

Como atenta observadora social uma das coisas que notei é o quanto as mulheres ainda reverberam o conceito de "cavalheirismo" para si mesmas, mesmo que se assumam feministas.
Veja bem, muitas mulheres ainda acham justo o homem pagar as despesas do primeiro encontro por uma questão de cavalheirismo, por um mimo, por fazer parte do jogo da conquista, mesmo que posteriormente elas passem a dividir as contas como boas feministas que são.
O pulo do gato f**a na questão: a quem serve essa performance? Porque nas minhas observações também inferi que essa performance só dura até o dia seguinte quando os homens pedem o ressarcimento do encontro porque a noite não acabou como eles queriam.
Cavalheirismo ainda é um papel de gênero que coibe relacionamentos saudáveis, começar com ele só coloca o casal em desnível desde o princípio, há muitas formas de gentiliza que não reafirmam papéis de gênero antiquados.

Quem frequenta as redes sociais sabe que vira e mexe tem a discussão de psicólogo se auto intitulando "psicólogo cristão...
19/04/2026

Quem frequenta as redes sociais sabe que vira e mexe tem a discussão de psicólogo se auto intitulando "psicólogo cristão" "psicólogo espírita" "psicólogo umbandista", só quero reiterar aqui que isso não existe e fere o código de ética do psicólogo. O mesmo vale para a psicanálise.
Estou dizendo isso porque muita gente leiga não sabe que as pessoas que se intitulam assim são maus profissionais, isso é o básico do básico da prática: não misturar com crenças pessoais, isso é ensinado no primeiro semestre da graduação se você ver profissionais fazendo isso é indiscutível que sejam denunciados.
Estou falando isso porque certa vez caí na mão de um profissional ruim desses, mas eu ainda não sabia nada de psicologia, porém sei bem o mal que me fez.
Portanto, denunciem ao CRP. Agora, psicanalista pilantra não tem como fazer, só fugir mesmo.

Transposição é o primeiro livro de poemas da Orides Fontela publicado em 1969, já o tinha lido na sua poesia completa ta...
19/04/2026

Transposição é o primeiro livro de poemas da Orides Fontela publicado em 1969, já o tinha lido na sua poesia completa também editada pela Hedra, mas está sendo reeditada agora que Orides será a escritora homenageada na FLIP 2026.
Nessa releitura ficou claro algo pra mim: me identifico mais com a figura excêntrica da poeta do que com seus poemas em si. Por isso o texto sobre Orides escrito por Davi Arrigucci Jr ao final do livro soa tão mais próximo que sua poesia.
De modo algum estou tentando menosprezar sua poesia altamente filosóf**a, mas de algum modo a sua instabilidade emocional não é vista nos seus escritos, tornando-os racionalizados demais.
Enfim, além de sua poesia, leiam também a biografia escrita pelo Gustavo de Castro: O Enigma Orides.

"No que diz respeito ao eu, as possibilidades são relativamente simples: ou ele se depara com uma angústia excessiva e s...
18/04/2026

"No que diz respeito ao eu, as possibilidades são relativamente simples: ou ele se depara com uma angústia excessiva e se retrai, não tentando ou mesmo desistindo de lutar, ou então, numa segunda possibilidade, desenvolve um “contrainvestimento” que leva à formação de um sintoma. Em outros termos, diante de uma angústia limitada, diante de um simples sinal, o eu investe num outro caminho." - Michel Plon

Nós estamos relendo Inibição, sintoma e angústia do Freud no Fórum do Campo Lacaniano RJ, por isso finalmente resolvi pegar pra ler esse esse comentário do Michel Plon para a Coleção Para Ler Freud que saiu há dois anos.
Bastante didático, Plon elenca os principais pontos da obra em questão, até seus antecedentes e subsequentes, com pitadas sobre a Angústia lacaniana, pois quem realmente foi a fundo na Angústia de Freud foi Lacan no Seminário 10.

Endereço

Santa Cruz Do Rio Pardo, SP

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