08/03/2026
Minhas queridas…
Hoje eu não escrevo como técnica, nem como profissional que organiza pensamentos em prontuários ou estrutura intervenções. Hoje eu escrevo como mulher, para mulheres.
Ao longo dos nossos encontros, eu escuto histórias de força que muitas vezes vocês mesmas não enxergam. Escuto culpas que não deveriam ser carregadas. Escuto cobranças internas tão rígidas que, se fossem ditas em voz alta para uma amiga, vocês jamais permitiriam.
Vocês chegam dizendo que estão “fracas”, mas continuam levantando todos os dias. Dizem que “não aguentam mais”, mas seguem tentando.
Eu vejo.
Vejo a mulher que cuida de todos e esquece de si. A que trabalha, resolve, organiza, antecipa problemas (e ainda acha que não fez o suficiente). A que ama demais. A que já foi ferida. A que está aprendendo a dizer “não”.
Eu vejo mulheres tentando dar conta de tudo enquanto se sentem quebradas por dentro. Vejo mães que se culpam por nunca acharem que fazem o suficiente. Vejo filhas tentando curar dores que nem eram delas. Vejo profissionais competentes que ainda se acham incompetentes. Vejo universitárias tentando descobrir quem são no meio de tantas expectativas e medos. Vejo mulheres aprendendo, às vezes pela primeira vez, o que signif**a ser uma mulher adulta.
E, na terapia, eu assisto algo muito bonito acontecer: vocês começam a perceber que podem sentir raiva sem serem “más”. Que podem descansar sem serem “preguiçosas”. Que podem priorizar a si mesmas sem serem “egoístas”. (E sim, às vezes eu vou repetir isso mais de uma vez em sessão até vocês acreditarem.)
Eu tenho a honra de acompanhar mulheres que estão reaprendendo a se respeitar. Que estão quebrando padrões familiares. Que estão encarando dores antigas com uma coragem silenciosa.
Vocês não são “dramáticas”, “exageradas” ou “difíceis demais”.
Vocês são humanas.
Obrigada por confiarem em mim suas partes mais vulneráveis. É uma honra caminhar ao lado de vocês.
Neste Dia das Mulheres, eu não quero que vocês sejam fortes, quero que vocês sejam gentis consigo mesmas.
Com amor,
Psi Angélica 🤍