08/01/2026
Enquanto lia este livro, com diversos trechos tão belos e profundos (aliás, recomendo a leitura!), lembrei muito do texto “A transitoriedade”, escrito por Freud, em que ele elenca como reagimos ao nos depararmos com a finitude do que nos é belo e perfeito. O autor conclui que uma das reações possíveis, é sua maior valorização.
Às vezes, focados tanto em alcançar grandes sonhos, atender altas expectativas (nossas e dos outros), não nos atentamos à beleza do simples, do cotidiano, do “aparentemente” efêmero. E esquecemos que cada instante vivido não retorna mais. Mesmo que na rotina pareçam iguais. Um momento passado morre. E nós morremos um pouco também.
A permanência no automático acarreta esta desconexão, que por sua vez, pode acumular vazios e frustrações, já que as grandes realizações não são cotidianas. Deixar-se encantar pelos pequenos momentos e acontecimentos triviais, pelo que é, ao mesmo tempo, passageiro e corriqueiro, é poder reconhecer a beleza da vida, do seu movimento e de sua efemeridade. Mas em contrapartida, é eternizá-los em nós.