28/04/2026
O luto não é só sobre perder alguém… é sobre o que acontece com quem f**a.
Dentro de uma família, cada pessoa sente de um jeito. Tem quem chora mais, tem quem se fecha, tem quem tenta distrair, tem quem assume responsabilidades… tem quem parece forte demais. E tudo isso são formas de tentar lidar.
Ao longo dos anos acompanhando histórias de luto, eu vejo muito um movimento silencioso acontecendo: um tenta não preocupar o outro. Um segura o choro pra não pesar. Outro tenta manter tudo funcionando, como se precisasse sustentar todo mundo. Alguém assume o papel de “ser forte”, de dar conta.
Não é uma regra… mas é uma dinâmica muito comum.
O problema é que, quando todo mundo tenta proteger o outro… ninguém se permite sentir de verdade.
E sentir faz parte do processo.
Chorar faz parte.
Falar faz parte.
Ter espaço pra viver a dor é necessário.
Porque quando essa dor não encontra espaço, ela não diminui… ela se mantém ativa.
No MPC, a gente entende que o que não é sentido e elaborado continua dentro da pessoa. E isso vai se transformando em peso, em silêncio, em ansiedade, em depressão… em uma sensação de estar travado sem entender exatamente por quê.
Por isso, mais do que cada um ter o seu jeito de viver o luto, existe um ponto importante: existe um caminho pra sentir essa dor de um jeito que ela não te paralise.
Não é sobre parar de sentir.
É sobre não ser dominado por isso.
É sobre conseguir continuar… sem se abandonar no meio do caminho.
E talvez você que está lendo isso reconheça alguma dessas dinâmicas na sua família… ou em você.
E tá tudo bem.
Não existe certo ou errado no luto… existe o que foi possível viver até aqui. Mas sempre existe a possibilidade de começar a dar espaço pra isso ser vivido de forma diferente.
À família da , eu deixo minhas condolências. Que vocês encontrem, no amor que existe entre vocês, um caminho para atravessar essa dor.