26/02/2026
“Há favores tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão.”
Essa frase incomoda… porque toca em algo muito profundo.
Quem faz tudo por todos, muitas vezes acredita que está apenas sendo generoso.
Mas quando o limite desaparece, nasce também uma expectativa silenciosa:
ser reconhecido, valorizado, escolhido.
E quando isso não acontece… dói.
Só que existe o outro lado.
Há quem receba muito e não consiga sustentar esse lugar.
Sente-se em dívida, insuficiente, pequeno diante do que recebeu.
E, para não lidar com esse “dever simbólico”, se afasta.
Nem sempre é frieza.
Às vezes é dificuldade de sustentar o vínculo, o receber e o que isso representa.
Winnicott nos lembra que muitas vezes nos organizamos para atender às expectativas do ambiente.
A doação excessiva pode ser justamente isso: um modo antigo de adaptação, aprendido lá atrás, para manter o vínculo e sobreviver emocionalmente.
E mesmo quando reconhecemos esse padrão, entender não é o mesmo que transformar.
Às vezes é preciso um acompanhamento terapêutico para elaborar as dores que estão por trás de tanta entrega, ressignif**ar o lugar que ocupamos nas relações e interromper o ciclo de repetição.
Talvez o ponto não seja doar mais.
Mas aprender a se incluir na própria doação.
Colocar limites.
E sair do lugar de quem se sobrecarrega para ser amado.
✨ Você já se percebeu repetindo esse lugar nas suas relações?
Dra. Isabella Mesquita
Fisioterapeuta e psicanalista
Especialista em psicossomática
CREFITO-SP: 86583 - F
corporal