13/02/2026
Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório...
A resposta técnica é: não, a medicação não cria uma nova personalidade. O que ela pode fazer é regular funções neurobiológicas que estavam comprometidas, permitindo que a criança expresse melhor quem ela já é!
Na infância, alguns quadros como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e transtornos de ansiedade estão associados a alterações em circuitos neurais relacionados à atenção, controle inibitório, impulsividade e regulação emocional.
A medicação atua em neurotransmissores como dopamina e noradrenalina, especialmente em regiões como o córtex pré-frontal, que está diretamente ligado às funções executivas. Ou seja, o objetivo não é “mudar a criança”, mas melhorar a autorregulação, a capacidade de foco e o controle comportamental.
O que a medicação pode fazer:
Reduzir impulsividade
Melhorar atenção sustentada
Diminuir hiperatividade
Auxiliar na regulação emocional
O que a medicação NÃO faz:
Não ensina habilidades sociais
Não desenvolve autonomia sozinha
Não substitui psicoterapia
Não constrói repertório comportamental
Por isso, falamos em tratamento multidisciplinar. A medicação, quando indicada por médico especialista, pode organizar o funcionamento neuroquímico. Mas é na relação terapêutica, na rotina estruturada e nas intervenções baseadas em evidências que a criança aprende novas habilidades.
A ideia não é silenciar comportamentos, mas reduzir barreiras neurobiológicas que impedem o desenvolvimento pleno.
✨Quando há acompanhamento adequado, avaliação contínua e diálogo com a família, a medicação pode ser uma aliada, nunca um substituto do cuidado integral.
Referências:
American Academy of Pediatrics (2019). Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of ADHD in Children and Adolescents. Pediatrics.
Faraone, S. V., et al. (2015). The World Federation of ADHD International Consensus Statement. Neuroscience & Biobehavioral Reviews.
Volkow, N. D., et al. (2001). Therapeutic doses of oral methylphenidate signif**antly increase extracellular dopamine in the human brain. Journal of Neuroscience.