Psicóloga Júlia Uchôa

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Maternidade é…Talvez uma das experiências mais atravessadas por expectativas sociais e, ao mesmo tempo, uma das mais sin...
07/05/2026

Maternidade é…
Talvez uma das experiências mais atravessadas por expectativas sociais e, ao mesmo tempo, uma das mais singulares que existem.

Na clínica, isso aparece o tempo inteiro.
Há mães que vivem a maternidade como expansão de sentido. Outras como exaustão, culpa, medo, solidão ou ambivalência. Há mulheres que desejam profundamente ser mães e não conseguem. Há mães que perderam filhos. Filhos que perderam suas mães. Mulheres que maternam irmãos, netos, sobrinhos. Mulheres que não quiseram maternar. Mulheres que amam seus filhos e, ainda assim, sofrem dentro da experiência da maternidade.

Maternidade não acontece fora da cultura. Ela é atravessada por gênero, classe social, raça, rede de apoio, violências, condições de trabalho, história familiar, expectativas religiosas e modelos sociais de “boa mãe”. Existe uma construção socio-histórica sustentando aquilo que muitas mulheres acreditam que deveriam ser e muitas adoecem tentando caber nisso.

Na prática clínica, escutar maternidades exige mais do que empatia. É preciso desenvolver a capacidade de sustentar complexidade, de não romantizar e não patologizar esse fenômeno.
É preciso perceber que nem sempre o sofrimento nasce da maternidade em si, mas do isolamento, da sobrecarga, das perdas invisíveis, dos traumas reativados e das exigências impossíveis que organizam essa vivência.

Quando uma psicóloga não amplia seu olhar sobre maternidade, corre o risco de escutar apenas o “papel de mãe” e perder a pessoa que existe ali.

E talvez esse seja um dos convites clínicos mais importantes desse tema: aprender a acessar a singularidade de cada experiência sem desconsiderar o contexto social que a produz, atravessa e sustenta.

Maternidade é plural e o sofrimento dentro dela também.

Pensei em comemorar outro dia.Um dia que coubesse melhor na agenda, que não atrapalhasse os atendimentos e a rotina.E is...
24/04/2026

Pensei em comemorar outro dia.
Um dia que coubesse melhor na agenda, que não atrapalhasse os atendimentos e a rotina.

E isso me atravessou.

Porque eu passo meus dias escutando histórias interrompidas pela dor. Acompanhando pessoas tentando reorganizar a vida depois de perdas inesperadas. Eu sou lembrada, diariamente, o quanto a vida é frágil. E ainda assim, quase tratei um dia importante como se ele pudesse esperar.

Meu filho não nasceu em qualquer dia.
Foi num sábado quente, 23 de abril, com uma lua cheia dessas que fazem a gente acreditar em magia.
Foi naquele dia.
Não no 22.
Não no 24.
No 23.

Talvez o problema da vida adulta seja esse: a gente começa a negociar com o tempo como se depois fosse garantido.Como se presença pudesse ser remarcada e como se celebração fosse detalhe.

Mas não é.

Eu não posso controlar a vida, nem impedir as perdas. Mas posso escolher estar presente.
Criar memórias, tornar o hoje especial.
Porque, no fim, talvez seja isso: não passar pela vida distraída.

Quantos lutos cabem em uma vida?A gente costuma associar o luto à morte.Mas o luto é muito mais amplo, mais complexo e, ...
07/04/2026

Quantos lutos cabem em uma vida?

A gente costuma associar o luto à morte.
Mas o luto é muito mais amplo, mais complexo e, muitas vezes, mais silencioso.

Tem gente lidando com a morte de alguém. Mas tem gente lidando com um desaparecimento, com um divórcio, com a perda de um lugar, de um papel, de um projeto de vida. Também tem gente lidando com um país que precisou deixar, com um bebê que não chegou, com um “quase” que nunca se resolveu.

Tudo isso é luto!

E não, não dá pra cuidar disso como se fosse tudo a mesma coisa.

Quando a gente trata o luto de forma genérica, corre alguns riscos reais:
– não validar a experiência da pessoa
– interpretar como “exagero” o que é coerente com a perda
– oferecer intervenções desalinhadas
– ou até silenciar processos que precisariam ser elaborados

Nomear é parte fundamental do cuidado, porque o tipo de perda, o contexto em que ela acontece e a forma como ela se desenrola ao longo do tempo mudam completamente:
→ o que a pessoa sente
→ o que ela precisa
→ e como a gente deve intervir

Saber diferenciar ajuda a orientar melhor, acolher com mais precisão e encaminhar quando necessário.

Às vezes, o que mais machuca não é a perda em si, mas não ter linguagem pra explicar o que está sendo vivido. E é aí que começa o nosso trabalho.

Se você atende pessoas enlutadas (ou quer começar), me conta: qual tipo de luto mais aparece na sua prática hoje?

01/04/2026

Disseram que o Programa de Co-visão em Grupo só abriria no próximo semestre...

É mentira 😌

A pedidos, um novo grupo começa agora em Abril.
E talvez isso faça mais sentido do que parece, porque na prática clínica, tem muita coisa que te ensinaram que simplesmente não se sustenta na prática.

E o problema é lidar com isso sem suporte e sem construir repertório e aprofundamento.

A Co-visão nasce exatamente desse ponto: não é sobre aprender mais teoria de forma solta. É sobre sustentar o cuidado com mais segurança, mais recursos e mais consistência clínica. Porque acolhimento sozinho não basta.

Se você quer atravessar casos de luto e trauma
com mais clareza e menos improviso talvez esse seja o momento de parar de trabalhar sozinha
e começar a construir isso em rede.

As vagas para o grupo de abril já estão abertas
Se fizer sentido pra você me chama no direct ou acessa o link da bio.

Alguns números parecem distantes quando os vemos em pesquisas ou relatórios. Mas, na vida e prática clínica, eles rarame...
08/03/2026

Alguns números parecem distantes quando os vemos em pesquisas ou relatórios. Mas, na vida e prática clínica, eles raramente aparecem como estatísticas. Eles aparecem como histórias.

- A mulher que chega ao consultório exausta porque carrega sozinha o cuidado de todos na família.
- A que se sente constantemente inadequada no trabalho, mesmo sendo altamente competente.
- A que aprendeu a vigiar o próprio corpo em espaços públicos.
- A que convive com medo, sobrecarga ou silêncios difíceis de nomear.

Quando olhamos para dados sociais sobre violência, trabalho, cuidado e assédio, não estamos apenas falando de fenômenos coletivos. Estamos olhando para contextos de vida que atravessam a subjetividade.

As experiências de sofrimento não acontecem no vazio. Elas são moldadas por relações familiares, culturais, econômicas e históricas. Quando ampliamos esse olhar, conseguimos escutar melhor. Conseguimos compreender que muitas dores não são apenas individuais. Elas também são produzidas por contextos que distribuem cuidado, poder e segurança de formas desiguais.

Por isso, compreender trauma e relações de gênero não é um posicionamento ideológico na clínica. É uma necessidade ética e um compromisso social.

Isso nos ajuda a sustentar uma escuta mais cuidadosa, mais informada e mais sensível à complexidade das histórias que chegam até nós.
Porque por trás de cada número, existe sempre uma vida tentando encontrar um pouco mais de espaço para existir.

Quantas dessas histórias você já escutou no consultório?

Ontem minha mãe defendeu o memorial de progressão para professora titular da UFBA.O memorial é um formato bonito de apre...
07/03/2026

Ontem minha mãe defendeu o memorial de progressão para professora titular da UFBA.

O memorial é um formato bonito de apresentar a carreira. Ele não contempla apenas produção acadêmica. Ele conta uma trajetória e mostra como a carreira acontece em paralelo à vida.

E uma coisa foi apontada com muita força pela banca: minha mãe sempre transgrediu o convencional para criar novas possibilidades de cuidado dentro da universidade ⬇️
- Meditação em congressos científicos.
- Adaptação de disciplinas para acolher fragilidades dos alunos.
- Pesquisa com grupos socialmente invisibilizados.
- Abertura do espaço acadêmico para pessoas em situação de rua.
- Ensino, pesquisa e extensão como práticas vivas de cuidado.

E desde criança eu estive perto acompanhando esses movimentos. E isso foi uma grande escola para mim.

Aprendi cedo que cuidado não é apenas técnica.
Cuidado é relação.
É contexto.
É invenção de caminhos quando os modelos prontos não dão conta da vida.

Hoje, olhando para a minha própria trajetória na psicologia, reconheço o quanto essa foi uma das minhas primeiras referências de cuidado.

Na clínica, na universidade ou na vida, ninguém aprende a cuidar sozinho.

E fiquei curiosa para ouvir vocês:
Quais referências de cuidado marcaram a formação de vocês?

Fevereiro foi sobre detalhes que passam despercebidos, mas fazem muita diferença. Contexto não se altera só com grandes ...
02/03/2026

Fevereiro foi sobre detalhes que passam despercebidos, mas fazem muita diferença.

Contexto não se altera só com grandes decisões.
Ele se desloca quando algo pequeno ganha presença.

Nem todo mês vira pelo extraordinário.
Às vezes, vira pelo quase invisível.

E você…
qual detalhe de fevereiro ainda merece ficar com você?

Endereço

Santo Antônio De Jesus, BA

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