08/07/2020
A FAMÍLIA NOS TEMPOS DA PANDEMIA
Tenho visto e ouvido muitas pessoas comentarem sobre os desafios do isolamento social e como consequência, a convivência familiar próxima e contínua. Postarei nas mídias sociais alguns pensamentos sobre esse assunto. Boa leitura!
AQUI E AGORA, ONDE TUDO COMEÇA.
Todos achavam que tinham pouco tempo para o convívio em família. Excesso de atividades e trabalho, deixavam pais e filhos à mercê de oportunidades para a convivência. Geralmente atividades nos finais de semana para a participação conjunta, mas muitas vezes, compromissos sociais segregativos, nos quais crianças para um lado, adultos para o outro.
A pandemia chegou e encurtou o caminho para os encontros familiares. Todos no mesmo espaço-tempo, no mesmo lugar. E agora? Como conciliar a necessidade com a escolha? Todos com suas tarefas para realizar, projetos a desenvolver! A ocupação profissional dos adultos, a escola das crianças, os cuidados com a casa, com a organização e subsistência. O trabalho de muitas instâncias, agora ali, concentrado dentro do lar.
Nunca foi tão importante a palavra rotina e seus fundamentos neuropsicológicos: organização e planejamento, execução, foco e sustentação de atenção. As funções executivas a favor da interdisciplinariedade familiar! Elencar as prioridades, distribuir funções, executar as ações e avaliar os resultados. Para que a família funcione bem, seus membros precisam estar engajados e compartilharem de objetivos comuns.
A família tem uma função muito importante para a manutenção dos costumes de uma sociedade. A humanização está diretamente relacionada à maneira pela qual as famílias funcionam. Os valores éticos desenvolvidos e alimentados na família, contribuem para a melhoria das relações interpessoais, sociais e comerciais. O bem-estar do próximo começa na família. Para que todos fiquem felizes, é preciso que o bem aconteça para todos.
A família é o lugar onde se aprende sobre confiança e solidariedade. Ela começa com adultos desejando formar o seu núcleo familiar, com a vontade maior da convivência e aprendizagem. Os sentimentos de nutrição e pertencimento são fortes o bastante para despertar a necessidade da consolidação de seu grupo, mantendo e perpetuando sua história.
As gerações de pessoas que formam as famílias deixam legados para os próximos membros, e assim, a história pessoal e da humanidade vai desenrolando.
A experiência familiar é tão derradeira que ensina as pessoas, desde pequeninas, a buscar mecanismos de sobrevivência, sejam eles físicos ou emocionais. A relação interpessoal entre seus membros, determina o status, a importância e o papel de cada um naquele grupo.
Os papeis familiares são importantes, mas não devem engessar as funções de cada um. Todos são responsáveis pelo clima de acolhimento e respeito, assim como pela higiene e cuidados com a residência. A família deve ser um organismo ativo de interdependência entre seus membros, pelo qual as pessoas crescem e se desenvolvem, aprendendo sobre relacionamento, respeito e ética.
Silvia Morais – Psicóloga CRP 06/20369-0