Dra. Gizela Kelmann Geriatra

Dra. Gizela Kelmann Geriatra Dra. Gizela Kelmann é médica geriatra e atua em Santos, no Litoral Paulista.
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15/03/2026

Quando um idoso começa a comer menos, muitas famílias pensam que é teimosia ou birra. Mas na maioria das vezes existe muitos motivos por trás.

Com o envelhecimento, o paladar diminui, o olfato perde sensibilidade, o estômago tolera volumes menores e muitos medicamentos reduzem o apetite ou deixam a boca seca. Além disso, doenças crônicas avançadas também podem levar à perda do apetite.

Outro ponto muito importante é a depressão, que em idosos muitas vezes aparece justamente como perda de apetite, desânimo e emagrecimento.
Por isso, quando um idoso começa a comer menos e não existe um diagnóstico claro, o caminho não é pressionar. É investigar a causa.

Avaliar doenças, revisar medicamentos, observar o estado emocional e adaptar a alimentação com porções menores, mais vezes ao dia, e suplementação quando necessário.

Porque na maioria das vezes não é birra. É o corpo pedindo cuidado e compreensão.




13/03/2026

Na doença de Alzheimer, a perda da autonomia costuma seguir um padrão. Primeiro surgem dificuldades nas tarefas mais complexas, depois nas atividades básicas como banho, vestir-se e

Curiosamente, alimentar-se costuma ser uma das últimas habilidades preservadas. Isso acontece porque comer envolve circuitos cerebrais mais automáticos e ligados à sobrevivência.

Por isso, mesmo quando muitas funções já foram perdidas, ainda é comum que a pessoa consiga segurar a colher e levar o alimento à boca.
Entender essa progressão ajuda famílias e cuidadores a compreender melhor o que está acontecendo com o cérebro e a lidar com a doença com mais empatia.

11/03/2026

Quem cuida de um idoso com demência sabe que os sintomas mais difíceis muitas vezes não são apenas a perda de memória, mas a agitação, insônia, ansiedade e agressividade. Por isso, nos últimos anos surgiu uma grande expectativa em torno do canabidiol (CBD).

Alguns pacientes podem apresentar melhora na agitação, ansiedade e no sono, mas a ciência ainda tem poucos estudos de boa qualidade, e os resultados são inconsistentes. Além disso, não existe dose padrão definida e o CBD pode interagir com vários medicamentos, algo especialmente importante em idosos que usam múltiplos remédios.

Por isso, apesar de ser uma possibilidade em alguns casos difíceis, não é uma solução mágica nem tratamento de primeira escolha e sempre deve ser usado com orientação médica.




09/03/2026

Quando um idoso com demência pergunta por alguém que já morreu, isso não é teimosia nem manipulação.

Na maioria das demências, a memória recente é a primeira a falhar, enquanto as memórias antigas permanecem preservadas por mais tempo. Por isso, muitas vezes o cérebro da pessoa está “vivendo” em outra fase da vida, quando aquele familiar ainda estava presente.
Além disso, essas perguntas muitas vezes expressam uma necessidade emocional. Quando o idoso chama pela mãe, pelo marido ou pelo pai, muitas vezes ele está dizendo:
“Estou confuso.”
“Estou inseguro.”
“Preciso de proteção.”

Contar diretamente que a pessoa morreu pode gerar tristeza repetida, porque o paciente não consegue guardar essa informação e pode sofrer como se estivesse ouvindo pela primeira vez.
Por isso, na demência o mais importante costuma ser acolher a emoção, responder de forma simples e redirecionar a atenção, em vez de confrontar a realidade.




07/03/2026

“Você está cansada cuidando do idoso?
Imagina eu que tenho um bebê.”

Essa foi a frase que uma filha de uma paciente minha ouviu.

Mas a verdade é que cuidar de um idoso dependente e cuidar de um bebê não são experiências comparáveis.

Um bebê está começando a vida.
Cada semana traz uma conquista nova.
Ele aprende a sentar, engatinhar, falar, andar.
Existe evolução. Existe futuro.
Com o idoso dependente, principalmente quando há demência, muitas vezes o caminho é o oposto.
O cuidador acompanha um processo de perdas progressivas.
Primeiro a memória começa a falhar.
Depois surgem dificuldades para organizar a rotina.Mais tarde aparecem as limitações físicas.
Até chegar o momento em que aquela pessoa precisa de ajuda para tomar banho, se vestir ou até comer.
E o cuidador não está apenas fazendo tarefas.
Ele está vivendo um luto gradual.
A sensação de perder, aos poucos, alguém que ainda está ali.
Nem sempre a família divide responsabilidades.
E muitas vezes quem está cuidando nem escolheu estar nessa posição.





05/03/2026

Quando vemos um idoso muito fraquinho, muito magro e sem força, nem sempre signif**a a mesma coisa.
Podem existir três situações diferentes por trás disso.

A primeira é a sarcopenia grave, que é a perda importante de massa e força muscular ao longo dos anos. O idoso f**a com braços e pernas muito finos, tem dificuldade para levantar da cadeira e andar, mas muitas vezes ainda é possível melhorar com exercício de força, alimentação adequada e reabilitação.
A segunda é a fragilidade. Nesse caso, não é só o músculo. O corpo perde a capacidade de reagir aos problemas. O idoso cansa fácil, perde peso, cai mais e qualquer infecção pode causar uma grande piora.
A terceira situação é a caquexia. Aqui existe uma doença crônica avançada por trás, como câncer, insuficiência cardíaca, doença pulmonar ou demência avançada. O corpo entra em um estado inflamatório e perde peso e músculo mesmo quando a pessoa está comendo.
Por isso, nem todo idoso muito magro está na mesma condição.
Entender a causa muda completamente o cuidado e as decisões sobre tratamento.





04/03/2026

Desde 2013, o manual diagnóstico oficial, o DSM-5, substituiu os termos antigos por:

Transtorno neurocognitivo maior
ou
Transtorno neurocognitivo menor.

E mais importante do que o nome é isso:
é obrigatório identif**ar a causa.

Pode ser Doença de Alzheimer.
Pode ser Demência vascular.
Pode ser Demência com corpos de Lewy.
Pode ser Demência frontotemporal.
Cada uma evolui de um jeito.
Cada uma exige cuidados diferentes.





Depois de mais de 10 anos cuidando de idosos, eu aprendi que a geriatria não é só sobre doenças.É sobre perguntar se pro...
02/03/2026

Depois de mais de 10 anos cuidando de idosos, eu aprendi que a geriatria não é só sobre doenças.
É sobre perguntar se prolongar a vida faz sentido.
É entender que qualidade vale mais do que tempo.
É respeitar escolhas, mesmo quando o corpo já está frágil.
É lembrar que autonomia muda de forma, mas não desaparece.
É perceber que, no fim, o que realmente f**a são os vínculos construídos.
Cuidar não é vencer a morte.
É preservar dignidade até o último dia.
Eu ensino sobre doenças.
Mas eles me ensinaram sobre vida.



27/02/2026

Cuidar de um idoso com demência ainda é, na maioria das famílias, uma responsabilidade que recai sobre as

Estudos brasileiros mostram que a maior parte dos cuidadores são filhas ou esposas, muitas já sobrecarregadas e com níveis moderados de estresse.

Dividir o cuidado não é falta de amor. É proteção à saúde de quem cuida. Mesmo com o idoso estável e medicado, a responsabilidade diária é enorme.
Buscar apoio, organizar a rotina e cobrar ajuda dos irmãos faz diferença real na saúde emocional do cuidador.
Cuidar de quem cuida também é parte do tratamento.

25/02/2026

Melatonina é muito usada para insônia… mas as grandes diretrizes do sono não recomendam como tratamento principal.

Nos estudos, a melatonina faz a pessoa dormir cerca de 5 a 7 minutos mais rápido e aumenta em média 10 a 13 minutos do tempo total de sono.
A ramelteona, um remédio pouco conhecido que age nos mesmos receptores, reduz a latência em torno de 8 a 14 minutos e pode aumentar de 10 a 18 minutos de sono comparado ao placebo.

Nesse vídeo eu explico a diferença entre as duas e o que as diretrizes realmente recomendam. 🌙

23/02/2026

A demência com corpos de Lewy ainda é subdiagnosticada.
Flutuações cognitivas, alucinações visuais, sintomas parkinsonianos e alterações do sono são pilares importantes.

A ressonância nem sempre explica o quadro e, em alguns casos, exames funcionais ajudam a esclarecer.

Reconhecer o diagnóstico é essencial porque esses pacientes podem apresentar hipersensibilidade a antipsicóticos.

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