12/01/2026
Foram inúmeras brigas por causa do banho. A minha mãe nunca teve paciência e entendimento para isso, e também não existia diagnóstico como se tem hoje. Isso justif**a as fotos com meu pai no colo me dando banho.
Depois, adolescente, lembro da minha mãe reclamando da demora no banho, no gasto da conta de luz, a ponto de eu passar a evitá-lo, eu queria que a reclamação parasse. Mais tarde, ela começou a dizer que eu não gostava de tomar banho, sendo que banho é um dos meus maiores prazeres da face da terra.
De tudo isso, o que lembro que me fazia demorar? A água do chuveiro caindo na minha frente e eu olhando, com a cabeça vazia. Não passava nada, nenhuma tarefa iniciava. Não tem um comando, uma voz interna, nada…
Faz pouco tempo, descobrimos que tem a ver com o "Ritmo rápido anterior de baixa voltagem: Atividade frontal acelerada e fraca", que reflete o processamento sensorial bagunçado, típico de quem precisa de suporte alto para a rotina diária.
A hora do banho tem uma sobrecarga sensorial extrema: água, sabão, temperatura e som do chuveiro viram uma agonia. Em alguns casos, resulta num cansaço, é um cansaço muscular mesmo, como se eu tivesse feito exercícios e resulta em "dor" física.
Faz pouco tempo que percebi que o que eu sentia era um susto, seguido de medo, como se o cérebro usasse um formato de processar os estímulos tátil/auditivo/visual como ameaça constante. Isso exige ajuda externa para completar a rotina.
Estudos mostram que 90% dos autistas têm disfunção sensorial afetando a higiene diária.
É assim:
• Água, pressão e temperatura: dão agonia tátil e a sensação de sufocamento.
• Sabão e a esponja: textura e química irritam a pele.
• Sequência: a falta de planejamento executivo, do passo a passo, de trocar a tarefa.
• Escorregadio e instável: essa perda proprioceptiva gera vertigem.
• Mecanismo de paralisia: a soma de tudo isso paralisa.
É o cérebro defendendo o corpo de uma ameaça neurológica ou falha de processamento sensorial e executivo.