17/12/2025
🌟 Quando o Farol se voltou para dentro
Não foi apenas um encontro. Foi uma pausa significativa.
Um momento em que o tempo desacelerou, em que o fazer cedeu espaço ao sentir, e em que as mãos, acostumadas a cuidar, puderam finalmente repousar sobre si mesmas.
No chão, papéis, tintas, linhas, silêncio.
No ar, algo difícil de nomear mas fácil de reconhecer: presença.
Cada traço desenhado era mais do que forma.
Era história.
Era cansaço.
Era entrega.
Era afeto acumulado ao longo de um ano inteiro.
As ilhas surgiram primeiro.
Ilhas vivas, habitadas, com raízes e contornos possíveis.
Ali estavam as profissionais do Farol, lembrando-se de quem são quando não estão apenas sustentando o outro.
Depois vieram as pontes.
Algumas curvas, outras em forma de escada.
Pontes que não prometem atalhos, mas oferecem passagem.
Como quem diz: eu sigo tentando me conectar.
E então, os faróis.
De pé.
Acesos.
Sem pressa.
Sem alarde.
Faróis que não empurram, não controlam, não exigem.
Apenas iluminam.
O mar também estava lá.
Ondas repetidas, movimento constante.
Um lembrete silencioso de que o ano não foi calmo,
mas foi atravessado.
Houve emoção.
Houve lágrimas contidas e outras que encontraram permissão para cair.
Houve reconhecimento de si, do outro, do caminho percorrido juntos.
Naquele espaço, o Farol fez jus ao seu nome.
Iluminou para dentro.
Cuidou de quem cuida.
E fortaleceu a luz que sustenta tudo o que acontece quando as crianças chegam.
Encerrar o ano assim não é um luxo.
É um gesto de coerência.
Porque só quem se reconhece consegue sustentar vínculos.
Só quem se cuida consegue ensinar com presença.
E só quem mantém sua luz acesa pode continuar sendo referência.
Que cada profissional leve consigo a imagem do seu farol interno.
Não para iluminar tudo.
Mas para lembrar, nos dias mais intensos, que a luz ainda está ali.