18/04/2026
"Chegou a hora de dizer até breve!..."
O digo hoje, não como alguém que sofre.
Mas como alguém que descobriu ao longo dessa trajetória "as dores as delícias de ser quem se é".
Não se trata apenas de uma despedida do CAPSi, das crianças, adolescentes, familiares e colegas e amigos de trabalho que aqui encontrei, mas também de relembrar toda uma trajetória na saúde mental que teve início lá em 2014 no CAPSi de Simonésia, passou pelo CAPS AD, II e i de Manhuaçu e pelo Centro de Convivência em Reduto e pela Supervisão Clínica Institucional em Matipó.
Relembrar toda essa trajetória pessoal e profissional para valorizar todas as descobertas incríveis e louváveis, os novos aprendizados adquiridos através da experiência, das trocas, dos estudos e também dos erros e acertos, a superação dos próprios medos, estigmas e preconceitos e dos próprios limites que me tornaram quem eu sou hoje, nesse ponto da minha história pessoal e profissional.
Nessa jornada, descobri meu amor pelo SUS, foram 12 anos de dedicação. Aprendi a SUStentar e transformar muitas histórias, por meio de uma escuta sensível, uma postura humana com o coração empático e sempre acolhe(dor).
Sim, trabalho na saúde mental sempre foi o de acolher(dor) para transformá-la em formas suportáveis de existência, como uma pequena lanterna que ilumina caminhos e ensina a ver o mundo por outras perspectivas e a enxergar beleza nas miudezas da vida.
Foi e é um trabalho quase que artesanal, de unir os "fios soltos", costurando e remendando com os retalhos, tecendo uma nova tapeçaria, pintando um novo quadro, redesenhando e reescrevendo a própria existência até que ela ganhe novos sentidos, ah, mas sem desistência, porque cada vida vale muito!
Digo hoje até breve como alguém que já pensou que permaneceria "para sempre" na saúde mental, no SUS e no serviço público, mas que decidiu, por meio de uma sutil ousadia, trilhar outros caminhos, semear, florescer e saborear os frutos em outros espaços.
Há uma frase que diz:"nada faz sentido se não tocarmos o coração da pessoas" e outra que a complementa "conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.
Queridos colegas, espero ter tocado o coração de cada um de vocês de um modo diferente e singular. Guardem com carinho esse pedacinho precioso do "nosso encontro", na certeza de que guardarei muito de vocês comigo. Gratidão por tudo e por tanto! Minha eterna admiração por cada um de vocês.
Gratidão a cada usuário (crianças, adolescentes, famílias, adultos) por terem me ensinado a "Arte do cuidado", por terem confiado a mim suas histórias, suas dores, suas conquistas. Vocês me ensinaram tanto, tanto, tanto. Gratidão.
Muito obrigada aos profissionais da RAPS que se abriram ao diálogo e a construção coletivas dos casos. Vocês foram essenciais.
Continuem lutando pela Saúde Mental, pela Reforma Psiquiátrica, Pela Atenção Psicossocial, e pelo trabalho Humanizado.
Lembrem-se "não existe caminho para a Arte, a arte é um caminho"!
Seguirei agora trilhando outros caminhos, semeando em outros espaços, me abrindo para novos projetos e possibilidades, construindo tempo de qualidade com a família e continuando o trabalho em Saúde Mental com todos aqueles que buscam meus cuidados profissionais no consultório, e sempre confiando Naquele que escreve meus dias: Deus.
Até breve!