03/04/2026
>> SAÚDE | Conscientização sobre o Autismo é tema de entrevista durante o Abril Azul
Hoje é o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. O tema foi pauta de entrevista na Rádio Gazeta FM 96.1 com a psicopedagoga Franciele Loch Jahn e a terapeuta ocupacional Nathalia Zanella, do Desenvolver - Centro de Atendimento Multidisciplinar, localizado em Sobradinho, que atua em equipe no acolhimento, avaliação e orientação a cada necessidade, realizando também testagens diagnósticas para neurodivergências e terapias de intervenção.
As profissionais ressaltaram a importância de falar acerca do assunto e promover a verdadeira inclusão das pessoas com transtorno do espectro autista na sociedade, retirando o assunto de um local tabu, pois para que a evolução de uma criança aconteça, não se trabalha apenas com ela, com as terapias, mas em um movimento conjunto com a família, a escola e a comunidade.
As profissionais explicaram que há três níveis de suporte no Transtorno do Espectro Autista (TEA). O primeiro seria o autista que apresenta algumas dificuldades sociais, mas que é um sujeito funcional e que necessita de ajuda básica; já o nível dois costuma ter uma maior dificuldade na comunicação e necessitar de auxílio para atividades de socialização; no nível três, a pessoa já é mais dependente, necessitando de maior suporte, e normalmente, além do autismo, possui alguma outra comorbidade.
Franciele e Nathalia mencionaram que, com uma boa intervenção e a depender de cada caso, é possível evoluir do nível três ao dois e do dois ao um. E, por essa razão, elas ressaltaram a importância de não naturalizar os atrasos cognitivos de uma criança, porque, se for autismo, a situação pode vir a se agravar caso não procurem as intervenções e o tratamento necessários ao caso específico, sendo possível regredir de nível, apresentando outros sinais e sintomas. “Todo atraso precisa ser investigado”, salientou Franciele.
O Desenvolver, segundo elas, possui todo o suporte, materiais e recursos, para fazer a intervenção de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, para trabalhar nas terapias, buscando o desenvolvimento e a melhora na qualidade de vida. A equipe também trabalha com a realização de testagens padronizadas para diagnóstico de neurodivergências, que permitem o processo de investigação, a partir das testagens e observações clínicas. Com toda a avaliação feita, de forma multidisciplinar, a partir daí é encaminhado um relatório para médico especialista da área, para fechar ou descartar a possibilidade de diagnóstico para autismo. “Nós, enquanto clínica, fizemos essa observação, essas testagens, mas não damos o diagnóstico para a família, nem medicação, nada. A gente faz essa investigação e, posteriormente, a intervenção”, explicou Franciele.
Outro ponto abordado foi o diagnóstico na fase adulta. “Falamos muito em crianças e adolescentes com TEA, mas também não podemos esquecer dos adultos. Muitas vezes o diagnóstico acontece nessa fase da vida, mais tardia, porque antigamente as pessoas com autismo não eram tão vistas, não tínhamos tantos diagnósticos, e hoje também tem essa procura e esse olhar com pessoas adultas”, relatou Nathalia. “No caso das pessoas adultas, acaba que, por vezes se pensa que pode ser uma depressão, são pessoas que evitam o contato social, que não gostam de estar em um grande grupo, evitam atividades coletivas, e outros sinais e sintomas que estão presentes e muitas vezes o adulto consegue mascarar isso, diferente da criança”, acrescentou Franciele.
As profissionais explicaram ainda que, por se tratar de um espectro, o autismo pode se apresentar de variadas formas, e que é importante conhecer cada uma para trabalhar com suas especificidades e assim encaminhar da melhor forma possível para a intervenção mais adequada.
O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, 2 de abril, foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), no ano de 2007. Essa data foi escolhida com o objetivo de levar informação à população para reduzir a discriminação e o preconceito contra os indivíduos que apresentam o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ampliando a conscientização pública sobre o autismo.
O mês de abril ganha a cor azul e reforça a campanha de conscientização sobre o autismo, chamada "Abril Azul".
A entrevista completa está disponível no Facebook e no YouTube da Gazeta Sobradinho.
Foto: Gazeta/Raphael Capelari