roselanevitale_psicoterapias

roselanevitale_psicoterapias � Psicanalista �

30/01/2026

Autoconhecimento não é autocuidado — e isso incomoda

Existe uma ideia muito difundida de que se conhecer é algo confortável, acolhedor e quase terapêutico por si só.

Discordo.

Autoconhecimento, na prática, é frequentemente desorganizante.

Quando alguém começa a se observar de verdade, o que aparece primeiro não é paz, é contradição. Não são respostas, são conflitos.

Não é clareza imediata, é ambivalência. E isso vai contra o discurso atual de que todo processo interno deveria trazer alívio rápido e bem-estar constante.

Conhecer-se implica reconhecer repetições que sustentamos, ganhos secundários que evitamos admitir e escolhas que preferimos atribuir ao “destino”, à “ansiedade” ou aos outros. Isso raramente é confortável. Muitas vezes, dói mais do que não saber.

Talvez por isso tanta gente confunda autoconhecimento com consumo de conteúdos que confirmam aquilo que já acredita. Isso não provoca transformação — apenas organiza a narrativa.

A provocação é simples:

se o processo interno está sempre leve, talvez ele esteja sendo superficial.

O que você acha:

Autoconhecimento deveria aliviar ou confrontar primeiro?

29/01/2026

✨️Quando pedir ajuda parece perigoso

Ela não desaparece porque está bem.
Ela desaparece porque foi assim que aprendeu a sobreviver.

Em algum momento da vida, precisar do outro não encontrou resposta, acolhimento ou proteção. Ao contrário, veio acompanhado de silêncio, invalidação ou custo emocional alto demais. O corpo aprendeu antes das palavras: é mais seguro recolher-se do que se expor.

Por fora, parece força.
Por dentro, é defesa.

Não se trata de não saber pedir ajuda, mas de não se autorizar a fazê-lo. A vulnerabilidade foi associada ao risco — de rejeição, de invasão, de não ser vista. Então ela se retira, organiza-se sozinha, e só retorna quando já consegue sustentar a própria dor sem depender.

Essa autossuficiência não é liberdade plena.

É uma estratégia construída onde o apoio falhou.

O caminho terapêutico não é exigir que ela peça ajuda, nem interpretar o silêncio como ausência de vínculo. É oferecer presença contínua, sem invasão, permitindo que ela experimente, aos poucos, que pode existir também quando não está bem.

Porque o verdadeiro pedido de ajuda, muitas vezes, não vem em palavras.
Vem na permanência de quem f**a.

25/01/2026

🎬 Alice no País das Maravilhas – Trecho 2

Quando a verdade vem à tona: o início da possibilidade de cura

Neste segundo trecho, a narrativa avança do registro da dor para algo ainda mais delicado:

👉 o momento em que a verdade começa a se aproximar da consciência.
Se no trecho anterior a ferida foi revelada, aqui vemos o que acontece quando a história sustentada por anos — baseada numa mentira infantil — começa a ser questionada.

E isso, terapeuticamente, nunca é neutro.
Quando uma verdade reprimida se aproxima:

há resistência
há raiva
há confusão
e, sobretudo, medo de desmoronar a identidade construída a partir da dor

A Rainha não defende apenas sua versão dos fatos.
Ela defende a estrutura psíquica que construiu para sobreviver ao trauma.
Reconhecer a mentira signif**aria entrar em contato com:
a tristeza original
a sensação de ter sido enganada
e a dor de não ter sido protegida

✨ Leitura terapêutica:

Muitas pessoas não resistem à verdade por orgulho, mas porque a verdade ameaça desmontar defesas que um dia foram necessárias para sobreviver.

Este trecho simboliza um ponto crucial do processo terapêutico:

👉 quando o sujeito começa a perceber que sua dor não nasceu do mundo como ele acredita,
mas de uma experiência específ**a, antiga e mal elaborada.
A cura não acontece ainda aqui —
mas a possibilidade de cura nasce quando a história começa a ser revisitada sob outra luz.

25/01/2026

🎬 Alice no País das Maravilhas – Trecho 1

A origem da dor: quando a ferida nasce na infância

Neste trecho, somos levados às memórias da Rainha — não como vilã, mas como alguém cuja dor teve início muito cedo.

A mentira contada na infância, vinda da irmã, rompe algo essencial: a confiança no vínculo primário.

Do ponto de vista terapêutico, essa cena simboliza um ponto-chave do desenvolvimento emocional:

👉 quando a criança é ferida por quem deveria protegê-la, o mundo deixa de ser um lugar seguro.

A dor não elaborada se transforma em:
rigidez emocional necessidade de controle
dificuldade de confiar e, muitas vezes, agressividade como defesa

A Rainha não reage ao presente — ela reage à criança ferida que permanece viva dentro dela.
Seu comportamento extremo é uma tentativa inconsciente de evitar sentir novamente a humilhação, o abandono e a injustiça vividos na infância.

✨ Mensagem terapêutica central:

Nem toda dureza nasce da maldade.
Muitas vezes, nasce de uma dor antiga que nunca foi acolhida, nomeada ou reparada.

Esse trecho nos lembra que aquilo que não é elaborado na infância tende a se repetir na vida adulta, não como lembrança consciente, mas como padrão emocional.

23/01/2026

🌱 O caminho que se revela no passo

Quando você decide iniciar uma nova jornada, quase nunca há clareza total.
O mapa não está pronto. As respostas não vêm completas.
E, ainda assim, algo dentro de você sabe: é hora de caminhar.

Existe uma expectativa silenciosa de que só devemos seguir quando tudo estiver seguro, organizado e compreendido. Mas a vida não funciona assim. O caminho não se mostra antes da decisão — ele se constrói na relação entre o passo dado e a coragem de permanecer presente.

Cada passo revela apenas o próximo.
E isso não é falta de direção.
É convite à confiança.

Muitas vezes, o que chamamos de medo é apenas o desconforto de sair do conhecido. O velho território, mesmo doloroso, oferece previsibilidade. Já o novo exige entrega, escuta e uma disposição para não saber. E é exatamente nesse espaço de não saber que a transformação acontece.

A direção correta não surge como uma placa clara à beira da estrada. Ela se manifesta como sensação interna de coerência, como um alívio sutil, como um “sim” silencioso do corpo. Você percebe que está no lugar certo não porque tudo é fácil, mas porque, apesar das dificuldades, algo em você se organiza.

Avançar não signif**a ausência de dúvidas.
Signif**a não permitir que elas te paralisem.
Quando você caminha com presença, o caminho responde. Pessoas surgem, oportunidades se alinham, aprendizados se revelam. Não por acaso, mas porque você entrou em movimento. A vida coopera com quem se compromete com o próprio processo.

Permita-se caminhar sem exigir perfeição.
Permita-se errar, ajustar, pausar e continuar.
A direção se revela no percurso — nunca antes dele.

Confiar no passo é, muitas vezes, confiar em si.
E isso, por si só, já é um profundo ato terapêutico.

22/01/2026

Isso é mais poderoso do que você imagina.

Controlar emoções não é se calar por dentro.
Na visão da Psicanálise, não se trata de engolir o choro, sufocar a raiva ou fingir equilíbrio o tempo todo.

Emoções que não são escutadas não desaparecem.
Elas retornam como ansiedade, cansaço emocional, conflitos repetidos ou sintomas no corpo.

O verdadeiro cuidado emocional nasce quando você aprende a sentir sem se perder.

Quando a emoção encontra palavras, ela deixa de ser tempestade e passa a ser mensagem.

Raiva fala de limites.
Tristeza fala de perdas.
Medo fala de proteção.

Nenhuma emoção é inimiga — o sofrimento começa quando tentamos silenciá-las.
Fortalecer o Eu é isso:

não agir no impulso,
não se punir por sentir,
não se abandonar para agradar.

Cuidar das emoções é um processo de escuta interna.
E aquilo que é escutado com verdade já começa a se transformar.


Se esse texto tocou você, talvez sua emoção esteja pedindo espaço, escuta e cuidado.

💬 Ofereço a primeira sessão gratuita, um encontro para acolhimento, compreensão da sua demanda e orientação inicial do seu processo terapêutico.

autocuidado

18/01/2026

🧠 Na versão psicoemocional

Antes da palavra sair pela boca,
ela já percorreu a mente, o corpo e a memória.
Nossa linguagem interna molda a forma como sentimos, interpretamos e reagimos à vida.

Mudar a forma como falamos conosco
é, muitas vezes, o início da verdadeira transformação.

Mais importante do que a linguagem que oferecemos ao mundo é a linguagem que usamos dentro de nós.

É nessa conversa silenciosa
que o corpo aprende se está seguro ou em alerta.

É ali que a criança interna escuta se será acolhida ou criticada.

Não é a palavra externa que mais fere, é a repetição interna que vai moldando quem acreditamos ser.

Talvez o cuidado hoje não seja falar melhor com os outros, mas aprender a falar com mais gentileza consigo.

Observe sua linguagem interna.
Ela pode ser cura.
Ou continuação da ferida.

17/01/2026

Ter alguém ao lado durante uma crise de ansiedade não é um detalhe — é um fator regulador profundo do sistema nervoso.

Quando a ansiedade entra em crise, o corpo não está “pensando errado”; ele está em modo de ameaça. A amígdala assume o comando, o coração acelera, a respiração encurta, o corpo se prepara para lutar ou fugir. Nesse estado, a presença humana segura funciona como um sinal biológico de proteção.

🌿 Por que a presença de outra pessoa ajuda tanto?

1. Co-regulação do sistema nervoso
Antes de aprendermos a nos autorregular, aprendemos a nos regular com alguém. Desde bebês, o corpo se acalma pelo tom de voz, pelo olhar, pela proximidade.
Durante uma crise, a presença de alguém calmo ajuda o corpo a “emprestar” essa estabilidade.

2. Quebra do isolamento interno
A ansiedade intensa costuma vir acompanhada da sensação de estar sozinho, desamparado ou “fora de controle”. Ter alguém ao lado lembra ao corpo:
“Você não está sozinho. Há suporte aqui.”

3. Ancoragem no presente
Uma pessoa presente pode ajudar a nomear o que está acontecendo agora, reduzindo a sensação de catástrofe iminente. A crise passa a ser algo que está sendo atravessado, não algo que vai engolir tudo.

4. Redução da autocrítica e da vergonha
Muitas pessoas se culpam por ter crises. Quando alguém permanece, sem tentar consertar ou apressar, transmite uma mensagem silenciosa:
“Isso não é fraqueza. É humano.”

5. Memória emocional reparadora
Cada crise atravessada com acolhimento cria uma nova memória no corpo:
“Eu posso sentir isso e sobreviver.”
Com o tempo, isso diminui a intensidade e a frequência das crises.

🤍 Importante lembrar
A pessoa ao lado não precisa dar conselhos, nem “fazer a ansiedade passar”.
Basta:
presença
escuta
voz calma
não invalidar
não abandonar

A ansiedade diminui quando o corpo sente segurança relacional.
Curar não é fazer tudo sozinho — é permitir-se ser acompanhado.

#

16/01/2026

Nossos filhos não são feridos apenas pelo que fazemos de errado, mas também pelo que fazemos tentando acertar.

Cada escolha que tomamos — f**ar, sair, silenciar, proteger, insistir, desistir — atravessa o corpo emocional deles antes de virar memória. Aquilo que para nós foi sobrevivência, para eles pode ter sido confusão.
O que para nós foi limite, para eles pode ter soado como ausência. E o que chamamos de amor, às vezes, chegou como medo.

Traumas não nascem apenas da violência explícita.
Eles também nascem da repetição do que não pôde ser nomeado, da emoção que não encontrou acolhimento, do adulto que estava presente fisicamente, mas emocionalmente exausto demais para sustentar o vínculo.

Nossos filhos crescem tentando entender o mundo a partir das nossas escolhas. Quando essas escolhas são incoerentes, duras ou silenciosas, eles aprendem a duvidar de si, a se adaptar demais, a se encolher para caber no amor que tinham disponível.

Mas é importante dizer: trauma não é sentença.
É uma marca — e marcas podem ser cuidadas.
Quando um adulto se responsabiliza pela própria história, algo se reorganiza no sistema familiar.

Quando reconhecemos nossas limitações, quando paramos de justif**ar e começamos a escutar, oferecemos algo raro: reparação emocional.

Nossos filhos não precisam de pais perfeitos.
Precisam de pais capazes de dizer: “Isso foi o que eu consegui naquele momento, mas hoje eu posso fazer diferente.”
Às vezes, a maior cura não está em apagar o passado, mas em dar sentido a ele. E quando isso acontece, o que antes foi trauma pode se transformar em consciência, limite, força e compaixão.
Talvez eles não entendam agora.
Mas quando o amor vem acompanhado de verdade, o tempo ajuda a traduzir.
E esse também é um gesto de cuidado.

15/01/2026

Existe uma pesquisas do antropólogo Edward Schieffelin com o povo Kaluli (ou Bosavi), em Papua-Nova Guiné, a partir dos anos 1970. Onde utilizam uma prática cultural cotidiana de socialização emocional, profundamente integrada à vida familiar.

🌿 O que acontece com as crianças Kaluli
Entre os Kaluli, há uma atenção intensa à vida emocional desde a infância. Ao final do dia, especialmente à noite:

As crianças são encorajadas a falar sobre:
O que as entristeceu
O que as deixou com raiva
O que causou medo, ciúme ou frustração
Os adultos escutam ativamente, sem minimizar o afeto.

Muitas vezes, os sentimentos são nomeados, repetidos e elaborados em palavras, histórias ou cantos suaves.
O choro não é reprimido; ele é entendido como expressão legítima de um estado interno.

Não se trata de “acalmar rapidamente”, mas de dar forma simbólica à experiência emocional.

🧠 Relação com o sistema nervoso
Do ponto de vista que hoje dialoga com a neurociência e a psicologia do desenvolvimento, essa prática favorece:
Co-regulação emocional

A criança regula seu sistema nervoso através da presença empática do adulto.
Integração entre emoção e linguagem
Sentir + falar = menor chance de somatização ou dissociação.

Amadurecimento emocional precoce
Emoções não f**am “sem nome”, nem são empurradas para o corpo.
Redução de estados de hiperativação ou congelamento

🌙 Algo muito alinhado e semelhante ao que, em clínica, compreendemos como:
-elaboração psíquica
-simbolização do afeto
-reparação relacional
-segurança emocional antes do sono

É quase como se o dia não pudesse ser encerrado sem que a alma fosse ouvida.

✨ Conexão com a clínica contemporânea
Muitos terapeutas hoje recriam algo muito próximo disso quando trabalham com:

- rituais de fechamento emocional do dia
- práticas de check-in emocional
- escrita terapêutica noturna
- rodas de escuta
- narrativas simbólicas antes do sono

O que os Kaluli nos ensinam é simples e profundo:

Emoções que são escutadas amadurecem;
E moções silenciadas adoecem.

11/01/2026

✨️Divina Presença que tudo vê e tudo acolhe,✨️

Hoje eu te entrego o silêncio que me foi imposto.
Não aquele que escolhi, mas o que nasceu do medo, da dor e da solidão.

Tu conheces as palavras que não pude dizer.
Os pedidos de ajuda que f**aram presos na garganta.

As partes de mim que aprenderam a se esconder para sobreviver.

Que eu não precise mais carregar sozinha(o)
o peso do que não foi ouvido.

Ensina-me que a culpa não me pertence.
Que a vergonha não é minha.
Que meu silêncio não me define.
Que minha voz retorne no ritmo do meu corpo.
Que eu encontre pessoas, espaços e caminhos seguros onde minha história possa existir sem ser negada.

Abençoa cada parte minha que resistiu.
Cada parte que suportou.
Cada parte que, mesmo ferida, continuou viva.

Eu não estou errada(o).
Eu não estou quebrada(o).
Eu estou em processo de voltar para mim.

Assim é.
Assim se cura. ✨

Endereço

Rua Mascarenhas Camelo 864, Vila Santana
Sorocaba, SP

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