08/09/2020
Toda a criança que se encontra disponível para o processo de adoção carrega consigo o trauma do abandono.
Tendo em vista o abandono vivenciado e o sentimento de desamor pela família biológica, a criança cria medidas de proteção ancoradas pelo sentimento de catástrofe. Ou seja, se recusam a se vincular ao outro ou se desligam prematuramente a estes como forma de autopreservação, prevendo uma nova perda do objeto de amor - desta vez, os pais adotantes.
Podemos considerar essa dinâmica ao nos depararmos com os comportamentos expressados pela criança: destruir para não ser destruído, abandonar antes de ser abandonado.
Esses mecanismos evidenciam o grande sofrimento psíquico gerado pela marca do abandono inicial - ocasionado pela família de origem. E, são acionados diante da tentativa de diminuir as ansiedades e angústias perante a perda, que é experenciada como uma ameaça eminente.
Ao mesmo tempo em que há os sentimentos hostis relacionados à ameaça de vincular-se, há também um profundo desejo de vinculação.
O desejo de vinculação barrado por todos os sentimentos de ameaça de um novo abandono, à princípio não encontrarão vias de simbolização, pois, ainda não foram elaborados. Desta forma, esse desejo se manifestará muitas vezes por meio da agressividade.
É essencial que os pais adotantes possam validar a família de origem desta criança, lhe dando continência e sintonia. Conversar com um psicólogo a respeito das aventuras e desventuras, amores e desamores do processo de adoção, possibilitará a oportunidade de lidar com as inúmeras fases deste processo de maneira mais satisfatória.
Vamos juntos acolher as angústias e possibilitar repercussões positivas no mundo psíquico tanto da criança quanto do adulto?
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