23/04/2026
Há algo de grande responsabilidade em dirigir a palavra a tantos sujeitos, cada um atravessado por sua própria história, seus posicionamentos e suas faltas. E, ao mesmo tempo, há uma alegria genuína em poder provocar e convidar à reflexão para além do imediato.
Se, no consultório, a escuta se dá na singularidade de cada caso, nesses espaços coletivos o que se constrói é da ordem do laço,uma transmissão que circula, ressoa e, muitas vezes, toca onde ainda não havia palavra.
É nesse entre (entre a clínica e o coletivo ) que também me encontro. Onde o desejo de analista se sustenta não apenas na escuta, mas na possibilidade de fazer circular algo que cause, que interrogue, que desestabilize certezas.
Levar a psicanálise para fora do consultório é, para mim, uma forma de ampliar o campo da escuta e apostar que, mesmo em meio ao coletivo, há sempre um sujeito que pode se autorizar a se escutar de outra maneira.