30/03/2026
Esses dias, ouvi uma psicanalista dizendo que não temos dedo podre, o que acontece é que nosso inconsciente busca repetir o que precisa ser elaborado, sendo assim, certas experiências traumáticas vão habitar novos cenários cotidianos para terem nossa atenção. A vida pode ser vista de vários olhares, o científico é um deles, o filosófico, o olhar biológico. Gosto de retomar Freud, quando explicava o que era a psicanálise e dizia sobre o sintoma não ser expresso em exames físicos e laboratoriais. Porém o sintoma existe e causa sofrimento a quem o tem. Quando falamos de vida mental, estamos trazendo a luz a diversos aspectos da experiência humana com o outro, a relação do sujeito com o ambiente, com as diversas imagens que compõem nossas construções subjetivas. Lemos o mundo a partir de nosso repertório, se não temos um repertório variado e rico, temos poucos recursos subjetivos para colorir as imagens que nos atravessam. Na vivência clínica observo que a criança, o adolescente e o adulto, trazem consigo o próprio repertório ou a falta dele. A cada sessão, a cada encontro, temos a oportunidade de olhar pra isso e nos deixar tocar pelos sentimentos presentes, pelas emoções que fluem, pelos relatos aprisionados, a subjetividade de cada pessoa é um livro a ser lido, cuidadosamente.