11/03/2026
Desde muito pequeno, Nicolas já chamava nossa atenção de um jeito especial. Seus pezinhos e mãos pareciam nunca parar, enquanto seu olhar se fixava em um ponto, como se enxergasse o mundo de uma forma só dele. Uma das alegrias da casa era vê-lo imitando um lobo — “uhuuuu”.
Por volta dos dois anos percebemos que algo estava diferente. Nicolas não falava e já não imitava como antes. Alguns meses depois veio o diagnóstico de autismo. A notícia não foi o mais difícil — o verdadeiro desafio foi entender que nossa rotina precisaria se adaptar ao ritmo e às necessidades do nosso menino.
Nas primeiras sessões com a psicóloga, a casa parecia um pequeno terremoto emocional. Foi intenso e difícil, mas também o início de muitas descobertas.
Com o tempo vimos uma transformação. A sociabilidade de Nicolas começou a florescer. Com a terapia ocupacional ele passou a dar novas funções aos brinquedos e seu mundo foi ganhando novas possibilidades.
Depois, com a fonoaudióloga, Nicolas entrou em outra fase de conquistas. Voltou a imitar sons e o leão virou seu favorito. “Uhauu!” era o rugido que enchia a casa de alegria.
Hoje Nicolas reconhece todas as letras do alfabeto, conta até quase cinquenta e m***a palavrinhas com letras de plástico. Sua vida, como a de muitas crianças autistas, é como uma série: a cada temporada surgem novos desafios e descobertas.
Nicolas enfileira carrinhos, mas também cria histórias com eles. Adora abraçar, mas no seu tempo. Olha nos olhos, se conecta e encanta.
“Do jeitinho que eu sou, vou curtindo a vida com meu papai, mamãe e todas as pessoas que me amam.”