17/10/2025
Há pouco mais de 10 anos me formei em Medicina. Nesse tempo, já trabalhei em pronto-atendimentos adulto e infantil, ambulatórios públicos e particulares, e em clínicas multiespecialidades.
Durante todo esse caminho, muita gente me dizia:
“Você precisa montar sua própria clínica!”
“Você poderia ganhar mais colocando outras pessoas para trabalhar pra você!”
“Você tem capacidade pra isso!”
Mas, dentro da minha cabeça — e do meu coração —, o que eu mais desejava era oferecer um atendimento de qualidade para cada paciente que confia em mim.
Quem me conhece sabe: nunca fiz distinção entre um atendimento pelo SUS ou particular. Sempre entreguei meu melhor, porque acredito que cada criança, cada adolescente e cada família merecem ser ouvidos com atenção e acolhimento.
Nesse percurso, também encontrei pedras no caminho.
De tanto me doar, acabei sem tempo de qualidade com meus filhos. Chegava em casa exausta, adoeci mental e fisicamente. Meus filhos precisavam da minha presença — e, para quem me conhece, sabe o quanto é difícil pra mim deixar de fazer o que acredito ser certo.
Foi então que precisei repensar minha rota.
Decidi deixar os plantões, atender apenas com horário agendado, parar de repassar meu telefone para cada paciente e, por fim, encerrar os atendimentos por convênios e planos de saúde.
“Mas, Dra., por que tudo isso?”
Porque eu precisava voltar à essência.
Voltar ao que realmente me faz sentido: escutar com calma, entender a fundo cada caso, cuidar com tempo e com presença.
Hoje, voltei a ter paz.
Voltei a ter tempo com meus filhos e minha família.
Voltei a ter prazer em atender.
E o mais bonito é que agora consigo estar ainda mais próxima dos meus pacientes: converso com escolas, psicólogos, psicopedagogos — com toda a equipe envolvida no cuidado. O vínculo está mais forte, o olhar mais atento e o cuidado, mais verdadeiro.
Esse consultório é o reflexo de tudo isso: da escolha de seguir o caminho com propósito, leveza e amor pelo que faço.