Como tudo começou...
Aos 13 anos eu era apaixonada pela Língua de Sinais! Dizia para minha mãe da seguinte forma: “Se eu não tiver um filho com deficiência, casarei com uma pessoa com deficiência!” Esse “mundo do ter uma deficiência”, do preconceito, da luta por ser visto como pessoa e da busca pelos direitos em nossa sociedade faz parte da minha vida. Minha Tia Roseli, que morreu aos 26 anos quando eu tinha apenas 9 anos, era a tia que eu mais amava! Roseli tinha uma hemiparesia a direita em decorrência de um aneurisma que rompeu aos 9 anos de idade durante uma brincadeira de cambalhota. Aos 15 anos teve um derrame e aos 26 mais um derrame que a levou desse mundo. Contudo, minha tia deixou marcas em minha alma e no coração! Recordo muito da sua luta, do quanto brigava com sua mão direita para que “ela fizesse” as atividades. Lavava roupas no tanque, cozinhava, fez troca de dominância e f**ava muito brava com todos da família que queriam protegê-la. Não gostava de ser vista e tratada como uma incapaz. Se formou no magistério, deu aulas, lutou para ter sua casa e um filho. E tudo, até onde sei, conquistou, deixando seu filho de 2 anos após sua morte. Aos 16 anos eu já sabia que queria fazer Terapia Ocupacional. Entrei para a faculdade sabendo bem o que eu queria! E em 2006 me formei Terapeuta Ocupacional. Tenho 3 filhos sem deficiência, não me casei com uma pessoa com deficiência, mas tive namorados com deficiência. Na minha família convivo com pessoas com deficiência com diagnósticos: Sindrome de Down, Sindrome de Marfan, Dislexia, Autismo, Deficiência física e sinceramente, para mim são minha família, pessoas que amo e nada faz com eu seja diferente deles e eles de mim. Nada! São especiais tanto quanto eu sou, quanto você é para sua família e para quem lhe ama. Não é verdade? Levo a bandeira da inclusão, não como ela é oferecida e oportunizada em nossa sociedade. Entendo a inclusão como um direito que todos tem de ser quem se é sendo valorizado, amado e percebido enquanto pessoa. Um diagnóstico não pode vir a frente do ser humano cheio de sonhos, tão cheio de vida e que precisa ser respeitado tanto quanto eu e você precisamos ou qualquer outra pessoa nesse mundo. Inclusão é se abrir para receber a todos! É não deixar ninguém de fora, nem de lado, nem muito menos para trás. Incluir é perceber que o que serve para você pode não ser o ideal para o outro. Que existem muitas maneiras de se fazer a mesma coisa e atingir um objetivo. É perfeitamente possivel e inclusivo respeitar o outro com o melhor que ele pode ser sendo ele mesmo em todos os lugares da nossa sociedade. Para isto, a sociedade também precisa fazer sua parte, garantindo os direitos das pessoas com deficiência, promovendo acessibilidade, equiparação de oportunidades e valorizando a diversidade. Para finalizar, f**a aqui minha gratidão a cada pessoa, cada criança e as suas respectivas famílias que passaram pela minha trajetória profissional. Aprendi e aprendo muito, todos os dias com cada pessoa que chega ao meu consultório, em cada escola que visito, em cada empresa que realizo um treinamento ou assessoria. Quando um objetivo é alcançado, quando vejo o olhar de felicidade de uma criança ou o olhar de gratidão de uma mãe, tenho a certeza de que tudo valeu a pena e que fiz a melhor escolha da minha vida: “Acreditar no potencial humano e incluir pessoas”no meu coração, na minha alma e na sociedade. Gratidão!