21/04/2026
Tem crianças que não perderam os pais, mas perderam o acesso a eles.
Pais que estavam presentes fisicamente, mas emocionalmente ausentes, tomados por dores que a criança não podia compreender.
E então, muito cedo, essa criança aprende a sentir o clima, a antecipar o humor, a tentar não dar trabalho. Não porque queria, mas porque precisava.
O problema é que isso não f**a na infância, vira modo de funcionar…
Vira o adulto que se responsabiliza por tudo, que lê o outro o tempo inteiro, que se culpa quando alguém não está bem e que, no fundo, nunca aprendeu que também poderia ser cuidado.
E talvez o que mais doa, hoje, é precisar reconhecer que não foi você que não deu conta, pelo contrário, você precisou dar conta cedo demais. E dar conta de tudo teve um custo alto.
E é justamente aqui que o processo de psicoterapia se torna tão importante. Não como algo que te “ensine” a dizer não, mas como um espaço onde você possa olhar, com cuidado, para essa criança que precisou crescer antes do tempo e que aprendeu a se responsabilizar pelo que nunca foi dela.
A psicoterapia abre um espaço onde, aos poucos, isso pode ser nomeado, sentido e ressignif**ado. Onde já não é mais preciso antecipar, sustentar ou dar conta de tudo.
E talvez, pela primeira vez, possa existir a experiência de não precisar merecer o cuidado, mas simplesmente se permitir o direito de recebê-lo 🤍