O Corpo Sabe o Prazer Guia

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📍Agenda Curitiba

19/12/2025

📖 DIÁRIO DA INCRUZA: CAPÍTULO 1
Dizem, lá pelos cantos da velha Espanha que vivia uma mulher de nome Desirée de Montoya, mas que nas bocas mais ousadas e nos becos mais noturnos já sussurravam outro nome: Padilha.
Era esposa de um rei impaciente, homem de gênio rijo, que se inflamava por nada e por tudo, e que nunca aceitou que a própria esposa tivesse luz demais para caber atrás das cortinas do palácio.

Desirée não se encolhia.
Era chama, era fogo, era a risada que rachava a madrugada e o olhar que punha soldado de joelhos.
E isso… isso queimava o rei por dentro.

As brigas começaram com palavras.
Depois vieram portas batidas.
Depois vieram as noites separadas.
Até que, numa tempestade que o povo jurou ter sido prenúncio, o rei gritou diante da corte que não dividiria o trono com “uma mulher que não nasceu para ser sombra”.

Desirée sorriu.

Um sorriso que doeu mais no rei do que qualquer espada.
E nessa mesma noite, com a face pintada e o queixo erguido, ela mandou preparar o navio que a levaria para longe do castelo, para longe da Espanha, para longe do homem que queria apagar seu brilho.

E partiu.
Sem olhar para trás.
Partiu como as mulheres que sabem que o destino delas não cabe em país nenhum.
O navio atracou num porto quente e úmido, de cheiro forte e misturas de todas as línguas.
A terra nova se chamava Brasil, e ali ninguém conhecia seu título, sua linhagem, sua antiga dor.
E isso era perfeito.

Desirée vestiu o nome novo como quem veste coroa:
Maria Padilha.

Caminhou pelas ruas de chão batido, pelo mercado barulhento, pelos becos onde a vida se resolvia à força ou a fé.
Era rica, muito mais do que qualquer comerciante dali podia imaginar, mas não carregava joias.
Carregava olhos.
Olhos que sabiam escolher, medir, sondar.

E foi nesses caminhos que encontrou a primeira menina.

A garota estava sentada na beira de um armazém, os pés sujos de barro, as mãos finas demais para a idade.
Chamava-se Rosa Quitéria, filha de ninguém, irmã do abandono, perdida na vida e na esperança.

💃🏻: Menina!! disse Padilha, na voz firme de quem nasceu mandando, quem cuida de você?

💗: Ninguém, senhora... respondeu a pequena, baixinho.

Padilha sentou-se ao lado dela, ignorando o olhar espantado dos passantes.
Pegou o queixo da garota entre os dedos, ergueu o rosto dela para o sol.

💃🏻: A partir de hoje, você vai andar comigo.

E Rosa Quitéria seguiu.
Sem entender por quê, mas com a sensação de que, pela primeira vez, alguém a via.

Os dias passaram, e a presença de Padilha na cidade começou a atrair olhares curiosos, temerosos, fascinados.

E por onde ela andava, encontrava outra menina.
E outra.

Algumas fugidas de casa.
Algumas vendidas pelos pais.
Algumas que já tinham visto mais dor do que qualquer adulto deveria ver.
Algumas ainda quase crianças.

Padilha não julgava.
Apenas dizia:

" Venha comigo ".
A partir de hoje, você não apanha mais.
A partir de hoje, você tem nome.
A partir de hoje, você tem casa.

Com o dinheiro que trouxera escondido no forro das malas e com negociações que ninguém ousou contrariar comprou um casarão antigo, de paredes desgastadas e janelas que choravam ferrugem.

Ali, ergueu o Cabaré das Rosas Negras.
Um lugar proibido para homens fracos e seguro para mulheres fortes ou para as que ainda aprenderiam a ser.

Quando o cabaré ficou pronto, havia quinze delas:

1. Rosa Quitéria
2. Maria Farrapo
3. Maria das Dores Veladas
4. Maria Mulambo
5. Maria do Barro Vermelho
6. Maria da Palha Fina
7. Esther da Lira
8. Leonor do Fogo Alto
9. Damiana das Sete Calle
10. Alba Sangria
11. Mirtes das Duas Sombras
12. Rosa Vermelha
13. Quitéria de Luna
14. Carmem das Escadarias
15. Júlia de Canto Amargo

Quase todas carregando dor demais nos ombros, fome demais na alma e silêncio demais na garganta.

Padilha as apresentou ao salão ainda cheirando a tinta fresca, as cortinas vermelhas abertas como asas.

💃🏻: Este lugar é de vocês, ela disse.
💃🏻: Aqui ninguém manda mais que eu, e vocês mandam logo depois. Vocês vão aprender a se vestir, a andar, a olhar. Ninguém mais pisa na cabeça de vocês. Aqui, quem pisa… somos nós.

E naquele instante, naquele casarão aceso de lamparinas e destino, nasceu um reinado.

O reinado de uma mulher exilada que virou Rainha da Noite, que virou mito, que virou sussurro, que virou reza: Maria Padilha
ou, como chamavam no Diário da Incruza, Desirée de Montoya, a bruxa que cruzou o mar para acender outras mulheres.
Conto de autoria da página: Maria Padilha
Arte: augustinhoart

Endereço

Avenida Das Toninhas
Ubatuba, SP

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