12/01/2020
Nos últimos anos houve um aumento considerável dos debates acerca da relação entre Religiosidade/Espiritualidade (R/S) e Saúde Mental, tanto no âmbito acadêmico, quanto na sociedade em geral. Três revisões sistemáticas da literatura acadêmica identificaram mais de 3.000 estudos empíricos sobre espiritualidade e saúde.
Em geral, indivíduos que têm mais R/S têm menos depressão, ansiedade, tentativas de suicídio e uso de substâncias, com melhor qualidade de vida, remissão mais rápida de sintomas depressivos e melhores resultados psiquiátricos.
Para facilitar a compreensão do assunto, precisamos conhecer alguns conceitos básicos:
• Religião é o sistema organizado de crenças, práticas, rituais e símbolos designados para facilitar o acesso ao sagrado, ao transcendente (Deus, força maior, etc.);
• Religiosidade é o quanto um indivíduo acredita, segue e pratica uma religião. Pode ser organizacional (participação na igreja ou templo religioso) ou não organizacional (rezar, ler livros, assistir programas etc.);
• Espiritualidade é uma busca pessoal para entender questões relacionadas ao fim da vida, ao seu sentido, sobre as relações com o sagrado ou transcendente que, pode ou não, levar ao desenvolvimento de práticas ou formações de comunidades religiosas.
O médico deve ter conhecimento das evidências que suportam este campo, para entender suas repercussões na saúde do paciente. Em alguns casos, a religião pode desencadear problemas (principalmente no caso da religião punitiva em que há uma sensação de que Deus está punindo ou abandonando o paciente) e causar conflitos quanto ao enfrentamento do transtorno.
Esses estudos mostram que cada vez mais é preciso que se considerem todos os fatores possíveis que possam afetar a saúde mental dos pacientes, seja positiva ou negativamente. Os diagnósticos, tratamentos e acompanhamentos clínicos devem levar em conta a relevância das origens culturais para compreender a atitude do paciente frente aos transtornos de ordem psiquiátrica.