19/11/2022
Saiba quando é hora de seguir em frente
Como perceber o fim de um ciclo, um relacionamento ou mesmo uma escolha profissional?
E descobrir se é chegada a hora de seguir em frente, talvez em outra direção.
Alguns finais de ciclo a vida impõe. A infância passa, a escola termina, a admiração acaba.
Ainda assim, os ciclos mais desafiadores talvez sejam os que você mesmo precisa delinear quando começam e terminam.
É a liberdade angustiante de legislar sobre a própria existência.
Compreender – ou apostar – quando é o momento propício de virar a página nos relacionamentos, no trabalho, na rotina.
A interrupção, contra a sua vontade, de uma etapa importante, pode ser dolorosamente aguda, mas não devemos subestimar a indecisão melancólica de quem precisa estabelecer o tempo preciso de cada coisa.
Há um haicai do escritor Millôr Fernandes que diz assim: “A vida é um saque/ Que se faz no espaço/ Entre o tic e o tac”.
Como o tempo, a vida é feita de ciclos. Há uma experiência comprimida entre o início e o fim de cada etapa.
Muita gente reclama que o tempo passa depressa demais (e há uma explicação para essa sensação, como você vai ver logo mais), mas poucos se dão conta de que nossos ciclos também ficaram mais curtos. Boa parte dos relacionamentos tem duração menor, quando comparados aos de nossos antepassados, e também dificilmente mantemos o mesmo emprego por anos e anos. E você pode pensar sobre isso com uma dose de alívio e perplexidade.
F**amos menos engajados no que fazemos e sentimos. Porque ciclos mais diminutos, em geral, significa que não nos dedicamos de maneira genuína em cada atividade, fase e mesmo em cada pessoa.
Dessa forma, a vida pode até ficar mais variada, mas acompanhada de perdas importantes.
Há outro haicai do Millôr que se aplica agora: “Probleminhas terrenos:/ Quem vive mais/ Morre menos?”.
É cada vez mais complexo demarcar a duração ideal de cada ciclo, para não esticar indefinidamente uma fase já esgotada ou, ao contrário, não precipitar o desfecho de uma etapa ainda em processo.
Um exemplo de período exaustivamente prolongado é o fenômeno geracional dos “nem-nem” (ou “nenéns”), jovens que não trabalham, nem estudam.
(Ctnua nos cmt)