28/01/2020
SUICÍDIO: CARTA A UM SOBREVIVENTE
Leia até o final!
Aviso de gatilho: suicídio
Olá sobrevivente! Sei que as coisas não estão bem e hoje resolvi escrever para você. Sei que muita coisa mudou, você não tem recebido mais visitas, as pessoas têm olhado pra você de um modo diferente, está mais difícil trabalhar, você não tem dormido bem... ir a igreja e ter fé já nem fazem parte do seu dia-a-dia! Algo de você também morreu e eu sinto muito por isso!
“Ele se matou! Se foi! Por opção? Por escolha? Por que ele fez isso? Será que eu devia estar mais atento(a)? Que raiva! Ele foi egoísta! Ou foi eu? Que não vi?”
Sei que foi de uma forma violenta, foi traumático e você não esperava. Desde aquele dia você tem se feito essas perguntas, mas não tem encontrado respostas o suficiente que te ajudem a justificar o que ele fez. Ele talvez até tenha deixado cartas, na tentativa de explicar, aquilo que nem ele entendia, pois não existe UM motivo que leve ao suicídio, pois esse processo é complexo demais para ser justificado. Mas além disso, as pessoas insistem em perguntar o “porquê”, talvez na tentativa de entendê-lo, de tentar ajudar, de descobrir aquilo que ele não vinha dizendo. Dói! Dói muito! Ter que sofrer a perda e a ausência dele, no café da manhã, no almoço, nas histórias da faculdade ou do trabalho… e ter que reviver essa dor, a cada pergunta de um conhecido, a cada comentário, a cada vez que você tenta responder. Talvez o primeiro pensamento é esconder o seu luto, até porque as pessoas julgam muito, principalmente porque suicídio não é bem visto por nenhuma religião; e porque as pessoas julgam demasiadamente a pessoa suicida. Tudo isso é muito pesado: receber a notícia, ter que justificar, cuidar do velório e do julgamento das pessoas. Em primeiro lugar: NÃO SE CULPE! PROCURE AJUDA! Muitas pessoas passam por esse mesmo problema, mas somente ¼ procuram ajuda. Existem Grupos de Apoio, psicólogos, médicos, psiquiatras que podem fazer um tratamento. Se cuide! Você precisa ir sem ele agora, mas não precisa ir sozinho(a)! EU POSSO TE AJUDAR!
Autora: Vanessa Oliveira - Psicóloga