Claudiana Correntino - Psicóloga

Claudiana Correntino - Psicóloga Em análise não se ouve: “eu também passei por isso”, mas sim “fale-me mais sobre a tua angústia.

07/03/2026
Tem pessoas que passam anos reclamando das mesmas coisas.Do mesmo tipo de relacionamento.Do mesmo vazio.Da mesma sensaçã...
04/03/2026

Tem pessoas que passam anos reclamando das mesmas coisas.
Do mesmo tipo de relacionamento.
Do mesmo vazio.
Da mesma sensação de não ser reconhecida.

A reclamação, muitas vezes, é o primeiro movimento. Ela mostra que algo dói. Que algo insiste. Que algo se repete.

Mas só reclamar não transforma.

Em análise, quando essa queixa ganha palavras, algo começa a mudar. Ao falar, a pessoa não apenas repete, ela recorda. E ao recordar, pode elaborar.

Repetir é viver de novo, sem perceber.
Recordar é lembrar com consciência.
Elaborar é dar um novo destino àquilo que sempre voltava igual.

Quando o que era só queixa vira palavra, a repetição pode perder a força.
E o que antes parecia destino pode, finalmente, se tornar escolha.

Muitas vezes, o que dói não é o que aconteceu, é o que imaginamos que poderia ter acontecido.“Se eu tivesse insistido na...
03/03/2026

Muitas vezes, o que dói não é o que aconteceu, é o que imaginamos que poderia ter acontecido.

“Se eu tivesse insistido naquele relacionamento…”
“Se eu não tivesse saído daquele emprego…”
“Se eu tivesse falado naquele dia…”

Criamos versões ideais das escolhas que não fizemos. O ex vira a pessoa perfeita que talvez nunca tenha existido. O trabalho que deixamos se transforma na carreira brilhante, sem conflitos. A decisão não tomada parece sempre mais promissora do que a realidade.

Mas essa versão alternativa da vida nunca enfrentou rotina, frustrações ou limites. Ela vive apenas na fantasia.

Enquanto ficamos presas ao “e se”, deixamos de viver o “e agora”.

Toda escolha implica perda. Amadurecer é aceitar que não dá para viver todas as possibilidades e que a única vida possível é a que está acontecendo.

O que poderia ter sido não existe.
O que pode ser ainda está em aberto.

A culpa constante não nasce apenas do que você faz.Ela nasce, muitas vezes, do que você acredita que deveria ser.Na teor...
02/03/2026

A culpa constante não nasce apenas do que você faz.
Ela nasce, muitas vezes, do que você acredita que deveria ser.

Na teoria lacaniana, a culpa está ligada à relação com o desejo e com a voz interna que cobra, exige e julga. Essa voz não é simplesmente consciência. É o que a psicanálise chama de supereu, uma instância que manda você ser melhor, mais forte, mais produtiva, mais compreensiva, mais perfeita.

E curiosamente, quanto mais você tenta obedecer, mais culpada se sente.

Porque o supereu não quer equilíbrio. Ele quer excesso.

Você se sente culpada quando descansa.
Culpada quando diz não.
Culpada quando prioriza seu desejo.
Culpada até quando sente raiva.

A pergunta não é apenas o que você fez de errado.
A pergunta é a serviço de quem você está vivendo.

Muitas mulheres foram ensinadas a sustentar o desejo do outro antes do próprio. Quando começam a se escutar, a culpa aparece como um alarme interno dizendo que algo está fora do lugar. Mas fora do lugar para quem?

Na clínica, percebemos que a culpa constante pode ser sinal de que você está tentando corresponder a um ideal impossível. Um ideal que nunca se satisfaz.

Talvez a saída não seja se tornar perfeita.
Talvez seja sustentar seu desejo mesmo com a culpa presente.

Porque na psicanálise, não se trata de eliminar a culpa, mas de entender de onde ela fala.

A psicanálise não se propõe a retirar do sujeito toda forma de sofrimento. O sofrimento faz parte da experiência humana ...
26/02/2026

A psicanálise não se propõe a retirar do sujeito toda forma de sofrimento. O sofrimento faz parte da experiência humana e, muitas vezes, é justamente ele que denuncia conflitos inconscientes, repetições e impasses psíquicos que pedem elaboração.

O trabalho analítico não é anestesiar a dor, mas possibilitar que o sujeito a sustente sem se desorganizar, que a simbolize em vez de apenas atuar, que a compreenda em vez de se confundir com ela. Ao longo do processo, algo se desloca: o sofrimento deixa de ser um destino inevitável e passa a ser um enigma que pode ser pensado.

Aprender a suportar o sofrimento não significa resignação, mas ampliação de recursos psíquicos. Significa não precisar fugir, negar ou projetar no outro aquilo que é próprio. É nesse ponto que o sujeito ganha responsabilidade sobre sua história e encontra novas formas de existir.

A análise não promete uma vida sem dor, mas possibilita uma vida com mais consciência, menos repetição e maior liberdade de escolha.

Quando você entende demais, começa a justificar o que te machuca.Você explica o silêncio do outro, racionaliza a ausênci...
25/02/2026

Quando você entende demais, começa a justificar o que te machuca.
Você explica o silêncio do outro, racionaliza a ausência, acolhe o mínimo como se fosse o máximo.

Mas compreensão sem limite vira autoabandono.

Nem tudo precisa ser entendido.
Algumas coisas precisam ser sentidas e respeitadas.

Entender o outro nunca pode custar deixar de se escutar.

Nem sempre se trata de desejo, muitas vezes é angústia de separação. O sujeito neurótico não sofre apenas pelo que perde...
24/02/2026

Nem sempre se trata de desejo, muitas vezes é angústia de separação. O sujeito neurótico não sofre apenas pelo que perde, mas pelo que a perda simboliza: abandono, desamparo, contato com a própria falta. Para evitar essa experiência, sustenta vínculos que não correspondem a um querer genuíno. Confunde repetição com escolha, ansiedade com amor, dependência com necessidade afetiva. O medo da perda pode se tornar tão estruturante que a pessoa passa a defender exatamente aquilo que a faz sofrer. Clinicamente, não se trata apenas de querer ou não querer ficar, mas de reconhecer o que, na própria estrutura psíquica, não suporta a vivência da falta.

A defesa é uma inteligência do psiquismo.Ela nasce quando algo foi excessivo: invasivo, humilhante, imprevisível.Você ap...
23/02/2026

A defesa é uma inteligência do psiquismo.
Ela nasce quando algo foi excessivo: invasivo, humilhante, imprevisível.

Você aprendeu a se proteger antes mesmo de entender do que estava se protegendo.

Ficar na defensiva constante não é traço de personalidade.
É memória.

É o corpo esperando o próximo ataque.
É o afeto antecipando abandono.
É o discurso sempre pronto para justificar a própria existência.

Mas viver em defesa permanente tem um custo.
Não há descanso possível para quem nunca se sente seguro.

Na psicanálise, chamamos isso de funcionamento defensivo cristalizado, quando o mecanismo que um dia salvou passa a limitar.

A pergunta não é “por que você é assim?”
É: do que você precisou se defender para sobreviver?

Porque talvez, por trás da rigidez, exista alguém criativo.
Por trás da ironia, alguém sensível.
Por trás da autossuficiência extrema, alguém que só queria ter podido confiar.

Defesas são necessárias.
Mas não foram feitas para ser moradia.

O racismo não é só social, ele marca a subjetividade.Na perspectiva psicanalítica, o sujeito se constitui a partir do ol...
19/02/2026

O racismo não é só social, ele marca a subjetividade.
Na perspectiva psicanalítica, o sujeito se constitui a partir do olhar do Outro. Quando esse olhar é atravessado pelo preconceito, pode gerar feridas na autoestima, na identidade e no sentimento de pertencimento.

O impacto aparece como ansiedade, hipervigilância, vergonha, silenciamento e traumas repetidos.

Falar sobre racismo na clínica é legitimar essa dor e transformar sofrimento em elaboração.

Cuidar da saúde mental também é enfrentar o racismo. ✊🏾🖤

18/02/2026


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Hoje celebramos os 121 anos da existência de Nise da Silveira, médica psiquiatra que ousou desobedecer a violência institucional quando o tratamento era sinônimo de contenção, choque e silêncio.

Em um tempo dominado por eletrochoques e lobotomias, ela escolheu o afeto como método clínico. Recusou a brutalidade, abriu ateliês de pintura no hospital e revelou ao mundo que a loucura também cria, também simboliza, também fala.

Discípula crítica das ideias de Carl Gustav Jung, Nise compreendeu que a imagem é linguagem do inconsciente. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente e transformou pacientes em artistas, não em diagnósticos.

Sua obra continua sendo um lembrete de que a única pedagogia que funciona é a do amor. Se ela fracassar, nada mais funciona.

Leia mais. 🔗 O link está na bio

A culpa feminina costuma aparecer como se fosse um traço de caráter: sensibilidade, exagero, “drama”. Mas, na clínica, e...
12/02/2026

A culpa feminina costuma aparecer como se fosse um traço de caráter: sensibilidade, exagero, “drama”. Mas, na clínica, ela frequentemente se apresenta como efeito de uma aprendizagem longa.

Desde cedo, muitas mulheres são convocadas a ocupar uma posição muito específica: sustentar o ambiente, prever o humor do outro, cuidar do que não foi pedido, manter a paz mesmo quando a paz custa caro. Com o tempo, essa posição vira uma espécie de contrato invisível.

A culpa entra aí.

Ela funciona como um mecanismo de contenção. Quando a mulher começa a dizer “não”, quando reduz disponibilidade, quando escolhe o próprio desejo, o corpo já antecipa a punição. E o psiquismo tenta evitar a perda: perda do amor, da aprovação, da imagem de “boa”.

Em relações afetivas, isso vira uma ferramenta muito eficiente de manipulação. Às vezes basta um silêncio bem colocado, uma mudança de tom, uma frase aparentemente inocente: “nossa, você mudou”. A mulher se reorganiza para voltar ao lugar anterior.

Na prática, vale observar: depois de qual atitude a culpa surge? Depois de qual limite? Depois de qual escolha?

12/02/2026

A culpa feminina costuma aparecer como se fosse um traço de caráter: sensibilidade, exagero, “drama”. Mas, na clínica, ela frequentemente se apresenta como efeito de uma aprendizagem longa.

Desde cedo, muitas mulheres são convocadas a ocupar uma posição muito específica: sustentar o ambiente, prever o humor do outro, cuidar do que não foi pedido, manter a paz mesmo quando a paz custa caro. Com o tempo, essa posição vira uma espécie de contrato invisível. E todo contrato produz uma ameaça: a de ser punida quando se rompe a regra.

A culpa entra aí.

Ela funciona como um mecanismo de contenção. Quando a mulher começa a dizer “não”, quando reduz disponibilidade, quando deixa de explicar demais, quando não responde na hora, quando escolhe o próprio desejo, o corpo já antecipa a punição. E o psiquismo tenta evitar a perda: perda do amor, da aprovação, da imagem de “boa”.

Em relações afetivas, isso vira uma ferramenta muito eficiente de manipulação. Nem sempre com gritos, nem sempre com chantagem explícita. Às vezes basta um silêncio bem colocado, uma mudança de tom, uma frase aparentemente inocente: “nossa, você mudou”. A mulher, treinada para manter o vínculo, começa a se reorganizar para voltar ao lugar anterior. Ela se justifica. Explica. Compensa. Cede.

A culpa, nesse sentido, não aparece como consciência moral. Ela aparece como uma forma de obediência psíquica.

E é por isso que muitas mulheres suportam coisas que, racionalmente, já perceberam que são injustas. A cabeça entende, mas a culpa cobra o preço emocional de qualquer tentativa de separação.

Quando a culpa está muito alta, o limite parece agressão. A autonomia parece frieza. O descanso parece egoísmo. O silêncio parece crueldade.

Na prática, vale observar: depois de qual atitude a culpa surge? Depois de qual limite? Depois de qual escolha?

Porque a culpa costuma apontar menos para um erro real e mais para o momento exato em que a mulher saiu do lugar que esperavam dela.

Claudiana Correntino
Psicóloga Clínica
CRP 04/52616

Endereço

Rua Eduardo Marquez, 756./B. Martins Clínica Arvorecer
Uberlândia, MG
38400442

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