29/01/2026
Nem sempre o caminho certo é o mais cheio.
Às vezes, ele é apenas o que sobra quando tu decides não te trair.
Enquanto muitos seguem juntos, há quem fique.
Não por orgulho.
Por coerência interna.
Na vida, e não só na teoria, aprendemos cedo que pertencer acalma.
Mas quase ninguém fala do preço.
Do quanto, aos poucos, a gente se ajusta, se cala, se dobra, só para não andar só.
O sintoma nem sempre nasce do excesso de dor.
Às vezes, nasce da repetição de escolhas que não nos representam mais.
Há caminhos que parecem seguros porque são coletivos.
Mas que, internamente, geram ruído, ansiedade, cansaço sem nome.
Não é solidão.
É desencontro consigo.
Crescer exige suportar esse intervalo estranho: quando tu já não cabes onde estava, mas ainda não sabes exatamente onde pertences.
Seguir sozinho, em certos momentos, é só um gesto de honestidade psíquica.
Uma recusa silenciosa ao automatismo.
Um jeito de preservar algo que, se perdido, cobra caro depois.
Talvez o maior desafio não seja caminhar só, mas sustentar quem tu és quando não há testemunhas.
O que em ti está pedindo fidelidade, mesmo sem aprovação externa?
Juliana Formigari
Psicóloga | Psicanalista
CRP 06/213192