08/05/2026
Uma mulher de 27 anos foi detida na terça-feira (5) após esfaquear um cabeleireiro dentro de um salão de beleza.
A mesma afirmou que estava insatisfeita com o corte feito em sua franja e reclamou do resultado antes da agressão.
Isso nos trás uma reflexão sobre uma geração que não aprendeu a suportar frustrações, Porque ninguém nasce sabendo lidar com o desconforto.
Isso é ensinado.
É na infância que se aprende que nem tudo será como queremos.
Que ouvir “não” faz parte.
Que errar, perder, esperar e se frustrar não destroem ninguém.
Mas quando uma criança cresce sem desenvolver recursos emocionais para suportar limites,
ela pode chegar à vida adulta emocionalmente despreparada para a realidade.
E a realidade frustra.
As pessoas decepcionam.
As coisas saem do controle.
O mundo não se organiza em torno dos nossos desejos.
O problema é que, para algumas pessoas, a frustração não é vivida apenas como desconforto.
Ela é sentida como ameaça, humilhação, rejeição.
E quando não existe maturidade emocional para elaborar isso,
o impulso toma o lugar da consciência.
A raiva explode.
O outro vira alvo.
E o sofrimento interno é descarregado em forma de agressão.
Violência não nasce do nada.
Ela é, muitas vezes, o resultado de emoções que nunca foram compreendidas, reguladas ou nomeadas.
Uma infância sem limites não cria liberdade emocional.
Cria fragilidade diante da vida.
Porque proteger uma criança de toda frustração
não a fortalece.
Só impede que ela aprenda a lidar com aquilo que inevitavelmente vai sentir.
E talvez um dos maiores problemas da nossa geração
não seja sentir demais —
mas nunca ter aprendido o que fazer com aquilo que sente.
— Erika Juchem Goelzer