09/12/2025
As festas de fim de ano, frequentemente idealizadas como momentos de pura alegria e união, podem, paradoxalmente, ser um período de grande desconforto emocional para muitos.
Do ponto de vista da psicologia, essa tristeza pode surgir da intensa pressão social para ser feliz. Há uma expectativa coletiva de perfeição e euforia que, ao não ser correspondida pela experiência individual, gera sentimentos de inadequação, frustração ou solidão. A comparação com imagens idealizadas de famílias felizes na mídia ou nas redes sociais amplifica esse abismo entre o “dever ser” e o “sentir”. Além disso, essas datas frequentemente exacerbam a ausência de entes queridos, perdas recentes ou antigas, e o luto, que se torna mais palpável diante da atmosfera festiva.
O mal-estar pode estar ligado a conflitos internos não resolvidos ou a memórias afetivas da infância. O ambiente familiar e social das festas tem o poder de reativar traumas antigos, dinâmicas familiares complexas ou sentimentos de abandono e exclusão.
É crucial reconhecer que não há problema em sentir-se assim. Permitir-se vivenciar essas emoções, sem culpa ou vergonha, é um passo importante para o autocuidado e o bem-estar mental, aceitando a complexidade da experiência humana.