25/02/2026
TRANSTORNO DE ANSIEDADE: UMA LUTA DIÁRIA CONTRA A PRÓPRIA MENTE
Viver com transtorno de ansiedade é como estar em constante estado de alerta, mesmo quando não há perigo real. É acordar já cansado, com a mente acelerada, o coração inquieto e uma sensação difícil de explicar — como se algo ruim estivesse prestes a acontecer, mesmo que tudo esteja aparentemente bem.
A ansiedade, em níveis normais, é uma resposta natural do nosso corpo. Ela nos protege, nos prepara para desafios e nos mantém atentos. O problema começa quando essa resposta se torna excessiva, frequente e desproporcional. Quando a mente cria cenários catastróficos, antecipa problemas que talvez nunca existam e transforma pequenas situações em grandes ameaças.
Quem enfrenta o transtorno de ansiedade não está “exagerando”, não é “dramático” e muito menos “fraco”. Trata-se de uma condição real, reconhecida pela ciência e classificada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), publicado pela American Psychiatric Association.
Os sintomas podem ser tanto emocionais quanto físicos:
Pensamentos repetitivos e difíceis de controlar
Medo constante ou preocupação excessiva
Insônia ou sono não reparador
Tensão muscular
Taquicardia
Falta de ar
Sudorese
É uma batalha silenciosa. Muitas vezes, quem sofre aprende a sorrir por fora enquanto trava uma guerra interna por dentro. Cancela compromissos, evita situações, sente culpa por não conseguir “simplesmente relaxar”.
Mas é importante dizer: ansiedade tem tratamento. Psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico quando necessário, mudanças no estilo de vida e práticas de autocuidado fazem diferença real. Falar sobre o que se sente é um passo poderoso. Buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza.
Se você convive com a ansiedade, lembre-se: você não é seus pensamentos. Sua mente pode estar em turbulência, mas isso não define quem você é. Há caminhos, há apoio e há esperança.
E se você conhece alguém que enfrenta essa luta diária, ofereça acolhimento em vez de julgamento. Às vezes, o que mais cura é saber que não se está sozinho.
Ester Gouveia Viana
Psicóloga Clínica|CRP 16/6077
Terapia Cognitivo-Comportamental