16/07/2017
A DOR INVISÍVEL E SEUS ASPECTOS PSICOLÓGICOS - FIBROMIALGIA
Daniel A. de Toledo Gomes
Psicólogo - CRP 20/7509
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O termo ‘fibromialgia’ refere-se a um quadro de dor generalizada e crônica e é considerada como uma síndrome, já que engloba diferentes manifestações clínicas que a caracterizam, por exemplo: dor intensa, fadiga, distúrbios do sono, indisposição.
Em 1992, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reconheceu como doença e dados mostram que ela ocorre com maior frequência em mulheres, sendo 80% dos casos diagnosticados. A frequência na população geral é de 1 a 5%.
O diagnóstico, entretanto, é bem complexo, já que não existem exames específicos que “detectem” a fibromialgia, sendo necessária uma investigação clínica aprofundada por profissionais experientes e atualizados no assunto. Isso porque, apesar de hoje ser compreendida como uma forma de reumatismo (envolvendo músculos, tendões e ligamentos), a doença não deixa “marcas”, isso é, não causa qualquer tipo de deformidade, sequela ou alteração na estrutura física.
A origem desta condição ainda é desconhecida e cada vez mais profissionais da área tem se dedicado a estuda-la e a encontrar respostas que auxiliem no tratamento. As questões emocionais e sociais, por exemplo, são fatores amplamente associados à ocorrência da fibromialgia, porém, ainda é incerto afirmar que ela é causada por intercorrências psicossociais ou se o que acontece é justamente o oposto: que a dimensão emocional é uma consequência do sofrimento causado pela dor e outras questões, como a incompreensão familiar e social frente aos sintomas. Entretanto, ainda não existe uma evidência científica que relacione a fibromialgia com outras condições psicológicas ou psiquiátricas.
Observações em pacientes, porém, demonstram que a ocorrência de estresse ou ansiedade podem agravar as crises e a sensação de dor por conta de uma sobrecarga na estimulação.
Voltando à questão social e familiar, a incompreensão é um elemento que dificulta não só a condição do paciente, mas também a sua forma de lidar com ela. A dor intensa muitas vezes incapacita o indivíduo de realizar atividades cotidianas como trabalhar e mesmo as mais prazerosas – que envolvem o lazer. Como consequência podem ocorrer quadros de ansiedade, depressão, isolamento, entre outros, agravados pelo pouco acolhimento das pessoas próximas, já que não conseguem visualizar as causas da dor e demais sintomas.
Não há um tratamento específico para a fibromialgia, mas sim um controle de seus sintomas e de suas crises. Uma das formas controle é então o acompanhamento psicológico, fundamental nesta doença, pois irá auxiliar o paciente a encontrar estratégias de enfretamento dos sintomas e das consequências sociais e emocionais. Caso haja a ocorrência de outros transtornos psicológicos devidamente diagnosticados, pode ser necessária a intervenção medicamentosa para esses quadros específicos.
Atividades físicas orientadas pelos profissionais de saúde também são de extrema importância, pois, além de auxiliarem no controle dos níveis de estresse e ansiedade, contribuem para o relaxamento das áreas afetadas pela dor, melhoram o condicionamento físico, cardiovascular, o alongamento, entre outros benefícios.
O tratamento medicamentoso orientado pelo médico engloba normalmente antiinflamatórios, que amenizam a dor e inflamação, mas são associados a outros medicamentos para que seu efeito seja mais assertivo.
Fonte: Psicologia Acessível