04/03/2026
… Tenho observado algo que tem me inquietado e sendo muito frequente no consultório.
As mães estão com medo de serem mães!
Medo de dar colo demais.
Medo de “acostumar mal”.
Medo de amamentar em livre demanda, ou escolher outro caminho.
Medo de dormir junto.
Medo de não estimular o suficiente.
Medo de estimular demais.
Medo de errar.
Existe hoje uma avalanche de informações. Perfis, cursos, métodos, regras, cronogramas, rotinas perfeitas.
Mas, no meio de tanta orientação, muitas mulheres estão se desconectando da própria intuição.
Elas chegam até mim quase pedindo permissão:
“Eu posso dar colo?”
“Eu posso deixar ele dormir no meu peito?”
“Eu posso confiar no que eu estou sentindo?”
E a resposta é: você pode e deve ser mãe do seu filho!
A ciência é fundamental. Informação de qualidade é indispensável.
Mas maternidade não é execução de protocolo. É vínculo.
Não é sobre fazer tudo “certo”.
É sobre estar presente, disponível e conectada, essa conexão só irá acontecer se o medo perder o protagonismo e o perfeccionismo perder sua força.
Nenhum bebê precisa de uma mãe perfeita.
Precisa de uma mãe possível, segura o suficiente para amar com verdade e leveza, e entendendo que esse amor vai se construindo e solidificando.
Se você sente que quer acolher, acolha.
Se sente que seu filho precisa de você, esteja.
Se algo dentro de você diz que aquele é o melhor caminho, escute.
A era da informação não pode silenciar a sua voz interna.
Maternidade não é performance, isso é insustentável.
É relação.
E relação se constrói com presença, observação, erros e acertos, tempo… não com medo.