Camila Scarpati Dias - Psicóloga e Psicanalista

Camila Scarpati Dias - Psicóloga e Psicanalista Meu nome é Camila Scarpati Dias, sou psicóloga (16/6902) e psicanalista, atendo na cidade de Vitor

As Guerrilla Girls colaram cartazes nos museus para lembrar que relações de poder existem inclusive na arte. Elis, Simon...
22/01/2026

As Guerrilla Girls colaram cartazes nos museus para lembrar que relações de poder existem inclusive na arte.

Elis, Simonal, Elza e sofreram cada um a seu modo com cancelamentos. Nara Leão, mocinha da zona sul, cercada de privilégios, se propôs a construir pontes, levando o samba do morro ao asfalto, abriu espaço para o novo, fez Carcará.

Sempre me impressionou como as verdadeiras transformações não acontecem por rupturas abruptas, mas por passagem.

Ao assistir Caetano e Bethânia cantando Isa no show vi pontes sendo construídas. E agora Menescal levando a bossa nova às novas gerações, com Luísa Sonza, é ponte outra vez, com a única musica inédita do álbum sendo composta por ela. Ele poderia f**ar no lugar da queixa e “jogar pedra na Geni”, mas não.

Infelizmente se esses são mais excessões do que o habitual na arte e na vida. Muita vezes seguimos investindo energia em criar abismos.

Como se o espaço fosse escasso e, para um crescer, outro precisasse desaparecer. E talvez esse seja um dos maiores enganos que herdamos e que só está a serviço de quem tem o interesse em desagregar mais e mais.

A gente não se dá conta que toda vez que um alguém abre caminho, ele não ocupa um lugar: ela amplia o território.
Toda vez que uma geração escuta a outra, não perde identidade: ganha futuro.

A arte não avança por competição, mas sim por transmissão. Só que se fazer ponte é muito mais difícil do que ser muro, exige um empenho muito maior, mas é só assim que a história continua.

Tecnicamente, sobre música posso falar pouco, só entendo o suficiente para saber do que gosto, e gosto de bastante coisa, felizmente diferentes entre si.

Dito isso, fico feliz e escutando e assistindo basicamente tudo que é fruto do trabalho de Sonza e Menescal.

Ser responsável pela nossas escolhas é radicalmente diferente de ser refém delas. O lugar de refém supõe um outro (pai, ...
03/01/2026

Ser responsável pela nossas escolhas é radicalmente diferente de ser refém delas.

O lugar de refém supõe um outro (pai, mãe, chefe, parceiro amoroso) que nos mantém ali.

Achar que há a possibilidade de viver sem sustentar decisões e as delegar a esses outros é o jeito mais rápido de se fazer refém ao invés de se assumir responsável.

Ao assumimos que a chave do cativeiro está com a gente o tempo todo f**a mais possível ocupar outros lugares na vida que não os porões.

Porque no instante em que reconhecemos que até a omissão é uma decisão, o cativeiro perde força e a responsabilidade deixa de ser só peso para virar possibilidade.

E é aí que a frase do Guimarães Rosa toma corpo: “o que a vida quer da gente é coragem” inclusive de deixar o porão quando a porta sempre esteve destrancada.

“És um dos deuses mais lindos…” já diria Caetano e eu não poderia dizer melhor. Sempre gostei de filmes sobre viagens no...
31/12/2025

“És um dos deuses mais lindos…” já diria Caetano e eu não poderia dizer melhor.

Sempre gostei de filmes sobre viagens no tempo. Tem para todos os gostos e quase todos chegam à mesma conclusão: tentar consertar fatos pode ter consequências desastrosas, mas pode mudar as leituras que fazemos deles.

O tempo não se dobra, quem se transforma somos nós.

Às vezes quando depois de muito caminhar encontramos algo que sempre esteve ali mas que não era possível ler antes.

Um dos mais lindos que já assisti é de um livro que virou peça que virou filme, “A máquina”, com um elenco incrível, trilha sonora que dialoga com a história e diálogos que parecem cantados.

Talvez a arte possa dizer sobre o tempo melhor que qualquer textão
porque ela não tenta colocá-lo em caixinhas ou prender na lógica do relógio.

Ao nos propormos a olhar de novo. É possível então que o passado mude sem precisarmos entrar no Delorean (e se não entendeu a metáfora, ainda dá tempo de assistir esse clássico do cinema!).

Cresci assistindo todos os filmes de natal possíveis na televisão com finais felizes com muita neve. Por aqui as coisas ...
26/12/2025

Cresci assistindo todos os filmes de natal possíveis na televisão com finais felizes com muita neve.

Por aqui as coisas sempre foram diferentes em muito sentidos.
Se Natal tem alguma coisa a ver com Ideal, isso se limita a rima.

Lamento (ou não) informar que a ceia ideal, a família ideal, a noite ideal são tão reais quanto o papai noel.

Talvez por isso eu goste tanto do dia seguinte, daquilo que vem depois, quando ninguém mais espera por uma mesa impecável ou acha necessário esperar até meia noite para qualquer coisa.

Ficamos com um monte de restinho misturado e aquela pergunta de porque não nos empenhamos mais vezes em assar um peru em casa (mas o que seria do Natal se fizéssemos isso?).

O dia seguinte é o dia da dignidade daquilo que f**a.

O que ficou da comida, das conversas, dos afetos, quando não pensamos mais ser necessário performar felicidade mas sim a leveza de quando não se espera muito mais do que a vida acontecendo.

Há dignidade no que não é perfeito. E em tempos de redes sociais é cada vez mais necessário lembrar da legitimidade daquilo que escapa a imagem. Talvez exatamente porque o que é possível existir é sempre outra coisa.

Quando foi a última vez que você discordou de alguém sem tentar mudar a opinião dessa pessoa?Difícil lembrar?Cada vez ma...
12/12/2025

Quando foi a última vez que você discordou de alguém sem tentar mudar a opinião dessa pessoa?

Difícil lembrar?

Cada vez mais a gente anda viciado em convencer, tão treinado em responder rápido, a “ganhar” conversas que quase já não sabe mais apenas discordar.

E a cultura da lacração piora isso.
Lacrar virou um tipo de fechamento elegante: uma frase afiada que encerra tudo, como quem coloca um lacre em cima da conversa e diz “não tem mais nada pra ver aqui”.

Só que lacrar não é dialogar. Podemos ver como defesa, performasse, mas diálogo? Aí não.
Talvez uma narcísica que nos devolve a sensação confortável de estar certo, do lado perfeito, fadas sensatas.

E o algoritmo adora nos fazer sentir assim, afinal, nós adoramos nos sentir assim. Então, ele nos mostra exatamente aquilo que acende, inflama, provoca.
Porque quanto mais a gente reage, mais ele entrega o mesmo e mais continuamos ali (ou aqui). Junto aos nossos iguais, discordando dos diferentes, lacrados nos mesmos em nossas bolhas.

Só que esse conforto tem um preço alto.
A gente se desresponsabiliza de ouvir,
de sustentar nuance, de rever posição, de se implicar. E ainda gastamos pautas relevantes e banalizamos lutas de séculos.

Quando tudo vira disputa, perdemos a possibilidade de conversa, da alteridade, de circular a palavra.

Então volto a pergunta quando foi a última vez que você discordou de alguém sem tentar mudar essa pessoa?

E talvez — palpite meu —
seja esse um caminho para o mundo volte a f**ar um pouco mais respirável.

Treze anos e algumas pedras separa uma da outra que aqui coexistem e dentro se conversam num papo interessante sobre com...
28/11/2025

Treze anos e algumas pedras separa uma da outra que aqui coexistem e dentro se conversam num papo interessante sobre como a vida tem das suas. Ou das nossas. Do que somos capazes de inventar para ela. De quantas vidas colocamos em uma vida, que nunca parece ser o suficiente pelo tanto que há pela frente.
A gente sofre até quando está feliz.
Inclusive feliz e talvez, principalmente feliz.
E na melhor das hipóteses nossas angústias passam por aí.

Ela chegou quando tudo estava em outro lugar. Passou por uma mudança, testemunhou minhas angústias e tantas outras. Ouvi...
25/11/2025

Ela chegou quando tudo estava em outro lugar. Passou por uma mudança, testemunhou minhas angústias e tantas outras. Ouviu muitas histórias, e ontem, no funcionamento, no comecinho da noite, descansou.
Tem o que chega ao fim por estar parado, mas também tem o que só é possível parar quando está funcionando.
Fui em busca de outra no mesmo lugar da que durou seis anos.
Me avisaram que as desse tipo esquentam muito, não pode colocar com cúpula em volta.
Disse que poderiam f**ar tranquilo, conheço dessas.
Aqui elas tem espaço para brilhar.
O brilho delas que é o protagonista, não a cúpula.

De quantos lugares diferentes é possível contar uma história?Já assisti muita coisa sobre o Ayrton Senna, documentários,...
08/11/2025

De quantos lugares diferentes é possível contar uma história?

Já assisti muita coisa sobre o Ayrton Senna, documentários, a série da Netflix e agora, a produzida pela Warner é disponível na HBO Max com a perspectivada Adriane Galisteu.

Em metodologia da História adorava quando a gente estudava um mesmo “fato” a partir de autores com visões de mundo diferentes. Não sabia mas tinha alguma coisa ali preciosa sendo ensinada sobre a clínica: não cabe a nós buscar verdades, elas existem a partir de perspectivas únicas e a que importa na escuta analítica é a que o insconsciente.

Restar se manter curioso, provocador e atento ao que é dito “sem querer” dizer.

De quantos lugares diferentes é possível contar uma história?Já assisti muita coisa sobre o Ayrton Senna, documentários,...
08/11/2025

De quantos lugares diferentes é possível contar uma história?
Já assisti muita coisa sobre o Ayrton Senna, documentários, a série da Netflix e agora, a produzida pela Warner é disponível na HBO Max com a perspectivada Adriane Galisteu.
Em metodologia da História adorava quando a gente estudava um mesmo “fato” a partir de autores com visões de mundo diferentes. Não sabia mas tinha alguma coisa ali preciosa sendo ensinada sobre a clínica: não cabe a nós buscar verdades, elas existem a partir de perspectivas únicas e a que importa na escuta analítica é a que o insconsciente.
Talvez o caminho possível e ético a percorrer seja se manter curioso, provocador e atento ao que diz sem querer dizer.

Movimento precisa de espaço. Palavras também. O ímpeto é completar a fala do outro, dizer por ele, ou pior ainda, explic...
28/10/2025

Movimento precisa de espaço.
Palavras também.

O ímpeto é completar a fala do outro, dizer por ele, ou pior ainda, explicar o que outro sente.

Lacunas são insuportáveis.

Muitas vezes tudo que se pensa querer é quem complete as nossas. Mas Freud já adiantava que aquele que interpreta pelo outro é como ofertar um cardápio a quem tem fome.

O exercício da clínica coloca o analista a trabalhar com as palavras e sons que vem do analisando até que a esse seja possível escuta-los e escrevê-los de outros jeitos.

As lacunas em uma análise não são preenchidas pelo analista.

Ofertar palavras pode tirar a riqueza dos múltiplos sentidos possíveis a serem dados por quem de fato pertence o texto escrito em uma análise.

No encontro com psicanalistas escutei: “a psicanálise está no mundo, onde estão os psicanalistas?”Penso a escuta no cons...
26/10/2025

No encontro com psicanalistas escutei: “a psicanálise está no mundo, onde estão os psicanalistas?”

Penso a escuta no consultório possivel se articulada à escuta do mundo, f**ando um pouco imundo do mundo (como também escutei), se deixar sujar como criança que volta para casa com as marcas da brincadeira na rua, do contato com o outro. É necessário ir para a vida aberto a ela.

No dia seguinte fui ao estádio de futebol:
-vai tomar no cu!
-vai tomar no cu!
-filho o único lugar do mundo que você pode falar vai tomar no cu é aqui, ouviu bem? - disse o pai para a criança que não devia ter mais que 6 anos - não fazer igual ao meu pai não me deixava xingar. aqui a gente pode, combinado?
-combinado, pai!

Na volta, já na fila de embarque, sozinha, exatamente embaixo da seta escrito grupo 1 black, bla bla bla.

- Seu grupo é o grupo um? - me perguntou outro passageiro.
- Sim - respondi diante da violência simbólica.

Se havia dúvida sobre a fila, a pergunta poderia ser se aquela era /a fila/ do grupo um, ao invés de se /o meu/ grupo era o um. Não perguntei o porquê da pergunta. Talvez por preguiça minha em prolongar a conversa, não consegui devolver o desconforto.

Enquanto mulher branca que não sofro efeitos de racismo, e do quanto certameente é muito mais exaustivo afirmar pertencimento a todo tempo a partir da cor da pele, nesse caso foi etarismo, machismo…

Pertencer não é fácil, e é algo que todos buscamos. Passamos a vida num processo de alienação, separação e pertencimento ao lugares que nos propomos ocupar.

Vivemos num pais extremamente desigual com elites que desde sempre não abrem mão de seus privilégios. Já eu, não estive desde sempre no tal grupo um. Talvez ver alguém sem os adereços, trejeitos ou códigos “certos” ali cause o estranhamento que motivou a pergunta.

Cada um com seus problemas, e esse não é meu ;)

Voltar pra casa pensando que assim como o artista tem que ir a onde o povo está, o psicanalista também precisa estar atento a escutar que o mundo diz.

Texto escrito no avião, com o outro personagem dessa história sentado na mesma fileira, um espaço entre nós, e eu na janela ;)

No encontro com psicanalistas escutei: “a psicanálise está no mundo, onde estão os psicanalistas?”Penso que o que permit...
26/10/2025

No encontro com psicanalistas escutei: “a psicanálise está no mundo, onde estão os psicanalistas?”

Penso que o que permite a escuta no consultório é a escuta no/do mundo. Se permitir f icar um pouco imundo do mundo, se deixar sujar como criança que volta para casa com as marcas da brincadeira na rua, do contato com o outro.

No estádio de futebol:
-vai tomar no cu!
-vai tomar no cu!
-filho o único lugar do mundo que você pode falar vai tomar no cu é aqui, ouviu bem? - disse o pai para a criança que não devia ter mais que 6 anos - não fazer igual ao meu pai não me deixava xingar. aqui a gente pode, combinado?
-combinado, pai!

No aeroporto: fila de embarque, sozinha, exatamente embaixo da seta escrito grupo 1 black, bla bla bla.
- Seu grupo é o grupo um? - me perguntou outro passageiro.
- Sim - respondi com educação diante da violência simbólica.

Se havia dúvida sobre a fila, a pergunta poderia ser se aquela era /a fila/ do grupo um, ao invés de se /o meu/ grupo era o um.

Enquanto mulher branca que não sofro efeitos de racismo, e do quanto certameente é muito mais exaustivo afirmar pertencimento a todo tempo a partir da cor da pele, nesse caso foi etarismo, machismo…

Pertencer não é fácil, e é algo que todos buscamos. Passamos a vida num processo de alienação, separação e pertencimento ao lugares que nos propomos ocupar. Vivemos num pais extremamente desigual com elites que desde sempre não abrem mão de seus privilégios. Já eu, não estive desde sempre no tal grupo um. Talvez ver alguém sem os tons, trejeitos ou grifes “certos” ali cause o estranhamento que motivou a pergunta.

Cada um com seus problemas, e esse não é meu ;)

Voltar pra casa pensando que assim como o artista tem que ir a onde o povo está, o psicanalista também precisa estar atento a escutar que o mundo diz.

Esse texto foi escrito no avião, com o tal passageiro sentado na mesma fileira, mas eu na janela ;)

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