22/01/2026
As Guerrilla Girls colaram cartazes nos museus para lembrar que relações de poder existem inclusive na arte.
Elis, Simonal, Elza e sofreram cada um a seu modo com cancelamentos. Nara Leão, mocinha da zona sul, cercada de privilégios, se propôs a construir pontes, levando o samba do morro ao asfalto, abriu espaço para o novo, fez Carcará.
Sempre me impressionou como as verdadeiras transformações não acontecem por rupturas abruptas, mas por passagem.
Ao assistir Caetano e Bethânia cantando Isa no show vi pontes sendo construídas. E agora Menescal levando a bossa nova às novas gerações, com Luísa Sonza, é ponte outra vez, com a única musica inédita do álbum sendo composta por ela. Ele poderia f**ar no lugar da queixa e “jogar pedra na Geni”, mas não.
Infelizmente se esses são mais excessões do que o habitual na arte e na vida. Muita vezes seguimos investindo energia em criar abismos.
Como se o espaço fosse escasso e, para um crescer, outro precisasse desaparecer. E talvez esse seja um dos maiores enganos que herdamos e que só está a serviço de quem tem o interesse em desagregar mais e mais.
A gente não se dá conta que toda vez que um alguém abre caminho, ele não ocupa um lugar: ela amplia o território.
Toda vez que uma geração escuta a outra, não perde identidade: ganha futuro.
A arte não avança por competição, mas sim por transmissão. Só que se fazer ponte é muito mais difícil do que ser muro, exige um empenho muito maior, mas é só assim que a história continua.
Tecnicamente, sobre música posso falar pouco, só entendo o suficiente para saber do que gosto, e gosto de bastante coisa, felizmente diferentes entre si.
Dito isso, fico feliz e escutando e assistindo basicamente tudo que é fruto do trabalho de Sonza e Menescal.