06/02/2026
Ontem estive em um lançamento de livro de um pesquisador que é Ph.D. em ciência política e mestre em estatística que tenta com números e dados ajudar a entender um pouco desse conjunto de pessoas que chamamos povo brasileiro.
Dia desses reli meus trabalhos de conclusão das graduações em história e em psicologia. Me dei conta que nos duas usei dados, na tentativa de a partir deles construir um saber. Não “só com eles”, claro, mas “também com eles”.
O que tem a ver com psicologia e psicanálise? Além de escutar pessoas que estão imersas (cada uma a sua maneira) em algo maior chamado país, querendo ou não, a gente faz conta o tempo todo.
Neuroticamente elaboramos balanços inconscientes da nossa relação com os outros (e olha que nem estou falando sobre investimentos de tempo e dinheiro).
Os números compõem uma linguagem em que muitas vezes não nos sentimos fluentes, e por isso mesmo nosso primeiro movimento é afastar e dizer que de nada vale. Será esse um caminho?
Humildemente acho que dados eticamente trabalhados e bem escutados desorganizam certezas e nos obrigam a olhar para além da nossa experiência imediata que tomamos como medida do mundo. Deixam claro o quanto aquilo que viamos como universal ou majoritário pode ser bem diferente.
Afinal, desculpa se doer aí, é bom lembrar que a nossa percepção, e a da nossa bolha de estimação, não dá conta das diferentes realidades.
Tanto Felipe Nunes especif**amente sobre os brasileiros quanto Hans Rosling, com dados de em dezenas de países chegam a uma mesma conclusão: sabemos muito menos sobre o mundo a nossa volta do que pensamos saber. Em suas pesquisas, em relação a perguntas do cotidiano como “qual o índice de desemprego do país” ou “o número de assassinatos nos últimos x anos” a quantidade de acerto dificilmente ultrapassa 20%.
Talvez o papel dos dados hoje seja esse: produzir um pequeno incômodo. E, com sorte, um pouco mais de mundo dentro de nós, mundo esse que pode ser até melhor do que esperamos, ou menos contaminado com nossos medos e preconceitos.