10/03/2026
Muitos pacientes chegam ao consultório sentindo-se "condenados" pelo histórico familiar.
É verdade que a genética pode carregar a arma, alterações em genes como o COMT (que regula a dopamina) ou o SLC6A4 (serotonina) criam, sim, um terreno fértil para a sensibilidade.
Mas ter o gene não é o mesmo que ter a doença.
O ambiente é quem puxa o gatilho. Um trauma físico, um estresse emocional severo ou até uma infecção viral (como o Long COVID) podem ser o "evento ativador".
É aqui que entra a Epigenética: mecanismos biológicos que funcionam como interruptores, "ligando" ou "desligando" seus genes sem alterar seu DNA.
Diferente da sua sequência genética, que é imutável, as marcas epigenéticas são reversíveis.
Quando ajustamos o estilo de vida, o microbioma intestinal e o manejo do estresse, estamos, na prática, enviando novos comandos para as suas células pararem de produzir dor.
Você não é apenas uma vítima da sua hereditariedade. Você é um sistema biológico dinâmico, capaz de reprogramar a própria resposta ao mundo.
Dr. André Gomes Felix Cordeiro - CRM/ES 8502.