14/09/2022
Dia Mundial da Dermatite Atópica.
O que é a Dermatite Atópica e quais os principais sintomas desta doença?
é uma doença inflamatória crónica da pele, que se estima afetar cerca de 10 a 20% da população pediátrica a nível mundial, mas pode atingir qualquer idade. Nestes doentes a pele é tipicamente muito seca e áspera o que causa comichão, e surgem lesões de eczema que se manifestam por pele vermelha, com borbulhas, descamação, vesículas (pequenas borbulhas com líquido) e crostas e que, nas formas mais graves, se tornam numa pele muito espessa às vezes com fissuras e feridas com crosta.
As lesões nos primeiros anos de vida afetam sobretudo a face e os braços e pernas, mas com a idade tendem a ficar mais crónicas e confinadas às flexuras dos braços e pernas, punhos e tornozelos, mas com frequente envolvimento da face (pálpebras e lábios) e pescoço, mamilos e região ge***al.
As principais queixas dos doentes?
A queixa principal é a comichão por vezes com intensidade tal que impede o sono e a concentração, e obriga a coçar de forma desesperada, causando feridas adicionais na pele.
Esta comichão é pior durante a noite, com o calor da cama, no contacto direto com roupas de lã ou tecidos mais “ásperos” ou ainda quando se transpira, por exemplo durante a prática de desporto.
Estes doentes referem ainda frequentemente dor na pele ou outros sintomas como picadelas, desconforto, mal-estar às vezes pouco definido, mas muito incomodativo.
O impacto desta doença nas crianças/adolescentes e nos seus pais/cuidadores?
O impacto da doença nas crianças mais pequenas resulta do desconforto que as impede de dormir e causa irritabilidade frequente.
Nas crianças mais velhas, a doença tem um alto impacto emocional pela visibilidade das lesões e nas limitações que causa. Tanto as crianças como os pais e cuidadores que lidam diariamente com a doença referem perda de “alegria”, “sono” e “liberdade” e impacto na criação de relações de amizade, na escola e no desporto, o que pode levar a episódios de ansiedade e tristeza.
São assim frequentes os efeitos da D.A. ao nível emocional, com sentimentos como vergonha, ansiedade e frustração. Os distúrbios do sono, que afetam a maioria dos doentes com formas moderadas a graves podem levar a fadiga e prejudicar o dia a dia, incluindo a performance de aprendizagem, ou provocar mesmo absentismo escolar.
Nos adolescentes, os relacionamentos, a participação em atividades de lazer e a prática de desporto podem estar significativamente comprometidas. A escolha da roupa para esconder as lesões ou para evitar o prurido no contacto com certos tecidos pode ser um problema no dia-a-dia destes jovens. Não é assim raro o isolamento de alguns destes doentes e o desenvolvimento de patologia psiquiátrica.
É ainda significativo o tempo necessário à correta realização dos tratamentos tópicos e da hidratação corporal no final dos banhos, bem como a necessidade de acompanhar as crianças nas consultas ou em internamentos pontuais em fases de agudização.
O preço dos hidratantes e produtos de higiene corporal apropriados, que são um complemento absolutamente necessário ao tratamento destes doentes, mas não são comparticipados, pode criar um impacto significativo no orçamento familiar.
Como minimizar o impacto criado pela frustração e ansiedade, especialmente nos adolescentes?
Explicar de forma simples o que se passa na pele para que o doente compreenda como evitar fatores de agravamento e entenda o benefício dos tratamentos.
Mas a melhor forma para minimizar a frustração é oferecer aos doentes os tratamentos mais efetivos que controlam os sinais e os sintomas da doença. Muitos destes doentes sofrem de outras doenças frequentemente associadas à Dermatite Atópica, como as alergias alimentares, a patologia ocular (conjuntivites alérgicas), a asma ou a rinite alérgica, doenças que podem complicar ainda mais a vida destes doentes.
Existem tratamentos disponíveis?
De momento não há cura para esta doença crónica que, por vezes, se resolve com a idade ou que surge apenas na idade adulta, mas existem tratamentos que podem minimizar ou mesmo eliminar as manifestações.
Além dos hidratantes, os tratamentos locais incluem essencialmente cremes e pomadas de corticosteroides que devem ser adaptados ao tipo e localização das lesões;
É necessário, contudo, ter atenção às contraindicações destes medicamentos (infeções ativas como a tuberculose) e aos seus efeitos adversos (hipertensão arterial e lesões renais, hematológicas ou hepáticas) sobretudo em tratamentos de longa duração.
Os corticoides orais devem ser evitados, a não ser em períodos muito curtos e, normalmente, para controlar agudizações de forma mais imediata.
Porque é importante falar sobre esta doença?
Importa conhecer a doença para a desmistificar, de forma que o público em geral não permita o isolamento destes doentes e, sobretudo, para informar os doentes da existência de terapêuticas já disponíveis no nosso país que lhes podem modificar a vida.
Devem ainda saber que a Dermatologia está a trabalhar para aperfeiçoar e descobrir futuras terapêuticas que possam ser ainda mais eficazes ou mais adaptadas.
Há assim uma nova esperança para um futuro com melhor qualidade de vida e mais normalidade para os doentes com Dermatite Atópica., mesmo nas formas mais graves da doença.
Fontes: https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/dermatite-atopica-nao-existe-cura-para-esta-doenca-cronica-mas-existem-tratamentos-que-podem-minimizar-ou-mesmo-eliminar-as-manifestacoes ;