06/11/2025
"𝐕Ã𝐎 𝐒𝐀𝐈𝐑 𝐓𝐄𝐑𝐀𝐏𝐈𝐀𝐒 𝐏𝐑𝐎𝐌𝐄𝐓𝐄𝐃𝐎𝐑𝐀𝐒 𝐏𝐀𝐑𝐀 𝐀 𝐅𝐈𝐁𝐑𝐎𝐌𝐈𝐀𝐋𝐆𝐈𝐀"
Marcos Paulino Huertas Afirma:
Noemí Velasco
Ciudad Real
O tradicional rótulo de “paciente psiquiátrico” para os doentes de fibromialgia deixou actualmente de fazer sentido, paralelamente ao aumento do conhecimento entre profissionais das características desta doença, que pode chegar a afectar cerca de um milhão de pessoas em toda a Espanha, e o aparecimento de fármacos e novos tratamentos que melhorarão a sua qualidade de vida.
O médico especialista em Reumatologia do Hospital Geral Universitário de Ciudad Real, Marcos Paulino Huertas, mostrou a Lanza os avanços conseguidos nos últimos anos na investigação da doença e no seu tratamento, juntamente com as perspectivas de futuro.
Com o desejo de eliminar qualquer dúvida, Marcos Paulino Huertas explicou que a fibromialgia “é uma doença que produz dor difusa, cansaço extremo e que afecta a concentração e a memória”.
As mulheres entre quarenta e cinquenta anos são as mais afectadas e, segundo as diferentes estimativas realizadas, poderia estar presente em cerca de 20.000 numa província como Ciudad Real. É de especial interesse que as doentes de fibromialgia partilham a informação de que ao submeter-se aos primeiros exames médicos com o fim de obter um diagnóstico, estes dão resultados normais, razão que as levava a serem tratadas como pacientes psiquiátricas no passado.
O reumatologista do Hospital Geral Universitário de Ciudad Real disse que hoje em dia é possível diagnosticar a fibromialgia não só através do descarte de outras doenças, em consulta, mas também com técnicas avançadas e específicas. Desta maneria, os exames permitem comprovar que “as pacientes experimentam alterações não habituais nas terminações nervosas e no cérebro”, pelo que, segundo disse o especialista, “são mais sensíveis à dor que as outras pessoas”.
Paulino Huertas sublinhou que “mediante estudos como a ressonância funcional se vê claramente que a actividade neuronal e cerebral é diferente”.
O reumatologista assinalou que actualmente a percentagem na detecção de fibromialgia é muito importante, dado o aumento da formação no âmbito sanitário sobre esta doença e também pelo importante trabalho de consciencialização que tem existido com a introdução, por exemplo, de seu estudo nos currículos das facultades de medicina.
Também tem havido avanços no que se refere à fadiga crónica, uma doença “parecida”, caracterizada por um esgotamento intenso que, contudo, pode implicar ocasionalmente o sistema imunológico e que afecta metade das pacientes de fibromialgia.
Apesar da fibromialgia não ter cura, de momento, Marcos Paulino Huertas indicou que as investigações relacionadas pretendem “aumentar a qualidade de vida dos doentes crónicos, de maneira que possam aceder a tratamentos eficazes”.
Sem medicamentos oficiais para o tratamento da fibromialgia na Europa, ainda que existam três nos Estados Unidos e que dois deles sejam utilizados por especialistas europeus – embora, a nível comunitário, “não sejam considerados suficientemente eficazes”, pelo que não são reconhecidos pelas instituições.
Marcos Paulino Huertas, por outro lado, afirmou que “vão sair em breve novos tratamentos e mais medicamentos”, que estão agora em período de ensaio. De facto, este reumatologista disse, com ar esperançoso, que “vão sair novas terapias prometedoras” para os pacientes. O objectivo é reduzir a sensibilidade à dor dos doentes, “reduzir o seu excesso de inflamação neuronal”.
As investigações recentes também assinalam que esta doença, que pode estar ligada ao s**o feminino por questões de tipo hormonal e que tem um componente genético, como o demostra o facto de as filhas e as netas de doentes terem um risco de sofrerem de fibromialgia oito vezes maior, pode estar relacionada com “uma alteração brusca” a nível físico o psíquico, ou com uma “situação de stress”, de forma que as pessoas geneticamente predispostas a sofrer dela poderiam desenvolvê-la, nesses casos.
Além disso, o especialista referiu que “as pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão podem ter uma maior facilidade para a desenvolver”, e acrescentou que, “não porque sejam pacientes somáticos, mas sim porque os neurotransmissores do estado de espírito estão relacionados com a percepção da dor”, determinantes para a fibromialgia.
A doença pode apresentar alguns dos seus sintomas desde a infância, como “dor de ossos ou de crescimento”; e o especialista recomenda ir ao médico de família para determinar quanto antes um prognóstico quando exista dor de cabeça ou geral e haja precedentes familiares, sobretudo porque os médicos de família “são os principais especialistas em fibromialgia e estão muito preparados” para a tratar.