31/12/2025
— Refletindo sobre 2025 —
Foram muitas lições.
Algumas bonitas.
Outras duras.
Talvez a mais difícil tenha sido aprender a escutar o corpo quando a mente ainda está gritando.
Aceitar que, às vezes, mente e corpo discordam —
e que, nesses momentos, é a mente que precisa ser acalmada.
Mas se tem uma lição que salvou a minha psique, foi a lição da alegria.
Não alegria como "excitement".
Alegria como respirar.
Como o riso que cria espaço quando tudo parece apertado demais.
Como a leveza que vem depois de tocar a dor real, não antes.
Como a capacidade de sorrir — até da própria tragédia — não por negação,
mas porque o riso traz ar. Oxigênio. Vida.
Muitas vezes eu estive triste, perdida, encurralada.
E foi essa alegria simples — esse sorriso que surge depois da verdade —
que me permitiu continuar.
Mas houve um X neste ano.
Um encontro que marcou fundo.
O encontro com o Xamã...
Um homem nos seus setenta anos, de presença absoluta.
Ele me olhou com uma atenção tão inteira que o tempo pareceu parar.
E ele me disse, com simplicidade e verdade, que ainda era aprendiz...
Aquilo me atravessou.
Ele me falou do meu animal.
Do animal que me guia.
E me disse algo sobre vontade — sobre o willpower que não existe do jeito que a gente imagina,
e que há momentos em que não é força que nos salva,
mas aceitação.
Nada ali era discurso.
Era presença.
Era um homem que sentiu a própria dor, foi além dela,
conversou com seus ancestrais, com espíritos, com camadas profundas da existência.
E agora escuta — porque aprendeu a escutar a si mesmo.
Ali ficou claro para mim: ninguém escuta o outro sem antes ter aprendido a se escutar.
A presença dele curava.
O jeito como ele sorria dizia tudo.
Foi um daqueles encontros raros — encontros de alma —
que a gente passa a vida inteira esperando, mesmo sem saber.
Eu nunca vou esquecer daquele ritual.
Daquele dia.
Do que aconteceu com o meu corpo, com a minha mente.
Das presenças que senti antes, durante e depois.
Vai ficar comigo até o último dia da minha vida.
E, quem sabe, além.
Para 2026, meu desejo é esse:
que a gente não perca a capacidade de respirar através da alegria.
Que o riso continue sendo um lugar seguro depois da dor.
Que a leveza siga como aliada, não como fuga.
Que existam mais encontros de alma.
Mais presença.
Mais escuta verdadeira.
E que a alegria — essa alegria honesta, conquistada —
continue salvando o que precisa ser salvo.
Feliz Ano Novo, Tribo. ✨
Com carinho,
Laz 🌷
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