Palavras que não querem calar

Palavras que não querem calar Quando as palavras urgem!

"If a man were to know the end of this day's business ere had come; But it suffice us that the day will end, and then th...
25/04/2026

"If a man were to know the end of this day's business ere had come; But it suffice us that the day will end, and then the end be known. If we meet again, well then we'll smile and if not, well then this parting was well made."

(Julio César/ "Uncommon Valor": Gene Hackman)

"Se alguém pudesse saber o fim dos negócios deste dia antes que chegasse, já teria terminado; mas basta-nos que o dia termine, e então o fim será conhecido. Se nos encontrarmos novamente, então sorriremos, e se não, então esta despedida terá sido bem feita."

(Charles Bukowski - Um Vento que Sopra Fresco e Selvagem, TextosAutobiográficos)"eu não deveria ter culpado apenas meu p...
29/03/2026

(Charles Bukowski - Um Vento que Sopra Fresco e Selvagem, TextosAutobiográficos)

"eu não deveria ter culpado apenas meu pai, mas, ele foi o primeiro a me introduzir ao
ódio estúpido e cru.
ele era realmente bom nisso: tudo e qualquer coisa deixavam-no louco – coisas da menor importância traziam de imediato seu ódio
à superfície e eu parecia ser a principal fonte de sua irritação.

eu não o temia
mas suas fúrias faziam-me mal ao coração
porque ele era então grande parte do meu mundo e era um mundo de horror mas eu não deveria culpar apenas meu pai porque quando deixei aquele... lar... encontrei seus semelhantes em toda parte: meu pai era apenas uma pequena parte do todo, embora sua capacidade para odiar fosse a maior
entre as pessoas que já conheci.

mas os outros também eram bons nisso: alguns dos chefes de seção, dos vagabundos de rua, algumas das mulheres
com que vivi, a maioria das mulheres foi dotada para o ódio – culpando minha voz, minhas ações, minha presença
culpando-me de um modo geral
por aquilo que elas, em retrospecto, não haviam conseguido
fazer.

eu era simplesmente o alvo de seus descontentamentos
e num certo sentido
culpavam-me
por não ser capaz de retirá-las dos
escombros de seus passados; o que não levavam em consideração era
que eu também tinha meus próprios problemas – a maioria deles causada
pelo simples fato de viver com elas.

sou um sujeito tolo, que se alegra facilmente ou que chega mesmo
a uma estúpida alegria quase sem motivo
e se me deixam sozinho eu me viro numa boa.
mas vivi com tanta frequência e por tanto tempo junto a esse ódio
que

meu único recanto, meu único refúgio é estar longe de todos eles, quando estou em outro lugar, não importa onde – uma garçonete velha e gorda que me traz uma xícara de café
é em comparação como um vento que sopra fresco e selvagem."

"E agora, José?A festa acabou,a luz apagou,o povo sumiu,a noite esfriou,e agora, José?e agora, você?você que é sem nome,...
24/03/2026

"E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"

(Carlos Drummond de Andrade

Não te amei tentando ser perfeito; amei você com todas as imperfeições humanas que possuo.Com minhas dúvidas, com meus m...
24/03/2026

Não te amei tentando ser perfeito; amei você com todas as imperfeições humanas que possuo.
Com minhas dúvidas, com meus medos, com o desastroso de quem sente mais do que sabe explicar.

Eu te amei com o que eu tinha naquele momento, com as ferramentas emocionais que tinha aprendido, com a vontade sincera de fazer com que funcionasse.

Tentei te entender quando não sabia como. Ajustei meus tempos, minhas formas, minhas expectativas. Não porque me faltasse dignidade, mas porque achei que valia a pena insistir. Amei você como pude, sem manual, sem garantias, mas com intenção real.

Hoje não vou embora por orgulho. Vou embora por consistência. Porque amar não significa ficar a qualquer preço. Porque o carinho não justifica o desgaste eterno. Porque continuar onde você vai se desligando não é lealdade, é abandono próprio.

Ir embora não apaga o que eu senti. Não invalida o que eu tentei. Simplesmente reconheço que o amor também tem limites e que, quando esses limites se cruzam, a decisão mais saudável não é resistir, é soltar.

Amei-te como pude... e agora estou indo como devo. Sem ressentimentos, sem o drama do pecado, sem negar o que houve. Indo embora com a consciência tranquila de ter amado desde a honestidade e com maturidade suficiente para saber quando me retirar. Porque querer bem também inclui saber sair a tempo.

"Nesta casa, sou inteira para mim mesma. Aqui está o meu altar. Eu gosto assim, coberto de cera de vela velha e carregad...
16/03/2026

"Nesta casa, sou inteira para mim mesma. Aqui está o meu altar. Eu gosto assim, coberto de cera de vela velha e carregado de lembranças feridas do meu jardim. Esta é a marca cicatrizada que me lembra a minha infância, e esta é a flor seca que perdeu toda a sua perfeição suculenta, como eu perdi uma vez. Eu guardo essas coisas aqui na minha nova casa, construída com minhas próprias mãos no final da longa Estrada Vermelha, então eu sei que nunca devo olhar para trás.
Nesta casa, eu preparo minha própria magia. As velhas formas de fazer magia estão estampadas em minhas próprias células, e não preciso de nenhum Livro de Luz ou de Sombra para me dizer as palavras certas ou o cântico perfeito. Aqui, eu sou uma Bruxa-Sacerdotisa em uma congregação de um, e mesmo meus parentes mais próximos não conhecem todos os meus segredos.
Nesta casa, eu me derreto na fonte de tudo, me dissolvendo em um monte de carne e sangue para ser reesculpida por algum artesão divino. Aqui, ninguém me pergunta por que devo me tornar o eremita de vez em quando, e ninguém continua batendo quando me recuso a atender minha porta.
Nesta casa, acordo com a compreensão profunda da divindade feminina. Eu sou uma Deusa selvagem desencadeada dentro dessas quatro paredes, e usarei todas as joias que eu quiser. Aqui, ninguém estala a língua quando falo da luxúria da natureza e da dança cósmica. Aqui, vou me tornar eterna na Shakti antes do café da manhã. Aqui, rezo o dia todo e com todo o meu corpo, pois meus membros são uma bênção comovente.
Nesta casa, ninguém entra a menos que seja convidado. Aqui é onde espalhei o sal grosso e pintei as janelas com fumaça de cedro mais vezes do que posso contar. Esta é a Casa da Mulher Selvagem, e aqui a solidão é tão valorizada quanto a companhia. Entre se quiser, mas posso não pedir para você ficar. Esta é a minha casa, afinal, e se você está aqui tomando do meu vinho, minhas regras são lei."

"E se for para acontecer, não quero nada de tudo aquilo o que já foi escrito. Pelo contrário, quero tudo aquilo que, de ...
01/03/2026

"E se for para acontecer, não quero nada de tudo aquilo o que já foi escrito. Pelo contrário, quero tudo aquilo que, de tão bom que é, as palavras não bastem. Quero a intensidade daqueles amores breves de Verão, mas capazes de durar a vida inteira. Quero alguém que me desperte a mente e me desafie todos os dias. Que (me) veja para lá do óbvio e que me tire os pés do chão. Dispenso as rotinas e as coisas sempre programadas. Gosto da imprevisibilidade de alguém que chega só para te fazer sentir.
Quero entregar o meu coração a alguém que não tenha medo, que tenha consciência do quão fugaz é a vida e a queira de facto viver. Sem pensar muito. Sentir. Ir. Fazer acontecer.
Não quero quem me diga as mesmas coisas dia após dia e que me leve aos mesmos lugares de sempre com as pessoas de sempre. Quero tudo ao contrário. Novidade em cada dia como se tudo cheirasse a primeira vez. Quero sentir o friozinho no estômago quando sei que está para chegar e quero sentir o aperto no peito, quando for a hora de ir. De que serve o sentir sem esses extremos opostos?
Quero alguém que me faça ser tudo aquilo que sou e mais aquilo que quero ser e que, no final, sorria agradecido pela sorte que lhe calhou. Quero a lotaria do amor. Aquela que sai uma vez na vida e te faz ter um encontro de almas.
Quero alguém que tenha a alma colorida e que pinte a vida com essas cores... Alguém que (me) descubra nas coisas que eu não digo e que me faça ser capaz de acreditar em tudo. Quero um amor de Shakespeare com os poemas de Fernando Pessoa."

De todas as maneiras que há de amarNós já nos amamosCom todas as palavras feitas pra sangrarJá nos cortamosAgora já pass...
11/01/2026

De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos
Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

“Bebo à casa arruinada,às dores de minha vida,à solidão lado a ladoe a ti também eu bebo –aos lábios que me mentiram,ao ...
07/01/2026

“Bebo à casa arruinada,
às dores de minha vida,
à solidão lado a lado
e a ti também eu bebo –
aos lábios que me mentiram,
ao frio mortal nos olhos,
ao mundo rude e brutal
e a Deus que não nos salvou.”

____Anna Akhmátova

24/12/2025
"Não acho que você goste de pessoas", ela disse. Só para f***r", eu disse. (Charles Bukowski)Trecho: the undergroundLivr...
20/12/2025

"Não acho que você goste de pessoas",
ela disse. Só para f***r", eu disse.

(Charles Bukowski)
Trecho: the underground
Livro: The Days Run Away Like Wild Horses

"A Libélula nos lembra de abraçar a mudança, vivendo a vida ao máximo. Ela deixa o mundo subaquático que chamou de lar p...
11/11/2024

"A Libélula nos lembra de abraçar a mudança, vivendo a vida ao máximo.
Ela deixa o mundo subaquático que chamou de lar por anos para viver ao sabor dos ventos em seu breve tempo como um belo ser voador. Nunca se pode saber que aventuras extraordinárias podem estar nos esperando além do que nossos olhos nos deixam ver.
Deixe os ventos da mudança levá-lo em direções que você nunca sonhou ."

O poetaO poeta não gosta de palavrasescreve para se ver livre delas.A palavratorna o poetapequeno e sem invenção.Quandos...
17/09/2024

O poeta

O poeta não gosta de palavras
escreve para se ver livre delas.

A palavra
torna o poeta
pequeno e sem invenção.

Quando
sobre o abismo da morte,
o poeta escreve terra,
na palavra ele se apaga
e suja a página de areia.

Quando escreve sangue
o poeta sangra
e a única veia que lhe dói
é aquela que ele não sente.

Com raiva
o poeta inicia a escrita
como um rio desflorando o chão.
Cada palavra é um vidro em que se corta.

O poeta não quer escrever.
Apenas ser escrito.

Escrever, talvez,
apenas enquanto dorme.

(Mia Couto, em "Idades cidades divindades")

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