11/05/2026
Há encontros que não se explicam. Apenas se sentem.
Hoje, numa visita hospitalar, cruzei caminhos com o Senhor Luís. Há muito tempo que já não o via pelas ruas do Centro Histórico. Sabia, como tantos sabem, que se encontra internado. E, inevitavelmente, o pensamento é sempre o mesmo: que, dentro da sua condição, esteja bem.
O Senhor Luís é daquelas pessoas que deixam marca. Estimado, acarinhado e respeitado por muitos.
Entre uma longa conversa e silêncios reflexivos, palavra puxa palavra. E, com confiança, abre-me a porta a uma realidade que é só dele, e que honra poder escuta-la. Com a serenidade de quem viveu, aprendeu e compreendeu muito da vida, vai ligando mundos diferentes através de uma simplicidade rara e desarmante.
Falámos da rua, da liberdade e daquilo que, para muitos, é difícil compreender sob o seu ponto de vista. Diz-me que a rua é a sua casa, que é ali o seu lugar. E que ainda tem uma missão por terminar: proteger Évora daquilo que foge ao olhar comum.
Saí daquele encontro com a sensação de que há pessoas que continuam a ensinar, mesmo nos momentos mais frágeis da vida.
Partilho convosco este pequeno vídeo porque acredito que ainda precisamos muito de escutar quem viveu, quem sentiu e quem aprendeu com o tempo. E o conselho que nos deixa é daqueles que merecem ser ouvidos com tempo e coração. Talvez esteja aí uma das mensagens mais importantes para os tempos que vivemos.
E talvez a verdadeira humanidade esteja também na capacidade de respeitarmos os caminhos que não compreendemos totalmente, criando as condições para que cada pessoa possa viver com dignidade, verdade e paz aquilo que sente ser a sua missão.
Há encontros que parecem simples acasos.
Outros deixam-nos a sensação de que já estavam escritos.
Bem-haja!