23/03/2018
Psicomotricidade ❤️
De onde nasceu a psicomotricidade?
A psicomotricidade é uma coisa com um nome meio estranho, mas onde cabe um mundo lá dentro. Apesar de ter nascido na saúde mental infantil, a psicomotricidade tem vindo a demonstrar-se como essencial na prevenção e melhoria de sintomas de diversas áreas. Sendo uma terapia que vê o ser humano como um ser holístico, é também capaz de nunca o dissociar do meio.
O que quer isto dizer?
O psicomotricista não vai trabalhar uma única valência da criança em separado. Ele não vai trabalhar à vez o motor, o cognitivo, o emocional, a motricidade fina. Pelo contrário, ele acredita que tudo isto, desde o emotivo, ao cognitivo e ao motor em toda a sua variante, faz parte de um mesmo ser, e que ao se trabalhar uma parte, a outra também será trabalhada.
Esta nossa distinção é o que faz a diferença na prática. Se a criança tiver algum atraso numa aquisição motora ou da autonomia, mais do que trabalhar os músculos ou as posturas, vamos certificar-nos que a criança compreende a nova aprendizagem, que a generaliza, que realiza a transferência e que finalmente o integre no seu quotidiano. E se por exemplo a criança não conseguir aprender? Vamo-nos assegurar que a criança tem vivências motoras suficientes para suportar a nova aprendizagem no nível teórico. O corpo todo, desde a sua postura, ao equilíbrio, à coordenação, linguagem, pensamento e sentimento está envolvido neste processo. Por isso existem tantas necessidades educativas especiais, como a Perturbação do Espetro do Autismo e a Perturbação da Hiperatividade e Défice de Atenção que têm largos resultados com a psicomotricidade. Assim, o jogar, o divertir, o gostar e toda a dimensão afetiva encontram-se no nosso trabalho. Todas as crianças que passam por psicomotricidade jogam, jogam muito, mas acima de tudo aprendem pelo jogo.
Esta visão permite-nos trabalhar não só com crianças, mas também com toda a população no geral, ao nível da ansiedade. Quantas vezes aparecem dores de barriga (mais nas crianças) e de cabeça (nos adultos)? Quantas vezes estão associadas a dores de costas, dificuldades em dormir ou bloqueios no pensamento? Se não temos a capacidade de relaxar e diminuir a nossa atividade, o nosso corpo vai refletir de imediato ou com dores ou com bloqueios musculares. Por isso em psicomotricidade, escolhe-se o método mais adequado a cada um no sentido de uma maior harmonia corporal.
E a nossa intervenção estende-se por toda a vida. Cada vez mais estudos apontam para uma prevenção e promoção na manutenção de competências na população idosa. Sentir o corpo e vivenciar através dos sentidos é essencial para a manutenção de capacidades cognitivas como a atenção e a memória, e tudo isto se trabalha de uma forma muito mais positiva num ambiente securizante a compreensivo.
Mas nem só da terapia e da reeducação é feita a psicomotricidade. Cada vez mais existe um trabalho importante a fazer ao nível da prevenção. Sendo com bebés e crianças de tenra idade em sessões de grupo que promovam o desenvolvimento integrado, sendo com crianças na promoção da aquisição das competências pré-escolares. Ou mesmo com idosos promovendo o movimento sempre associado ao pensamento.
A psicomotricidade é uma palavra muito estranha, é verdade, mas com um mundo inteiro por descobrir lá dentro.
Ana Fonseca
Psicomotricista