05/03/2026
Para hoje:
Para quem me conhece, sabe que também a minha vida tem tido os seus desafios.
Pensando bem, assim tem sido desde muito cedo.
Durante cerca de mais de 3 décadas perdi pessoas, momentos, lugares e estações. E, a cada momento, ainda sem saber, sempre me dei espaço para sentir, "mastigar" a emoção, sacudir as lágrimas e seguir.
Nesse percurso enfrentei batalhas. Umas maiores que outras; umas melhor do que outras...
Nos últimos 12 anos enfrentei algumas das piores e, nestas, resolvi abraçar a dor.
Resolvi abrir as portas e deixar entrar a dor dentro de mim.
Nesse mergulho interno, fui colocando estacas, lanternas e cordas para que conseguisse voltar à tona.
Um dia bati no fundo! Vasculhei, tateando as paredes como quem abre os olhos pela primeira vez e, aí me deixei ficar um tempo.
Nesse fundo, bem fundo, em silêncio e na solidão, permiti-me ouvir a minha voz interior e tudo o que tinha para ouvir e sentir no meu corpo.
Então o interior queimou, cortou, rasgou e arrancou tudo o que tinha a arrancar.
Ainda de rastos, jurei a mim mesma que NUNCA MAIS, nunca mais queria visitar aquele lugar.
Acredito que em algum dia todos já sentimos aquele momento de NUNCA MAIS... E é esse momento aquele em que as mudanças ocorrem!
Fiz listas, fiz escolhas, aprendizagens, disse adeus a muitos comportamentos que tolerava, deixei para trás pessoas que não me interessavam manter e prometi lutar para conseguir munir-me de recursos para não voltar a descer.
Comecei um percurso de auto-descoberta e desenvolvimento pessoal. Desde esse dia nunca mais parei de aprender e de escutar o meu corpo. Porque,cada vez mais, acredito que o nosso corpo manifesta tudo o que a nossa mente não exterioriza.
Principalmente aprendi que, quando dói nas entranhas, nunca devemos ignorar.
Agora a forma como reagimos, essa sim é difícil de comandar.
Com esta ainda luto, mas não é por isso que ignoro o sentir.
Não é por isso que ignoro tudo o que escolhi naquele fundo.
Assim, hoje em dia, quando escolho a solidão, é de sorriso na cara. Sabendo que de cada vez que não escolho os outros, estou a escolher-me a mim; a respeitar-me a mim e a ser livre.
Afinal não sou de mais lugar nenhum a não ser de mim mesma.
Esse é o lugar onde estou plena, consciente, leve e é assim que quero permanecer.
Que cada escolha que fizer me mantenha em mim. Sempre!
Por isso falo de solidão, não porque a estudei, mas porque a vivi em muitas das suas faces. E assim, em breve poderão assistir à rubrica " No intervalo do tempo". Onde todos os tipos de solidão têm lugar para falar...
Até ao próximo intervalo....
Ana 05-03-2026