28/02/2026
No Centro passam muitos tipos de pessoas. E isso é natural. Onde há Luz, há movimento. Onde há acolhimento, há procura.
Há aqueles que chegam mansamente, sentam-se discretos, escutam, absorvem, agradecem. E há outros que chegam cheios de urgências, de dores, de expectativas e também isso é legítimo. Mas o tempo revela o que cada um veio verdadeiramente buscar.
Existem os que, no início, são os mais assíduos. Não falham uma palestra, não perdem um passe, estão sempre na primeira fila. Pedem para guardar lugar. Querem ser atendidos primeiro. Exigem atenção especial. E, com o passar dos meses, algo muda: deixam de vir como aprendizes e passam a vir como cobradores.
Já não escutam para aprender, escutam para validar o que acham que merecem.
Já não pedem auxílio com humildade, exigem como se fosse obrigação dar-lhes.
Esquecem-se de que nada ali é comércio. Nada ali é contrato. Tudo é serviço voluntário, entrega, caridade.
E há também aqueles que frequentam o Centro durante anos… mas não deixam que o ensinamento desça do ouvido ao coração. Gostam do fenómeno. Gostam da mensagem mediúnica. Gostam da curiosidade espiritual. Mas não transformam comportamento, não exercitam a paciência, não trabalham o orgulho. Saem como entraram, apenas com mais histórias para contar.
Tudo isto faz lembrar a parábola da sementeira que Jesus nos trouxe.
O semeador saiu a semear.
Algumas sementes caíram à beira do caminho vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em terreno pedregoso germinaram rápido, mas não criaram raiz e secaram.
Outras caíram entre espinhos cresceram, mas os espinhos sufocaram-nas.
E outras, por fim, caíram em terra boa e deram fruto a trinta, a sessenta e a cem por um.
O Centro é o campo.
A palavra é a semente.
Cada coração é o solo.
Há quem escute e nada retenha.
Há quem se entusiasme no início, mas ao primeiro desconforto se ofenda e se afaste.
Há quem até compreenda, mas deixe o orgulho, a vaidade e a necessidade de protagonismo sufocarem o ensinamento.
E há os raros, silenciosos, simples, humildes, que deixam a palavra criar raiz profunda. Estes não pedem lugar guardado. Não exigem prioridade. Não furam fila. Não se colocam acima dos outros. Sabem esperar. Sabem agradecer. Sabem servir.
O Centro não é palco.
Não é hospital VIP.
Não é espaço de privilégios espirituais.
É uma universidade da alma.
Ali aprende-se sobre paciência, renúncia, caridade, disciplina interior. Aprende-se a ouvir mais do que a falar. Aprende-se que o passe não é um direito adquirido, mas uma bênção recebida. Aprende-se que quem quer ser o maior deve ser o servo de todos.
A lição moral é simples e profunda:
Não basta frequentar o Centro, é preciso permitir que o Centro nos transforme.
Não basta sentar-se na primeira fila, é preciso colocar o ego na última.
Não basta pedir, é preciso também dar.
E aqueles que não pedem para marcar lugar, que não disputam prioridade, que aguardam a sua vez com serenidade, que compreendem que tudo ali é serviço e amor… esses, mesmo que fiquem por último na fila da Terra, irão em primeiro aos olhos de Jesus.
Porque no Reino de Deus não prevalece quem exige.
Prevalece quem aprende.
E, sobretudo, quem pratica.