06/02/2025
“Ao Serra o que é do Serra, ao homem o que é do Homem.”
Atualmente, parece haver um conflito sem sentido entre o cão que realiza suas funções naturais e o cão de exposição. Aqueles que defendem que os cães selecionados com base no estalão da raça estão a perder o seu instinto original acreditam que os verdadeiros representantes da raça são os mantidos por pastores.
Com essas desavenças e algumas trocas de “mimos” entre as partes, ambos os lados têm esquecido o mais importante: o Cão. Este vive em um ambiente dinâmico, onde a evolução ocorre rapidamente, e, assim, a falta de aplicação das diretrizes “Estalão da raça” coloca em risco a preservação desse patrimônio cultural que remonta a séculos.
O estalão foi criado por diferentes grupos, incluindo pastores, políticos, veterinários e aficionados, que em conjunto decidiram estabelecer características específicas para garantir a homogeneidade da raça, enquanto preservam sua função original de proteger grandes rebanhos em pastagens abertas.
De acordo com o estalão, existem duas variedades de pêlo claramente definidas, e essa classificação deve ser mantida. Todos os cruzamentos devem ser planejados e analisados para que uma variedade não domine a outra; o cruzamento só é justificado quando visa aprimorar certas características. Todos os cachorros devem ser controlados para garantir a eficácia do cruzamento realizado.
As mudanças ao longo do tempo resultaram em grandes transformações, especialmente em relação à função original dos cães. Os grandes rebanhos em pastagens abertas estão a desaparecer, dando lugar a rebanhos confinados, o que leva à necessidade de menos cães, restritos a áreas menores. Portanto, para que a raça possa sobreviver, esta teve que se ajustar a novas funções que também lhe são inatas, a proteção de propriedades e bens, em alguns casos, apenas como companhia.
O que se observa atualmente é a pouca importância atribuída ao estalão da raça e às características que este define, as quais não apenas ajudam a diferenciar a raça de outras semelhantes, mas também estabelecem sua relevância para a função natural da mesma. (As orelhas, que são pequenas, finas e em rosa, não são apenas uma excentricidade de um criador, possuem dois aspectos fundamentais: saúde, pois ajudam a prevenir otites, e defesa, visto que, sendo um ponto vulnerável do cão, quanto menores e mais próximas da cabeça, mais difíceis se tornam de atingir durante um confronto.)
Afirma-se que os cães atualmente criados por criadores são apenas "uma bola pêlo para serem apresentados em eventos de morfologia e beleza", perdendo ou em processo de perder a sua função original, o que é incorreto.
“Cisco das Terras D’Cister, vive nos Estados Unidos, cumpre sua função original desde os quatro meses de idade, vem de uma linha de varias gerações que nunca esteve em rebanho.”
“Goya da Encosta da Loba (criado pelo falecido e amigo Celso Machado), que já teve diversas experiências, uma das quais como animal de companhia, começou a realizar suas funções naturais após atingir mais de três anos, adaptando-se e se reorganizando rapidamente. Esta também com varias gerações na linha que nunca estiveram em rebanho.”
A principal preocupação de todos, sejam criadores, pastores ou admiradores da raça, deveria ser: amar, preservar, cuidar, mimar e manter suas características morfológicas conforme o único estalão existente, unidos, para que esta possa continuar a ser reconhecida através das próximas gerações sem questionamentos sobre sua identidade.
“Ao serra, o que é do serra; ao homem, o que é do homem.”
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Terras D'cister