14/03/2026
Das coisas que o meu trabalho mais me tem ensinado, é que o outro não escuta o que dizes.
Ele escuta[se] através do que trazes.
E nesta miopia em que cada qual vê, escuta e sente através das suas próprias lentes, só há dois caminhos a seguir.
Aquele que segues em frente, como se fosses um rastilho, porque tens muitas certezas e muitas coisas para ensinar.
Ou o oposto.
O caminho onde sabes que cada um “é somente” a sua perspectiva, a sua história, o seu sentir, e por isso abres-te a que o teu coração escute e que fale através de ti.
Sem certezas absolutas.
Sem receitas prontas para todos.
Apenas de um lugar de genuína partilha, onde o conhecimento ocupa o seu lugar, mas ele é só parte do que trazes.
Acompanhar casais nos seus trilhos pela parentalidade, mostra-me todos os dias, que em vários momentos a evidência que tanto proclamamos, não tem espaço em algumas famílias … e acima de tudo, ela não suporta o apoio que as famílias precisam em momentos, por vezes, tão delicados.
Sinto que entrámos numa roda viva de fundamentalismos que em tantos momentos nada acolhem ou apoiam os pais e as mães, e por conseguinte os bebés.
Acompanhar famílias requer MESMO uma tremenda dose de humildade.
O OUTRO é um universo imenso com tantas cores e padrões, tal como eu e tu.
Hoje, depois de uma manhã a partilhar sobre pós parto, voltei para casa a pensar:
- O que será que cada um levou para si?
- Como será que cada um encaixará ou não no seu pós parto o que hoje escutou ali?
- Que ligações com a sua própria história acontecerão?
O que para mim é certo?
é que cada um naquela sala, escutou [se] através de mim e não a mim 🤎
Já vos disse hoje que amo aquilo que faço?!
Inês 🍀
Obrigada minha por esta chapa