Inês Henriques - The New Feminine

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18/01/2026

🍂 se sentes que queres que o teu parto seja mais do que um momento, escreve-me.

o que pensamos sobre o valor de qualquer coisa que seja, diz muito mais sobre nós, do que sobe essa “coisa” propriamente...
18/01/2026

o que pensamos sobre o valor de qualquer coisa que seja, diz muito mais sobre nós, do que sobe essa “coisa” propriamente.

quando falamos sobre serviços de cuidado - que não são palpáveis nem mensuráveis - tudo f**a ainda mas enevoado.

no último parto onde estive, ouvi da mulher que esteva em trabalho de parto:
- essas festinhas sabem tão bem.

sorri e respondi em tom de brincadeira:
- imagina como é difícil vender um serviço de festinhas na cabeça ou nas costas.

ser Doula é tão mais que isto, mas também pode ser isto, e por isso para mim, um dos serviços de cuidado mais sagrados.

quando falamos de nascimento - seja da mãe, bebé ou família - falamos de impacto PARA SEMPRE.

todos, irão olhar para si a partir daquele evento.
existe um antes e um depois de cada parto.

então, ter uma Doula, pode ser mesmo uma forma de de investir em CUIDADO, eliminando ou reduzindo a necessidade de REPARO.

é difícil vermos por estas lentes.
fomos educados para tratar doenças em vez de nos nutrirmos - de todas as formas - para as evitarmos.

contratar uma Doula é também ver por estas lentes.

as lentes do merecimento, mas também as do custo do cuidado versus custo de reparo.

🍂 e tu tiveste (tens) uma Doula?

Se sim, identif**a-a nos comentários e diz-lhe o que foi para ti receber o seu cuidado 🤎

🦋 8 DE FEVEREIRO 🦋Sentamo-nos em Círculo Valor de troca: 20€ INSCRIÇÕES MP / WHATSAPP 926825183
15/01/2026

🦋 8 DE FEVEREIRO 🦋
Sentamo-nos em Círculo

Valor de troca: 20€

INSCRIÇÕES MP / WHATSAPP 926825183

não é um parto, são uns pés pequeninos na terra.o que têm em comum?o sentir. a conexão. a vontade.se todos pudéssemos se...
09/01/2026

não é um parto, são uns pés pequeninos na terra.

o que têm em comum?

o sentir. a conexão. a vontade.

se todos pudéssemos sentir o pulsar da terra nos nossos pés descalços, ao longo da vida, o parto seria certamente, um evento muito mais comum.

hoje levámos os nossos filhos a conhecer o lugar onde bebemos um café os dois, pela primeira vez, há 16 anos.de repente ...
03/01/2026

hoje levámos os nossos filhos a conhecer o lugar onde bebemos um café os dois, pela primeira vez, há 16 anos.

de repente ali estava eu, com este quadro à minha frente [em momento algum imaginado] naquele dia, naquele café de miúdos.

três filhos depois, e mais uma vez, lá veio mais um pós parto desarrumar e desarrumar-nos.

sete meses em que temo-nos perdido mais do que encontrado, mas que aos poucos começamos a vislumbrar quem somos agora.

ter filhos é mesmo uma verdadeira revolução.

a vida de pantanas, entre sorrisos e desespero por algum oxigénio e normalidade do antes.

não sei onde estaremos daqui a dezasseis anos, o que sei agora, é que agradeço tudo como foi até aqui.
até mesmo o que doeu para caraças.

temos a família mais bonita de todas 🤎
(no instagram não precisamos de ser modestos 😛)

2025, num provador por aí.o ano em que o cansaço rebentou a escala e o amor também✨
31/12/2025

2025, num provador por aí.

o ano em que o cansaço rebentou a escala e o amor também✨

  dizem que chegou o momento em que terás o primeiro encontro com o teu EU.com a tua individualidade, separada para semp...
28/12/2025



dizem que chegou o momento em que terás o primeiro encontro com o teu EU.

com a tua individualidade, separada para sempre do que foi até então - uma mistura entre ti a tua família, envolta por uma névoa - que ainda não te permitia sentir exactamente quem és e serás.

dizem, que há uma espécie de solidão que chega também aos nove anos de idade.
iniciarás agora a tua jornada sobre seres quem és.

têm sido desafiantes estes tempos.
já não te revejo no meu filho pequeno, mas ainda quero tanto proteger-te.
tu, queres tanto autonomia, mas pedes-me colo mais que nunca.
uma espécie de jogo de puxa e empurra que eu espero em breve poder saber jogar com sabedoria. (pelo menos na maior parte dos dias)

hoje fazes 9 anos, e eu só queria poder ir lá atrás apertar-te as bochechas gordinhas, e sentir as tuas mãos pequeninas a apertar-me a cara.

não é possível. o tempo não volta atrás, e talvez esta seja mesmo a maior lição que a vida nos dá diariamente: O TEMPO NÃO VOLTA ATRÁS!!!

meu amor pequeno, de coração enorme, o que te defendo hoje é que possas abraçar a vida, e todas as bênçãos que ela tem mesmo à tua frente.

que possas sempre lembrar-te: ser quem somos será sempre uma escolha 🌱

parabéns meu primeiro amor
a mãe,
Inês

quando me perguntam o que faz uma Doula, sinto os olhos postos em mim, à espera de uma lista infindável “I Do(s)”nunca t...
18/12/2025

quando me perguntam o que faz uma Doula, sinto os olhos postos em mim, à espera de uma lista infindável “I Do(s)”

nunca tive uma mochila cheia de mil coisas
nem nunca tive uma lista de coisas para fazer num trabalho de parto

e no início se isso me causava algum sentimento de não suficiência, ou até um resvalo para a comparação, hoje sei que acima de tudo, a maior coisa que uma Doula pode fazer, é sustentar um espaço.

e como é valiosa essa sustentação.

aquela que vibra na fé profunda do corpo da mãe e do seu bebe em total fusão.
da família reunida para ver o milagre da vida acontecer.
do espaço sagrado, que é receber neste mundo, um ser humano no seu maior estado de inocência e vulnerabilidade.

não tenho muitas coisas para dizer que faço.
faço pouco, deslizo pelas entrelinhas, mas quem me tem, tem-me por inteiro.
em total presença, respeito e admiração.

digo e repito:
no dia em que me deixar de emocionar com o milagre do Nascimento, será o momento de partir para fazer [ou ser] outra coisa qualquer.

🤎

📷pela lente da maravilhosa .pt

🌾Porque tantas mulheres querem focar-se no externo da maternidade, e não em espaços de partilha e reflexão?A pergunta é ...
12/12/2025

🌾Porque tantas mulheres querem focar-se no externo da maternidade, e não em espaços de partilha e reflexão?

A pergunta é directa, mas a resposta não é aquela que acreditamos à primeira: falta de interesse!

Não nos permitirmos estar (ir) a espaços de partilha, reflexão e responsabilidade pessoal, revela algo mais profundo.

O EXTERNO - como a roupa, o enxoval, a estética (de mãe e bebé), os acessórios e até as preocupações básicas de logística - são algo concreto e palpável, logo, que pode ser controlável.

E numa cultura que reforça diariamente que a “boa mãe” é a que se prepara com o quarto perfeito e a roupa mais fancy, sobra pouco espaço para o que não brilha na ribalta ( e que na verdade muitas de nós prefere fazer de conta que não sente)

🌾 ambivalência materna
🌾 saúde mental no pós-parto
🌾identidade que se transforma
🌾 necessidade de apoio
🌾responsabilidade emocional do cuidado
🌾importância de uma Vila que seja rede, suporte, pertença.

Participar EM CÍRCULOS DE MATERNIDADE exige VULNERABILIDADE

Entrar num espaço de partilha é admitir que:

🌾não sabemos tudo
🌾 sentimos coisas contraditórias
🌾precisamos suporte (e merecemos)
🌾estamos a viver uma transformação que é real

É um movimento de coragem emocional, e nem todas se sentem seguras para o dar.

Às vezes a resistência não é falta de interesse - é autoproteção.

🌾 No dia 15 abrimos mais uma vez as portas da .pt para dar espaço ao que não se vende por aí, mas que esta equipa sente como um bem essencial a todas (todos) que com leveza, segurança e respeito pelo seu tempo, queiram ser recebidos por nós 🤍

hoje ao final do dia [lembrei-me] que mais uma vez, não tínhamos feito o trabalho de Natal, que a educadora do Manel ped...
11/12/2025

hoje ao final do dia [lembrei-me] que mais uma vez, não tínhamos feito o trabalho de Natal, que a educadora do Manel pediu para ser feito em família.

não me lembro de em momento nenhum ter falhado tantas coisas “importantes”.
“Mãe não me enviaste as meias”,
“Mãe ainda não assinaste o papel”,
“Mãe o equipamento de Portugal não está lavado??”
“Mãe esqueceste disto. daquilo. do outro”

acordo [depois de mais uma noite em que despertei trezentas vezes] e penso:
é hoje que vou ser uma mãe infalível
só que nem a meio da manhã cheguei, e já levei a primeira finta.

hoje vi este quadro, e perdi-me nele[s]

que se lixe a escola, os trabalhos da escola, as meias que não combinam e a garrafa de água que ficou no carro em vez de na escola.

talvez um dia,
a escola também seja um lugar onde cabe [verdadeiramente] a família

Não precisamos lembrar-nos do nosso nascimento, para ele nos influenciar.O corpo lembra. O sistema nervoso lembra.E, sem...
06/12/2025

Não precisamos lembrar-nos do nosso nascimento, para ele nos influenciar.
O corpo lembra. O sistema nervoso lembra.
E, sem palavras, essa memória molda a forma como reagimos ao desconhecido, ao intenso, ao vulnerável.

Isto signif**a que, quando estamos diante de um parto - seja a dar à luz ou a assistir - não estamos apenas a responder ao momento presente.
Estamos também a responder ao nosso próprio começo.

Se o nascimento foi apressado…
o corpo aprende urgência. E mais tarde, podemos sentir uma necessidade inconsciente de “fazer acontecer”, acelerar, controlar ritmos, não suportar espera.

Se houve muito controlo externo…
cresce em nós um padrão de vigilância. E no parto (ou na prática clínica), isso pode aparecer como dificuldade em confiar: no processo, no corpo da mulher, na equipa, no fluxo natural.

Se o início foi vivido com tensão ou medo…
podemos desenvolver hipervigilância - aquela sensação de “ preciso de garantir que nada corre mal”. É comum em profissionais experientes, que muitas vezes não entendam, porque não conseguem relaxar, nem quando tudo está bem.

Se houver separação precoce, toque brusco ou falta de acolhimento…
podemos sentir dificuldade em entregar, receber ajuda, pedir apoio. E isso surge tanto na mulher em trabalho de parto, quanto em quem cuida dela.

Nada disto é racional.
São respostas somáticas profundamente enraizadas, que voltam à superfície sempre que o corpo atravessa uma experiência que se parece - mesmo que vagamente - com o momento do próprio nascimento.

E o nascimento é exactamente isso: um portal que toca camadas muito antigas.

Por isso, muitos padrões que vemos no parto não são “traços de personalidade”. São heranças emocionais. Marcas somáticas que não tiveram espaço para ser compreendidas ou integradas.

E isto não é culpa de ninguém.
Não é falha da mulher. Nem falha do profissional.
É apenas humanidade.

Quando compreendemos que o nosso próprio nascimento influência a forma como vivemos e acompanhamos outros nascimentos, algo se abre dentro de nós: um espaço de gentileza, de auto-responsabilidade, mais consciência e presença.

E é neste espaço que transformações profundas começam a acontecer✨

Inês e Lurdes

Fala-se muito do medo das grávidas.
Pouco se fala do medo dos profissionais.Mas ele existe.
Mesmo que raramente receba e...
02/12/2025

Fala-se muito do medo das grávidas.
Pouco se fala do medo dos profissionais.

Mas ele existe.
Mesmo que raramente receba esse nome.

Porque quando se trabalha com nascimento, trabalha-se também com intensidade. Com responsabilidade. Com vidas em mãos.
Com histórias que marcam, algumas belas… outras pesadas demais para caber no corpo.

E é aí que começa o medo que não parece medo.
Às vezes manifesta-se como hiper-controlo.
Como urgência.
Como distanciamento emocional.
Como pressa em intervir.
Como tentar “salvar” antes mesmo de observar.

Outras vezes aparece como fadiga silenciosa — um cansaço que não é só físico, mas emocional:
o peso acumulado de noites intermináveis, decisões difíceis, expectativas do sistema, exigências institucionais e a pressão para acertar sempre.

Muitos profissionais carregam dentro de si histórias de partos passados que nunca tiveram espaço para ser integradas.
E essas histórias vivem no corpo.
Tornam-se vigilância constante.
Tornam-se tensão.
Tornam-se memória.

E isto importa por um motivo muito simples:
👉 O medo no parto não é individual. É relacional. Ele circula. Ele contagia. Ele molda ambientes. Ele é parte do inconsciente coletivo.

Quando uma grávida entra numa sala e sente que “algo está tenso”, muitas vezes está a sentir — não a sua ansiedade — mas a ansiedade acumulada da equipa, do sistema, das horas de trabalho, das pressões invisíveis, de outros partos difíceis.

Da mesma forma, quando um profissional sente dificuldade em confiar no processo, muitas vezes não é pela mulher à sua frente…
mas pelas histórias antigas que ainda habitam o seu corpo.

E tudo isto merece ser reconhecido.

Não para apontar culpados — mas para humanizar.
Porque mulheres e profissionais não são lados opostos do parto.
São corpos humanos a atravessar, juntos, uma experiência profundamente primitiva / ancestral.

Quando admitimos que todos sentimos medo — cada um à sua maneira — abre-se espaço para uma nova qualidade de presença:
mais honesta,
mais sensível,
mais inteira.

E o nascimento, quando acontece nesse campo humano partilhado, transforma todos os envolvidos.

Com amor
Inês e Lurdes

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