04/03/2026
queria falar sobre invisibilidade ontem, mas o cansaço estava demasiado visível. desisti.
nove meses de bebé, não tenho noção se dormi três horas seguidas alguma vez nos últimos meses.
claramente não é responsabilidade de ninguém, a não ser minha, que escolhi ter mais um bebé, ainda por cima em franca perimenopausa.
responsabilidades à parte, gentileza e emparia, poderia ser algo inato ao ser humano.
e até é para alguns, mas a percentagem reduz drasticamente quando se trata de usá-las com as mães.
ao terceiro filho continuo a sentir que cuidar de um bebé significa ter espetada na testa uma placa que diz - FECHADO PARA FÉRIAS!
se o mundo imaginasse o quanto arrumar uma divisão de uma casa de seguida sabe a luxo …
2026 e continuamos a olhar para as mulheres que cuidam dos seus bebés a tempo inteiro, como um passeio no parque.
não vais porque não queres. não consegues porque não te esforças. se não chegas lá é porque a preguiça fala mais alto.
não ter rede de apoio é perceber que até mesmo quem aparecia de vez em quando, desapareceu de vez.
não é um queixume. as ausências abrem espaço para o novo, isso ao terceiro já sei bem.
o que custa é a invisibilidade.
o não desistir quando todos esperam que ponhas o miúdo na creche e te faças à vida.
trabalhar fora é de valor. criar seres humanos, assegurando as suas necessidades é mais um capricho [de quem pode]
hoje não é a Doula que escreve.
é a mãe.
a mãe que ao terceiro já não se perde nesta invisibilidade, mas que ainda lamenta que a maternidade continue a ser algo tão solitário e tão invisível.
se estás desse lado a sentir o mesmo, recebe um abraço grande hoje.