05/12/2025
Caso clínico 1
Paciente
Idade: 33 anos
S**o: masculino
Motivo da consulta: O paciente apresentou-se no meu gabinete por dores persistentes na região dorsolombar há cerca de 4 meses. O problema agravava-se em caso de postura prolongada no mesmo posicionamento (sentado ou de pé muito tempo).
Anamnese
O paciente referia que as dores começavam a ficar cada vez mais intensas, apesar da medicação prescrita pelo médico de família (adalgur e ibuprofeno), que surtia pouco efeito, e das várias sessões de fisioterapia que realizou.
De manhã ao acordar, as dores na região dorsal agravavam-se. Queixava-se ainda de dor na região inguinal direita e na parte interna do joelho direito há cerca de 3 meses. Sentia uma pressão na junção dorsolombar e dor tipo “pontada” a nível da região costal inferior, aquando da realização de um esforço.
Há 3 meses também começou a apresentar distúrbios digestivos com inchaço abdominal. Referiu que perdeu nos últimos 4 meses 25 kg graças a uma modificação na sua alimentação (reduziu os hidratos de carbono e só fazia 3 refeições diárias) e na prática de desporto (jogging).
As suas dores agravaram-se após uma posição prolongada em pé e uns saltos durante um concerto.
Fez Rx que não apresentou qualquer alteração significativa.
É uma pessoa aparentemente saudável, sem histórico cirúrgico, traumatismos ou outras doenças relevantes. Mede 196 cm e pesa 97 kg. Nunca fumou e ingeria bebidas alcoólicas de tempos a tempos.
Avaliação osteopática
Após avaliação deparei-me com as seguintes disfunções:
- L5 em extensão
- D10
- Ilíaco direito anterior
- Músculo psoas-ilíaco direito sensível à pressão
- Tensão do diafragma mais predominante à direita
- Menisco interno do joelho direito sensível à pressão
- Aumento do tónus nos quadrantes superior e inferior direito
- Válvula íleo-cecal com pouca mobilidade e muito sensível à pressão
- Rim direito mais facilmente palpável que o esquerdo.
Interpretação osteopática
A perca rápida de peso levou à redução da cápsula adiposa que envolve o rim, o que pode favorecer uma ptose do rim, deslizando sobre o músculo grande psoas. Este músculo tem relação com o plexo lombar, nomeadamente o nervo subcostal, ilio-hipogástrico, ílio-inguinal.
Os tecidos que estes nervos inervam são a origem dos sintomas mencionados pelo paciente, como a dor inguinal e as pontadas a nível da região intercostal baixa.
O inchaço e a modificação da alimentação levam a um aumento do tónus na região abdominal. A válvula íleo-cecal e o cólon ascendente necessitam assim de mais espaço, o que poderia favorecer a disfunção do ilíaco direito em anteriorização. A adaptação da coluna lombar ao ilíaco anterior pode explicar uma disfunção em extensão para a esquerda de L5. A inervação simpática do rim (D10 a L1) pode explicar a disfunção em flexão a este nível. A conexão dos rins com o diafragma pelas lâminas retro e pré-renal pode levar o diafragma a uma posição baixa.
A meniscopatia medial direita pode ser explicada pela inserção do músculo semi-membranoso no menisco interno (a nível da cápsula articular interna), pelo facto da anteriorização do ilíaco aumentar a tensão do semi-membranoso, limitando a mobilidade do menisco medial e consequentemente a sua nutrição.
Tratamento e evolução
Na primeira sessão comecei por trabalhar toda a fáscia dorsal e lombar e por fazer oscilações em toda a coluna fazendo fulcros nas regiões hipomóveis.
Tratei a válvula íleo-cecal, o cólon ascendente e a fáscia de Told. O rim foi mobilizado com o paciente sentado e em decúbito dorsal.
Os bloqueios articulares foram corrigidos e o diafragma foi mobilizado para melhorar a circulação dos fluídos. Técnicas respiratórias foram ensinadas.
Na segunda sessão (1 semana depois), o paciente relatou sentir-se muito melhor. Mantinha dor na região dorsolombar, mas menos intensa. A dor do joelho e da região inguinal tinham desaparecida. Foi feito um trabalho mais específico em toda a coluna e a nível visceral.
Na semana seguinte o paciente referia já não apresentar qualquer sintomatologia.